22/08/2023
Blog da Cris Paraná

Ratinho Jr recua do Planalto para não perder o controle do Paraná

Com alta aprovação, governador surpreendeu, mas bastidores apontam que tensão na sucessão estadual e avanço de adversários pesaram na decisão

Ratinho Junior (Foto: Jonathan Campos/AEN) AEN

A desistência de Ratinho Junior da disputa presidencial pegou o meio político de surpresa nesta segunda (23). Ou, na expressão de um deputado ouvido pelo Blog da Cristina Esteche, deixou “todos de calça curta”. E não foi por falta de força. O governador chega a esse recuo com 85,5% de aprovação no Paraná e, até horas antes do anúncio, seguia no radar do PSD como um dos nomes da legenda para o Planalto. A decisão de concluir o mandato foi comunicada a Gilberto Kassab nesta segunda, depois de conversas com a família.

Na versão oficial, prevalece o discurso da responsabilidade. Ratinho Junior diz que preferiu honrar o compromisso com os paranaenses e terminar o governo. Politicamente, porém, a história parece menos romântica e mais pragmática. O que pesou não foi apenas Brasília. Pesou, sobretudo, Curitiba.

INDEFINIÇÃO ESTADUAL

Os bastidores mostram que a grande aflição de Ratinho estava na sucessão estadual. Antes mesmo de bater o martelo sobre a Presidência, ele já vinha priorizando a escolha de um nome para 2026 no Paraná. O problema é que esse nome não saiu. E esse não anúncio aumentou a tensão dentro do grupo governista. Sabemos que a demora do governador em definir o candidato abriu racha na base, com risco de ruptura, possível saída de aliados do PSD e temor de debandada de prefeitos e deputados.

MORO NO PL

O quadro piorou quando o PL decidiu apoiar Sergio Moro para o governo do Paraná. Ratinho Junior passou a tratar a sucessão local como prioridade justamente diante dessa ameaça. E teve ainda  o afastamento do Novo do grupo governista e a aproximação com a aliança entre Flávio Bolsonaro e Moro. Em outras palavras: o governador começou a ver o território político cercado no momento em que ainda cogitava voar nacionalmente.

Também houve pressão do campo bolsonarista.  O governador paranaense rejeitou a ideia de abrir mão do projeto presidencial para ser vice de Flávio Bolsonaro. Poucos dias depois, a movimentação do PL no Paraná ganhou outro peso, e a entrada de Moro no PL foi tratada, nos bastidores, como fator decisivo para a desistência do governador.

FECHANDO A CONTA

É aí que a conta política fecha. Ratinho tinha aprovação de sobra no Paraná, mas aprovação regional não é sinônimo automático de viabilidade nacional. Para disputar a Presidência, ele precisaria de palanque, tempo, alianças. E, acima de tudo, de um Paraná sob controle. Sem um sucessor consolidado e vendo a própria base tensionada, seguir no jogo nacional passou a representar um risco alto demais.

No fim, a desistência de Ratinho Junior não tem cara de fraqueza. Tem cara de contenção de danos. Ele percebeu que poderia até sonhar com o Planalto. Mas, entretanto, corria o risco de perder a principal vitrine que sustenta esse sonho: o comando político do Paraná. E político experiente sabe que, antes de conquistar o país, precisa impedir que a própria casa desabe.

Leia outras notícias no Portal RSN.

Cristina Esteche

Jornalista

Relacionadas

A missão da RSN é produzir informações e análises jornalísticas com credibilidade, transparência, qualidade e rapidez, seguindo princípios editoriais de independência, senso crítico, pluralismo e apartidarismo. Além disso, busca contribuir para fortalecer a democracia e conscientizar a cidadania.

RSN
Visão geral da Política de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.