22/08/2023
Blog da Cris Paraná

Eduardo Pimentel é aposta para conciliação na base governista

Ratinho Junior pode lançar Eduardo Pimentel ao governo, abrindo espaço para Alexandre Curi ao Senado e Guto Silva na vice. Greca ficaria pra depois

Eduardo Pimentel (Foto: divulgação)

Nos bastidores do Palácio Iguaçu, ganha força uma articulação para convencer o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, a disputar o governo do Paraná em 2026. A avaliação no núcleo governista é de que ele tem densidade política em Curitiba e na Região Metropolitana. O que seria suficiente para entrar na sucessão com mais competitividade e até superar o espaço de Rafael Greca nesse eleitorado. A febre de Pimentel será medida na pesquisa registrada pelo instituto AtlasIntel na quarta (25) e que deverá ser divulgado na próxima terça (31).

Se aceitar a disputa, Pimentel não iria sozinho. Ratinho Junior teria de carregá-lo pelo interior, apresentando-o aos prefeitos da base e transformando apoio administrativo em palanque político. Sem essa operação, a força de Curitiba dificilmente bastaria para consolidar uma candidatura estadual competitiva. Se isso ocorrer, o caminho também ficaria mais livre para que Alexandre Curi dispute o Senado.

Curi é hoje um dos políticos mais fortes do PSD paranaense, com comando institucional sobre a Assembleia e presença consolidada no interior. Numa composição desse tipo, ele deixaria de ser obstáculo interno à escolha de Pimentel. Passaria a ser ativo eleitoral da chapa. No bastidor, aliados ainda mencionam que o vínculo político e familiar entre os dois ajudaria a reduzir ruídos e ampliar a confiança mútua numa costura que exigiria disciplina quase cirúrgica. O ponto central é que Curi, permanecendo no jogo majoritário, deixa de ser problema e vira solução.

CHAPA PURA?

Nesse desenho, Guto Silva poderia ser o vice, em uma chapa pura do PSD. O problema é que essa engenharia não acontece no vazio. Rafael Greca já saiu do PSD, filiou-se ao MDB e assumiu publicamente o projeto de disputar o governo. Fato este, que torna mais difícil qualquer tentativa de simples acomodação administrativa. Nessa equação, uma das possibilidades é que Greca seria deslocado para uma secretaria, como a das Cidades, num arranjo para mantê-lo na órbita do grupo. Conforme fontes palacianas de peso político, essa é uma das fórmulas em circulação dentro da cúpula governista.

QUEM É QUEM

Até aqui, portanto, o que existe publicamente é um PSD em processo de escolha, um governador tentando reorganizar a base após a desistência da corrida presidencial e uma sucessão que ainda não ganhou forma definitiva. Entretanto, no subterrâneo do poder, a articulação narrada por fontes palacianas faz sentido político porque responde à pergunta central de 2026. Ou seja: quem tem condições de herdar o capital de Ratinho sem dividir demais o grupo? Hoje, entre a força institucional de Curi, a lealdade administrativa de Guto e o peso eleitoral de Curitiba com Pimentel, o prefeito da capital parece ter deixado de ser apenas gestor municipal para virar uma das chaves do futuro do Paraná.

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Cristina Esteche

Jornalista

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