22/08/2023
Blog da Cris Guarapuava Política

Mulheres miram Brasília enquanto Guarapuava ainda entrega o poder aos homens

Três mulheres querem a Câmara Federal e outra integra chapa ao Senado, mas a presença feminina ainda está longe de ocupar o centro das decisões do município

Janaina, Cristina Silvestri, Terezinha Daiprai, Cris Wainer (Foto: divulgação de gabinetes parlamentares e redes sociais/montagem: Nana Felchak/RSN)

Guarapuava tem mulheres na política. O que ainda falta é vê-las, com a mesma frequência, no centro do poder. A eleição de 2026 deixa essa contradição ainda mais evidente. Até agora, três mulheres do município miram diretamente a Câmara Federal, enquanto outra vereadora ocupa espaço em uma chapa ao Senado. Elas querem Brasília. Por aqui, porém, a fotografia do comando político continua essencialmente masculina.

Cristina Silvestri, do PP, entra na disputa com a maior estrutura eleitoral entre elas. Depois de três mandatos na Assembleia Legislativa, decidiu buscar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, o filho, Cesar Silvestri Filho, prepara o retorno à Alep. A dobradinha é politicamente eficiente: troca-se o endereço dos mandatos, mas mantém-se o grupo presente tanto em Curitiba quanto na corrida por Brasília.

Terezinha Daiprai, do PT, também não chega apenas para preencher espaço em nominata. Nas últimas eleições nacionais, foi a candidata a deputada federal mais votada dentro de Guarapuava. Agora, novamente em campanha, tenta provar que o voto conquistado no município pode ultrapassar suas fronteiras. Terezinha pode enfrentar resistência política e ideológica, mas já mostrou algo que costuma ser decisivo numa eleição: tem eleitor.

Cris Wainer segue por outro caminho. Também vereadora pelo PT, passou a integrar como suplente uma chapa ao Senado. Não é uma candidatura titular e isso precisa ser colocado na medida correta. Ainda assim, sua presença numa composição majoritária demonstra que as mulheres de Guarapuava começam a entrar em mesas políticas que, durante décadas, foram ocupadas quase exclusivamente por homens.

Janaína Naumann completa o grupo das que tentam alcançar Brasília. Biomédica e presença recorrente nas últimas disputas eleitorais, volta às urnas buscando uma cadeira na Câmara Federal. Ainda precisa transformar exposição eleitoral em musculatura política, mas a insistência dela também revela uma mudança. Mulheres que antes apareciam pontualmente nas eleições começam a construir trajetórias próprias e a reivindicar permanência no jogo.

O PROBLEMA

O problema é que candidatura feminina não é sinônimo de poder feminino. Guarapuava consegue produzir mulheres dispostas a disputar Brasília, mas ainda tem dificuldade para colocá-las no primeiro escalão das decisões políticas da própria cidade. Elas pedem votos, carregam bandeiras, compõem chapas e ajudam partidos a cumprir estratégias eleitorais. Na hora de dividir efetivamente o poder, contudo, a mesa continua com muito mais homens do que mulheres. Talvez o desafio já não seja convencer as mulheres a entrar na política. Seja convencer a política de Guarapuava a sair das mãos dos mesmos de sempre.

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Cristina Esteche

Jornalista

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