22/08/2023
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Osni Santos: o guitarrista que virou fantasma do rock, mas nunca parou de tocar

De fantasma do rock a Maquinária reativada, Osni Santos carrega décadas de cena guarapuavana sem nunca ter conseguido parar

Osni com Orlando Silva, apresentador do videocast 'Raízes Sonoras' (Foto: Reprodução/Raízes Sonoras)

Osni Santos tem 56 anos, trabalha como arte-finalista e carrega uma definição própria para o que se tornou ao longo do tempo: “um fantasma do rock”. A frase é dele, dita com bom humor, mas esconde uma trajetória densa. De quem desbravou a cena do rock em Guarapuava quando não havia palco, pedal de efeito nem espaço para tocar, e que mesmo assim nunca conseguiu parar.

A relação com a guitarra começou no momento em que ele viu uma pela primeira vez. “Desde a primeira vez que eu vi uma guitarra na vida, eu fiquei fascinado e quis aprender, quis tocar, quis compor.” O que ele perseguiu, porém, não foi o virtuosismo. “É o amor pelo instrumento mais do que o virtuosismo”, define. Queria ser um grande guitarrista, mas o que ficou foi algo diferente, e talvez mais duradouro.

DA MAQUINÁRIA AO FACE OF THE CREATION

Osni passou pela Maquinária, banda que considera o centro da sua história musical, antes de fundar o The Face of the Creation — época em que o encontro com Orlando Silva, mediador do Raízes Sonoras, aconteceu. A saída da Maquinária veio de uma divergência de rumo: ele queria continuar no heavy metal de raiz, outros integrantes queriam ampliar o estilo. “Eu queria continuar nessa linha. Aí os caras queriam diferente e tal.” A banda mudou de nome, e Osni seguiu com o The Face of the Creation.

Mas é pela Maquinária que o orgulho fala mais alto. Os clipes das músicas Conversa Fiada e Nada Será em Vão, disponíveis no YouTube, são o que ele aponta como o destaque de tudo que fez ao longo da carreira.

XEROX, CORREIO E UMA APRESENTAÇÃO POR ANO

Produzir rock em Guarapuava nos anos 1980 e 1990 exigia criatividade logística. Para conseguir discos, era preciso ir a Ponta Grossa ou Curitiba. Para divulgar shows, a comunicação entre bandas era feita por carta. Fotos da banda, histórico datilografado e xerocado eram enviados pelos Correios. Os cartazes eram montados na tesoura e na cola, e muitas lojas recusavam pregá-los na vitrine.

Os espaços para tocar eram escassos. “A gente tocava uma vez por ano na exposição, quatro, cinco músicas. E quando a gente queria se apresentar, a gente produzia os nossos próprios eventos.” Foi nesse contexto que Osni, Serginho da Matta e outros nomes da época desbravaram a cena local. “A gente sai da música, mas a música não sai da gente. Eu nunca consegui parar.”

GUARAPUAVA HOJE. E O QUE VEM PELA FRENTE

Sobre a cena atual, Osni é enfático: Guarapuava não deve nada a ninguém. “Eu tenho um certo orgulho de falar isso, porque eu vi numa época em que não existiam músicos tão bons. Hoje tem caras muito bons, estúdios, escolas, programa de TV. Evoluiu muito.”

E ele mesmo quer ser parte desse movimento. A Maquinária voltou a ensaiar. Há músicas gravadas em casa que ainda não foram divulgadas. Há planos de produzir material novo. “A gente quer produzir alguma coisa nova, música nova, alguma coisa assim.” O fantasma do rock, ao que parece, assombra ainda com regularidade.


Osni Santos é convidado do primeiro episódio de Guarapuava em Frequência — Raízes Sonoras da Terra. O projeto, financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, tem estreia prevista para junho ou julho, com exibição nas redes do Portal RSN e no perfil do projeto no Instagram.

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Redação

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