22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

O alerta veio de um documento invisível

Caso ganhou repercussão e envolve o presidente do PT, deputado Arilson Chiorato, abre debate sobre o uso responsável da inteligência artificial em documentos oficiais

Arilson Chiorato (Foto: Ascom parlamentar)

A inteligência artificial já faz parte da rotina de empresas, governos e instituições. Mas, quando utilizada sem os devidos controles, pode criar situações que vão muito além da inovação. Foi o que ocorreu em um caso que ganhou repercussão nacional ao envolver o presidente estadual do PT no Paraná, deputado Arilson Chiorato.

Conforme diz o Tribunal de Contas do Paraná, uma petição apresentada em uma ação contra o programa ‘Olho Vivo’ continha comandos ocultos. De acordo com o Tribunal, destinava-se a influenciar a inteligência artificial utilizada na triagem processual, atribuindo prioridade máxima ao caso. Os mecanismos de segurança impediram qualquer interferência e a distribuição ocorreu normalmente. Conforme informações, a tentativa teria como destino o tio de Rqueião Filho.

Arilson Chiorato e o advogado dele afirmam que desconheciam a existência dos comandos invisíveis. Negm, portanto, qualquer participação em uma tentativa de manipular o procedimento. A manifestação deve ser considerada, mas a apuração continua necessária para esclarecer quem elaborou, revisou e autorizou o protocolo do documento.

Mais do que um episódio isolado, o caso revela um desafio que passa a fazer parte da realidade das instituições públicas. À medida que a inteligência artificial é incorporada aos processos administrativos, cresce também a necessidade de transparência, responsabilidade e mecanismos capazes de impedir que novas tecnologias sejam utilizadas para comprometer a confiança nos procedimentos oficiais.

OAB E TCE INVESTIGAM

O episódio vai além de um embaraço tecnológico. Ele expõe uma nova fronteira dos riscos institucionais. Se ontem a preocupação tinha os olhos vivos com documentos falsificados, hoje o desafio inclui mensagens escondidas, invisíveis aos olhos humanos. Mas, porém, capazes de conversar diretamente com sistemas de inteligência artificial. A tecnologia mudou. A responsabilidade continua sendo inteiramente humana.
A OAB-PR e o TCE investigam o caso. Fraudes semelhantes com IA no meio jurídico já geraram punições por má-fé e multas em outros estados e tribunais superiores.

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Cristina Esteche

Jornalista

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