Ainda sobre o egoísmo!

Hoje o prefeito de Guarapuava, Cesar Filho, retornou às redes sociais. Foi chamar a população à responsabilidade para fazer a sua parte

(Imagem: Pixabay)

Hoje o prefeito de Guarapuava, Cesar Filho, retornou às redes sociais para impor novas medidas restritivas. A iniciativa tem um único objetivo. Ou seja, chamar a população à responsabilidade de fazer a sua parte. Afinal, mais do que nunca é preciso saber que cada vez que coloco a minha vida em risco, não o faço só pra mim. Estou colocando em risco a vida de outras pessoas. Daquelas com quem convivo diariamente.

Entretanto, a julgar pelo comportamento humano – e também faço aqui a ‘mea culpa’ – está difícil de entender que o nosso inimigo, desta vez, é invisível, sorrateiro. Chega a ser implacável. Ao mesmo tempo que despertou em nós o medo, nos deixou iguais. O mesmo mal que poderá me atacar, também paira sobre a cabeça daquele que reside nas casas mais sofisticadas. Ou nos barracos mais miseráveis que se penduram em morros, nas favelas.

Falo aqui do coronavírus, ou da covid-19. Uma arma letal que paira sobre as nossas cabeças. Que despertar em nós os sentimentos mais mesquinhos, mais egoístas, sim. Nas últimas horas pude comprovar isso. Quando falo em egoísmo, me refiro ao coletivo. Para os menos entendidos, me refiro ao todo, sem recortes. Assim, sob uma lente ampliada, digo e sem medo de errar, ou de ser alvo de críticas, que somos egoístas sim.

Vamos aos fatos. A partir do momento em que me recorto de uma unidade, me transformando em uma porção, estou olhando para o meu próprio umbigo. Estou me vendo como uma partícula à parte de um universo. Estou sendo egoísta, sim. Estou me preocupando com o ‘meu’ em detrimento do ‘nosso’. E aí me acho no direito de espernear, de tentar defender o meu quinhão. Porém, entendo. É o medo de não sobreviver na luta em meio a uma selva doente.

Entendo também que há a necessidade de nos agruparmos para que a nossa voz soe mais alto, mais forte. Mas entendo ainda mais que essa junção de forças deve ser solidária. E será que depois de tudo isso que estamos passando, ainda não é possível nos despir das vaidades, dos sentimentos de posses? Será que ainda não estamos sofrendo o suficiente para entender que um vírus fez o mundo se recolher. Fez qualquer tipo de poder se tornar pífio? Fez pessoas de várias crenças se unirem numa mesma oração?

Será que ainda não está sendo possível ‘abrir a cabeça’  do ser humano para o entendimento de que não adianta cloroquina ou tomar tubaína (rs) que nada disso vai adiantar? Será que é tão difícil entender o óbvio de que somente a solidariedade vai nos deixar imune à essa doença?

É assim tão difícil entender que as energias cósmicas conspiram para que deixemos de lado a hipocrisia, o individualismo, as interpretações equivocadas e egoístas? É assim tão difícil entender que está na hora de deixar de lado discursos, teorias, para colocar em prática ações solidárias e resilientes?

A julgar pelos últimos acontecimentos é possível perceber que legitimamente, cada um está tentando defender o ‘seu’. Afinal, estamos sendo jogados por ondas de medo e angústia. Estamos nos deparando com a nossa própria solidão. Por isso, mais do que nunca precisamos erguer o nosso olhar para além de nós mesmos. Ver e perceber que ao nosso lado existem pessoas que também dependem dos nossos atos, das nossas ações. Só assim, o egoísmo, esse vírus social que sacia a fome voraz dessa tal de covid-19, poderá padecer.

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Não é hidroxicloroquina ou cloroquina

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