CUIDANDO DE CORAÇÕES: O AVANÇO E CONQUISTAS DA HEMODINÂMICA EM 2020

Com procedimentos inéditos, tecnologia e competência, a equipe da
Hemodinâmica do HSV teve um ano de novidades e superação

Sabrina Ferrari

Como cardiologista intervencionista, a maior missão do médico Stefan Wolanski Negrão é oferecer os melhores procedimentos e tratamentos para que o sangue volte a correr pelas artérias e muitas vidas sejam salvas. Vidas essas que antes precisavam de tratamento aos 60, 70 anos, mas que nos últimos tempos também são de jovens de 25, 30 anos. E, é no Centro de Hemodinâmica do Hospital São Vicente que a equipe promove saúde e reduz riscos.

Além de salvar pessoas de Guarapuava, muita gente de toda a Região e até mesmo do estado passa pela sala ampla, cheia de aparelhos e pelas mãos dos médicos capacitados para prover os cuidados no coração, um dos órgãos mais merecedores de atenção em nosso corpo.

(Foto: Sabrina Ferrari/RSN)

Entretanto em 2020, a equipe que compõem o Centro de Diagnóstico e Terapia Cardiovascular teve algumas surpresas. Isso porque, ao lado dos médicos, fizeram procedimentos que são inéditos na cidade e já ocorreram em poucos locais no interior do Brasil. Entre esses está a Oclusão de Forame Oval Patente, Oclusão Percutânea de Comunicação Interatrial e a Oclusão de Comunicação Interventricular. Conforme o cardiologista, a comunicação interatrial é um orifício que comunica o lado direito com o lado esquerdo do coração. “A pessoa nasce com um defeito no septo do coração, e com o passar do tempo se não for tratado ele pode causar complicações como insuficiência cardíaca”.

Stefan explica que há pouco tempo era necessário submeter o paciente a um tratamento cirúrgico e hoje em dia o procedimento é feito de forma menos invasiva. “É implantado uma prótese e pessoa vai para casa no outro dia. Assim, após dois ou três dias ela consegue voltar aos seus afazeres. O processo tem uma segurança e benefício muito grande”.

(Foto: Sabrina Ferrari/RSN)

UM ANO DE MUITO TRABALHO

A atenção, precisão e a competência profissional trazem oportunidades para o médico passar por ‘provas de fogo’. Uma delas deve ocorrer em breve e se chama Troca de Válvula Aórtica. “Esse é um procedimento mais comum em pacientes idosos. Antes, todos iam para cirurgia, mas hoje é possível escolher se preferem fazer a cirurgia a ‘céu aberto’ ou fazer por catéter. Nós estamos nos preparando para fazer um desses procedimentos em Guarapuava”.

(Foto: Sabrina Ferrari/RSN)

(Foto: Sabrina Ferrari/RSN)

(Foto: Sabrina Ferrari/RSN)

(Foto: Sabrina Ferrari/RSN)

Também neste ano de muito trabalho, Stefan recorda que utilizou uma técnica chamada Rotablator. “Poucos pacientes são submetidos a esse tratamento, é em casos muito específicos, menos de 0,2% das Angioplastias feitas no mundo utilizam essa técnica e a gente fez aqui. É um catéter que na ponta possui uma oliva de diamante e gira a 120 mil rotações por minuto. Esse procedimento é utilizado em artérias coronarianas calcificadas. Ou seja, quando não conseguimos fazer uma angioplastia comum, usamos esse catéter. Aqui em Guarapuava foi um sucesso, um excelente processo. Foi a primeira vez que fizemos e foi muito diferente e importante para mim”.

Na hemodinâmica a equipe também realiza Ultrassom Intracoronário e Fluxo Fracionado de Reserva do Miocárdio (FFR), exames utilizados para auxiliar a conduta em lesões moderadas e dessa forma optar pela melhor forma de tratá-las.

Foi um ano de muitas conquistas, inovações, procedimentos e tudo no meio de uma pandemia. Nós fizemos coisas inéditas. Foi para mim uma realização pessoal, todos os procedimentos feitos com sucesso, toda a equipe foi um sucesso.

E, mesmo em meio a pandemia de covid-19 o trabalho na hemodinâmica não para. A equipe precisa estar atenta 24h nos sete dias da semana. Isso porque a afirmação que o cardiologista fez durante a entrevista deve servir de alerta para todas as pessoas: não há hora para infartar e essa é a doença que mais mata pessoas no mundo.

É PRECISO PROCURAR AJUDA!

O cardiologista intervencionista Geraldo Barbosa também deu ênfase várias vezes a necessidade de prevenção. Neste ano, até o dia 5 de dezembro, mais de 375 mil pessoas morreram de doenças cardiovasculares no Brasil. Nos cinco primeiros dias de dezembro, mais de cinco mil pessoas perderam a vida e naquele dia até às 17h, 787 pessoas morreram.

Sobre o perfil dos pacientes, Stefan comenta que atende mais homens que mulheres, já que eles acabam sofrendo mais com doenças coronarianas. No entanto, o infarto nas mulheres é mais grave e difícil de ser tratado. “As mulheres têm artérias que são 30% mais finas que as dos homens e infelizmente a demora em procurar o atendimento dificulta a recuperação após infarto”. E se a pergunta é qual o primeiro sintoma? A resposta é: muitas vezes o próprio infarto. “A pessoa tem uma dor súbita no peito, seguida de mal estar, sudorese e as vezes falta de ar e náuseas.  O infarto é fatal em 50% dos casos, por isso precisamos falar sobre a importância da prevenção. Se você tem histórico na família, se fuma, se tem diabetes, é obeso, sedentário, tem hipertensão, não pode perder tempo, precisa ir ao médico”.

Procure o seu clínico geral, procure seu cardiologista. Se você tem mais de 40 anos, você precisa fazer alguns exames que irão fornecer um parâmetro sendo possível calcular o risco dos próximos cinco anos.

TECNOLOGIA, INOVAÇÃO E PARCERIAS

(Foto: Sabrina Ferrari/RSN)

A tecnologia é uma das maiores aliadas da medicina. Mas, mesmo as máquinas de última geração precisam passar por upgrade. Na hemodinâmica, a cada seis meses uma equipe especializada faz a manutenção para atualização. E, para Stefan, a área médica assim como o homem, evolui. “Se você não tem tecnologia de ponta está atrasado em relação à medicina e nós precisamos oferecer o melhor tratamento”. Aos olhos do profissional, a troca de experiências com os colegas também é fundamental para que a ‘máquina humana’ sempre siga atualizada.

(Foto: Sabrina Ferrari/RSN)

(Foto: Sabrina Ferrari/RSN)

Por fim, outro ponto importante é que médicos residentes em Cardiologia e de Clínica Médica podem realizar o estágio optativo no serviço de hemodinâmica. De acordo com Stefan, a Unicentro é parceira do setor e isso dá abertura para que os alunos e médicos residentes conheçam como é o trabalho no Centro de Referência em Alta Complexidade em Cardiologia.

Hospital São Vicente de Paulo, rua Marechal Floriano Peixoto, 1059, Centro

Entre em contato: (42) 3035-4499