22/08/2023
Cotidiano Em Alta

Empresariado volta a cobrar retomada de voos diários em Guarapuava

Reunião, que incluiu o prefeito Denilson Baitala, com o secretário Sandro Alex reforça etapa-chave para recuperar conectividade aérea e atrair novas rotas

Lideranças em reunião na Seil (Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava)

Guarapuava voltou a assistir nessa terça (3), a mais um capítulo de uma pauta recorrente. Trata-se da tentativa de fazer o Aeroporto Regional Tancredo Thomas de Faria recuperar a regularidade de voos comerciais, com a ambição de retomar operações diárias. Representantes do poder público e do setor produtivo se reuniram com o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, para alinhar “ajustes técnicos e políticos” do projeto.

A expressão, por si só, revela o tamanho do gargalo: a obra não é apenas engenharia. É também decisão, prioridade e orçamento. De acordo com o projeto apresentado ao Governo, o custo previsto soma R$ 120 milhões. Conforme a Associação Comercial e Empresarial de Guarapuava (Acig), a meta é licitar a obra até abril de 2026.

Sandro Alex em reunião com comitiva de Guarapuava (Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava)

À frente da articulação, o prefeito Denilson Baitala reuniu entidades como a Associação Comercial e Empresarial de Guarapuava (Acig) e outras lideranças empresariais, além de secretários municipais e representantes políticos. O recado foi direto. Conforme a comitiva, sem pista adequada, que é considerada a etapa mais urgente, não há conversa realista sobre retorno de voos regulares. A reunião funcionou, na prática, como uma demonstração de força coletiva para acelerar o que se arrasta há anos entre anúncios, projetos e etapas fragmentadas.

O desenho apresentado para modernização aponta para um salto de capacidade. O aeroporto precisa da ampliação de pátio, adequações para receber aeronaves maiores e um conjunto de intervenções de segurança e operação. Surgem aí pontos como como extensão e largura de pista, RESA e balizamento. O projeto divulgado por entidades empresariais menciona parâmetros como pista efetiva de 1.800 metros e ampliação de largura, além de itens de segurança. Na lógica do mercado, isso aumenta a “vendabilidade” do aeroporto para companhias, mas não garante, por si só, voos diários. Portanto, é condição necessária, não suficiente.

AVANÇOS OPERACIONAIS E FRUSTRAÇÃO OPERACIONAL

Aeroporto de Guarapuava (Foto: arquivo/RSN)

A discussão atual ocorre sob a sombra de um passado que mistura infraestrutura incompleta, melhorias em fases e conectividade aérea instável. Ainda em 2018, conforme o histórico do aeroporto, já se falava em obras “quase prontas”. No entanto, a regularidade de voos não se consolidou.

Nos últimos anos, houve novas intervenções e promessas de modernização. Em 2023, por exemplo, o município divulgou ações de ampliação e melhorias, com cronograma de execução e adequações operacionais. Mesmo assim, o ponto de virada mais recente veio pelo lado contrário: a perda da malha.

Em 1º de setembro de 2025, a Azul encerrou os voos entre Guarapuava e Curitiba. A companhia citou fatores como custos operacionais, dólar, disponibilidade de frota e ajustes de oferta e demanda. Desde então, o aeroporto passou a atender essencialmente aviação particular, recolocando a cidade numa condição de baixa conectividade aérea, justamente o cenário que o setor produtivo argumenta frear a competitividade regional.

TEMA VOLTA PARA O GOVERNADOR

O que diferencia a atual movimentação é o peso do setor privado na preparação do caminho técnico. Em dezembro de 2025, a prefeitura anunciou a entrega ao governador Ratinho Junior de um projeto de ampliação, produzido e financiado por instituições e empresas locais. O custo somou R$ 600 mil bancados pela classe empresarial. Portanto, uma estratégia que, além de encurtar etapas, transfere parte do “custo político” para o Estado. Ou seja: com o projeto pronto na mesa, o debate passa a ser menos sobre viabilidade e mais sobre prioridade.

O roteiro avançou em janeiro de 2026, quando o projeto foi oficialmente protocolado junto à Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL). Novamente surge o protagonismo do setor empresarial no financiamento e na elaboração técnica. Na reunião dessa terça, conforme a Secretaria de Comunicação da Prefeitura, Sandro Alex declarou que levará o tema ao governador. De acordo com o secretário, para buscar viabilização. Ele também  reforçou compromisso com encaminhamentos, priorizando investimentos na pista e no sítio aeroportuário.

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Cristina Esteche

Jornalista

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