22/08/2023

Pôr do sol vira portal para lendas guarapuavanas em espetáculo teatral

Peça 'Entre o Dia e a Noite' estreia nesta terça (25) no Teatro Municipal. Sessões são gratuitas, mas ingressos são limitados

(Foto: Reprodução/@zanondoug no Instagram)

O ator e diretor Douglas Zanon sobe ao palco do Teatro Municipal Marina Karam Primak nesta terça (25) e na quarta (26), às 19h30, com o monólogo “Entre o Dia e a Noite”. A peça nasce de um projeto contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc e cruza lendas guarapuavanas com a experiência mais simples e recorrente da vida de Zanon: observar o pôr do sol.

“Eu sou apaixonado pelo pôr do sol. Todo lugar que eu vou, eu assisto o pôr do sol”, conta o ator, que assina a produção e a dramaturgia ao lado de Samuel Linhares. Foi esse hábito que deu forma ao espetáculo. “É um lugar onde o tempo suspende. Tudo parece diferente do que realmente é. É uma sensação de fechar algo, mas de iniciar outra coisa”, descreve.

Capa do flyer de divulgação de ‘Entre o Dia e a Noite’

AS LENDAS COMO POSSIBILIDADE

A peça reúne referências que atravessam gerações de guarapuavanos: a serpente da lagoa, o soldado degolado, São João Maria. Zanon lembra que essas histórias chegaram até ele por tradição oral, contadas por sua mãe e por seu pai. No palco, ele propõe outro olhar sobre elas.

“Essas lendas não são assombrações ou espíritos, mas sim possibilidades. É a nossa história dita no agora — o que essa lenda diria, qual é o avesso dela”, explica. A pergunta que guia a montagem, segundo ele, é simples: e se a serpente estivesse aqui, o que ela diria? E o soldado que desertou, o que foi tão forte a ponto de fazê-lo arriscar a própria vida?

A encenação é assinada por Laís Marques, mestre em artes da cena pela USP e doutoranda em artes cênicas, com quem Zanon já desenvolve trabalhos há algum tempo. Juntos, os dois apostam num teatro minimalista. “Um ator, um público, um espaço, um jogo cênico muito estudado, muito pesquisado. É simples, mas não é simplista”, diz o ator.

FICHA TÉCNICA QUASE TODA GUARAPUAVANA

Zanon destaca que, apesar de ser um monólogo, o espetáculo é resultado de um trabalho coletivo, com nomes majoritariamente da cidade: Gabriela Oliveira no desenho de luz, Lily Horst na operação de som, Samuel Linhares nos criativos, fotos e vídeos, além das participações especiais de Dody Sanman, Henrique Dubiela, Marcio Ramos e Sissa Carol.

“Foi algo escolhido a dedo. A luz precisa lembrar um pôr do sol, então precisa ser muito bem pensada. E a Lily, na sonoplastia, tem uma sensibilidade de entender o que a gente fala sem precisar explicar duas vezes”, afirma.

A peça também leva em conta públicos que costumam ficar de fora do teatro convencional. A sessão de quarta (26) conta com intérprete de Libras, feita pela Sinalize Acessibilidade Linguística, e as duas sessões oferecem abafadores de ruído para pessoas neurodivergentes com sensibilidade auditiva.

CONVITE A QUEM NUNCA FOI AO TEATRO

Para Zanon, parte da missão do espetáculo é aproximar quem nunca pisou num teatro. “Tenho ouvido muito as pessoas dizerem: eu nunca fui ao teatro, mas vou assistir à sua peça. Isso é uma alegria, porque a gente sabe da necessidade de formar um público teatral em Guarapuava”, diz.

Ele resume o que espera provocar na plateia com uma comparação: “Costumo dizer que é um alimento para a alma. É um banho de cachoeira bem gelado, que revigora.”

Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados pela plataforma Simpla, com link disponível no Instagram oficial @entreodiaeanoite ou no perfil pessoal do ator, @zanondoug. O espetáculo tem cerca de 50 minutos de duração.

SINOPSE

Quando a luz do dia se despede, Guarapuava suspende o tempo. Entre o Dia e a Noite é uma cartografia cênica do céu ao chão, iluminando as histórias que atravessam os guarapuavanos. Na travessia até o silêncio da noite, as cenas dão passagem aos mitos e afetos desse território: a serpente adormecida sob a catedral, as mulheres que se fizeram invisíveis para sobreviver, o desejo de vida de um soldado esquecido e a infância do guerreiro Guairacá antes da profecia. Entre a física da luz e a presença em cena, a peça é um convite para escutar o que a terra diz quando paramos para ouvi-la.

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 [email protected]

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