22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

Debate expõe guerra interna pelo segundo voto ao Senado no Paraná

Com duas vagas em disputa, confronto mostrou que a batalha eleitoral não opõe apenas direita e esquerda, mas candidatos do mesmo campo em busca do voto decisivo

Candidatos ao Senado pelo Paraná (Foto: reprodução/ Band)

O debate desta quarta (9) na Band desmontou uma ilusão confortável sobre a disputa pelo Senado no Paraná: a eleição não será decidida apenas entre direita e esquerda. Com duas vagas em jogo, o adversário mais perigoso pode estar no mesmo palanque ideológico, disputando o mesmo eleitor e, sobretudo, o mesmo segundo voto.

Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann entregaram o confronto esperado. Lava Jato, governo Lula, segurança pública e velhas feridas políticas voltaram ao centro da arena. Ambos sabem falar para as próprias bases. O problema é que eleição não se ganha apenas com aplauso de convertido. Quem só confirma certezas corre o risco de não ampliar um voto sequer.

Na direita, a disputa é ainda mais interessante. Cristina Graeml e Filipe Barros parecem lutar por um selo de autenticidade conservadora. Cada um tenta provar que representa melhor esse eleitorado. Só que existe um detalhe incômodo: o eleitor paranaense escolhe dois senadores. Atacar demais quem poderia ser o segundo voto é uma estratégia que pode render barulho hoje e prejuízo na urna amanhã.

Alexandre Curi percebeu esse espaço e tentou jogar outra partida, com discurso de gestão, infraestrutura e menos ruído ideológico. Dr. Rosinha também buscou uma postura mais institucional. Não é sinal de neutralidade, mas de cálculo: em uma eleição pulverizada, o candidato que tiver menor rejeição pode valer tanto quanto aquele que tiver a militância mais apaixonada.

SEM VENCEDOR

O debate não produziu um vencedor claro. Produziu algo mais importante: mostrou os limites de cada estratégia. Deltan e Gleisi dependem da polarização; Cristina e Filipe correm o risco de se canibalizar; Curi tenta crescer no espaço deixado pelo excesso de confronto. No Senado, talvez vença não apenas quem for amado por uma parte do eleitorado, mas quem conseguir não ser rejeitado pela outra metade do mesmo campo.

A conta, portanto, é simples e cruel: com duas vagas, o segundo voto pode decidir mais do que o primeiro. E, nesse cenário, quem transformar aliado potencial em inimigo talvez descubra tarde demais que a eleição não premia apenas identidade. Premia também inteligência eleitoral.

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Cristina Esteche

Jornalista

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