22/08/2023
Brasil Em Alta Política

Kassab e Alcolumbre mexem no tabuleiro político nacional

Declaração contra Flávio Bolsonaro e avanço de pautas de Lula no Senado revelam movimentos estratégicos às vésperas do início da campanha

Gilberto Kassab e Davi Alcolumbre (Foto: José Cruz/Agência Brasil; Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

Duas decisões políticas, aparentemente distintas, produziram o mesmo efeito nestes dois últimos dias. Trata-se de duas pautas que alteraram o tom da disputa nacional. Nessa quinta (13), Gilberto Kassab (PSD) atacou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), enquanto Davi Alcolumbre reabriu pautas estratégicas para Lula (PT).

A declaração de Kassab tem peso eleitoral porque ele integra a chapa de Ronaldo Caiado como candidato a vice. Ao dizer que Flávio Bolsonaro tem “zero” chance de vencer, o presidente do PSD não apenas faz uma aposta. Ele tenta delimitar o espaço da direita que pretende ocupar.

O movimento também beneficia Caiado. Kassab sustenta que a desistência de outras candidaturas do Centrão ampliou o tempo de televisão da chapa. Disse, também, que os partidos do Centrão “deram um presente” ao Caiado ao abrirem mão de candidatura porque deram mais tempo de TV aos presidenciáveis.

De acordo com ele, Caiado saltou de 50 segundos para quase 2 minutos e 20 segundos. Isso muda a capacidade de comunicação da campanha. Kassab previu ainda que Flávio Bolsonaro deve sofrer desgastes após o início oficial da campanha:

Na hora em que o jogo começar, em que o PT mostrar quem é o Flávio, as pessoas no entorno dele, ele vai desabar.

No Senado, Alcolumbre produz outro movimento relevante. Depois de reuniões com Lula, nesta quinta (14), encaminhou para as comissões três prioridades do governo. Entre elas está a proposta que trata do fim da escala 6×1, tema com forte apelo social.

IMPLICAÇÕES

Aqui está a parte mais política da decisão: Alcolumbre não colocou as propostas imediatamente em votação. Ele destravou a tramitação, mas deixou claro que os projetos seguirão o rito normal. Na prática, abre a porta sem assumir o compromisso de acelerar a chegada ao plenário.

Ainda assim, o gesto importa. A escala 6×1 pode se transformar em uma das pautas eleitorais mais fortes de 2026. Lula ganha a oportunidade de apresentar uma agenda social, enquanto Alcolumbre demonstra que a relação institucional com o governo voltou a funcionar.

Os dois movimentos também ajudam a revelar o reposicionamento do Centrão. Kassab declara preferência por Lula, enquanto Alcolumbre recoloca prioridades do governo na pauta do Senado. Nenhum dos dois movimentos garante apoio eleitoral definitivo, mas ambos enfraquecem a ideia de neutralidade.

E há uma coincidência difícil de ignorar: os movimentos acontecem às vésperas do início oficial da campanha. Kassab tenta ocupar espaço no centro da disputa presidencial. Alcolumbre reorganiza a agenda legislativa. No tabuleiro nacional, portanto, as peças começaram a se mover antes mesmo de a campanha começar oficialmente.

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Cristina Esteche

Jornalista

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