22/08/2023
Cotidiano Educação Thiago de Oliveira

Por que acredito que o Brasil vai ganhar a Copa do Mundo

Brasil!, tan tan tan, Brasil!

Endrick Felipe Moreira de Sousa (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

O maior evento do esporte mais popular do mundo começa nesta quinta (11). É a sexta Copa do Mundo que assisto, embora já estivesse vivo – provavelmente sendo nanado – na conquista do penta em 2002 e no fracasso dos galáticos de 2006.

A primeira Copa que me traz vívidas recordações, no entanto, é a de 2010. Lembro-me de comemorar o gol do Tshabalala, da África do Sul, contra o México no jogo de estreia. De maldizer o Felipe Melo e o Júlio César na eliminação do Brasil para os Países Baixos. De torcer para a Espanha na final e vibrar com o gol do Iniesta na prorrogação.

Em 2014, já adolescente e ainda sonhando ser jogador de futebol, vi e vivi o maior sentimento coletivo de patriotismo já compartilhado neste país ruindo assim que a Alemanha fez o terceiro gol com Toni Kroos logo no vigésimo quarto minuto de jogo.

O trauma do 7×1 em casa tampouco acabou com a esperança do hexa na copa seguinte. Em 2018, mais confiante que nunca, com Neymar e outros craques no auge, assisti à frustrante eliminação para a Bélgica. Outra vez um gol contra de um volante, como em 2010. Desta vez o infeliz foi o Fernandinho.

Por fim, em 2022, adulto e com outras responsabilidades, entendendo melhor as significações políticas de um torneio como este, tratei a Copa do Catar com algum desdém. Os estádios do país-sede foram construídos à base de trabalho análogo à escravidão; pouco tempo antes da competição, Neymar declarou voto em Bolsonaro fazendo uma dancinha burlesca; a camiseta da seleção representava, a esta época, qualquer outra coisa que futebol, etc.

Ainda assim, uma vez que o Brasil pisou no gramado, passei a torcer para a seleção canarinho como em todas as outras copas. E mais uma vez sofri (sofremos?) uma eliminação. Por detalhes, como foi em 2010 e 2018.

Por que acredito que o Brasil vencerá a Copa do Mundo de 2022

Desnecessário falar de todos os motivos para boicotar uma copa que ocorre majoritariamente nos Estados Unidos da América. E não é preciso ser nenhum especialista para afirmar que esta geração, embora comandada pelo vitorioso Carlo Ancelotti, é das mais fracas de todas as copas aqui mencionadas.

Anteontem, enquanto caminhava pelo Centro de Guarapuava, vi uma família saindo de uma loja carregando diversos apetrechos com a bandeira nacional estampada. Camisetas, bandeirinhas, bonés, apitos, entre outros. Acompanhadas dos pais, duas crianças, de uns cinco anos, caminhavam até o terminal de ônibus cantarolando “Brasil!, tan tan tan, Brasil!”. Essas crianças, assim como eu em 2006, talvez nem se recordem da Copa do Mundo de 2026.

No mesmo dia, revi lances das eliminações recentes do Brasil. Revoltei-me novamente. Aspirantes a heróis que passaram a vilões porque uma bola cruzou ou não uma linha. A carreira eternamente marcada de um jogador porque fez isso e não aquilo. A alegria catártica de milhões de pessoas interrompida em questão de minutos.

Também no mesmo dia, assisti a diversos vídeos de multidões em Bangladesh estampando e festejando a seleção brasileira com outdoors, cânticos e passeatas, sem razão aparente que não a paixão pelo esporte.

O futebol exige mesmo uma paixão irracional. Completamente compreensível quem não a sente, ou escolhe não a exercitar. Eu mesmo, há poucas semanas, dava a mínima para os jogos da seleção: o fado desta geração não me parece melhor do que nenhuma das anteriores.

Mesmo assim, pessoas se mobilizam, pintam ruas, penduram bandeiras, fazem projeções e análises, depositam esperança nos pés de um grupo de homens que pouco interessariam se não fizessem o que fazem, que é jogar bola.

Eu, não mais racional que qualquer uma dessas pessoas, também acredito que o Brasil vai ganhar a Copa do Mundo de 2026. Por quê? Não sei.

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 thiagodeoliveirajor@gmail.com

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