22/08/2023
Blog da Cris Paraná

Moro muda de lado, Giacobo cai e Ratinho segue sem herdeiro

A filiação de Moro ao PL acelerou o racha na direita, empurrou aliados para fora do centro do jogo e expôs ainda mais a dificuldade do governismo em fechar a sucessão

Mapa do Paraná (Imagem gerada por IA)

A filiação de Sergio Moro ao PL embaralhou de vez a direita no Paraná. Ao se alinhar ao projeto nacional do partido e à articulação com Flávio Bolsonaro, Moro reposicionou o campo da direita. Na prática, isolou Cristina Graeml dentro dessa engenharia eleitoral. A nova composição trabalha com Filipe Barros e Deltan Dallagnol para o Senado, o que esvazia o espaço que antes parecia reservado à jornalista.

A decisão de Moro não produziu apenas desconforto externo. Ela abriu uma crise dentro do próprio PL paranaense. Fernando Giacobo, então presidente estadual da legenda e aliado de Ratinho Junior, rompeu com o partido, deixou o comando do PL e anunciou a desfiliação. O gesto não foi trivial: ele explicitou o racha entre a estratégia nacional do PL, que abraçou Moro, e a ala paranaense que defendia a permanência do partido na órbita governista de Ratinho. Filipe Barros assumiu, provisoriamente, o comando estadual da sigla, consolidando a nova correlação de forças. No entanto, há informações que ele deve trocar o UB pelo ‘Podemos’.

SEM DEFINIÇÃO

Do outro lado, Ratinho Junior segue tentando manter o controle do processo sucessório, mas ainda sem um nome capaz de unificar seu grupo com naturalidade. O governador adia a definição enquanto vê a base sofrer pressão de todos os lados. Guto Silva continua no radar, Alexandre Curi não saiu do jogo e Eduardo Pimentel passou a ser testado como alternativa, num movimento que revela mais a dificuldade do PSD em fechar questão do que propriamente uma escolha madura e consolidada.

No caso de Eduardo Pimentel, a insistência no seu nome expõe um dilema evidente: tirar da Prefeitura de Curitiba um prefeito recém-eleito seria uma operação politicamente custosa e de alto risco. Quando um grupo precisa recorrer a um nome que ainda está começando o mandato para resolver o impasse sucessório, isso não transmite força; transmite incerteza.

RESUMINDO

O que se vê, no fundo, é um Paraná em ebulição antecipada. Moro entrou no PL para disputar protagonismo e impor uma nova geometria à direita. Ratinho Junior, por sua vez, ainda tenta evitar que a sucessão escape de suas mãos. Entre uma filiação ruidosa, um presidente partidário que caiu fora, uma candidata ao Senado deixada à margem da nova aliança e um governismo que ainda não decidiu quem chama de herdeiro, o calor do outono político paranaense está longe de arrefecer. E, nesse ritmo, cada amanhecer promete nova fumaça e cada noite, mais combustão.

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Cristina Esteche

Jornalista

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