Aos 38 anos, Turvo desvenda uma riqueza com potencial turístico ímpar

A natureza brinda o Turvo com paisagens de tirar o fôlego. E a força de um povo trabalhador se destaca e se une a uma gestão agora promissora

Aos 38 anos, Turvo desvenda uma riqueza com potencial turístico ímpar (Foto: Reprodução/Cities)

Distante cerca de 40 quilômetros de Guarapuava, percorrendo a PR-466, está Turvo, um município próspero que nesta terça (12) comemora 38 anos de emancipação política. Embora sejam escassas as referências históricas encontradas a respeito dos povoadores e da evolução econômica e social do município, a história mostra que seus primeiros moradores dedicaram-se à agricultura e a pecuária.

Porém, o trabalho árduo nas lides campeiras, contribuíram para o rápido crescimento e desenvolvimento do povoado, então situado no município de Guarapuava.

(Foto: Gralha Azul)

Assim, em pouco tempo, surgiram residências, casa de comércio e escolas, provocando o desmembramento. Conforme pesquisa no site ‘Dia a Dia da Educação’,  Turvo teve o desbravamento iniciado em meados do século XVIII.

Entretanto, o processo de colonização foi a partir do século XIX. Assim, foram famílias que fizeram requerimentos de terras (registro), junto ao Estado. Criado através da Lei Estadual nº. 7.576 de 12 de maio de 1982, foi instalado oficialmente em 1º de fevereiro de 1983, e desmembrado de Guarapuava.

(Foto: Gralha Azul)

ORIGEM DO NOME

Em relação ao nome, duas versões dividem essa origem. Parte da história conta que paulista Antonio Leonel Ferreira, fugia da Revolução Federativa de 1893. Assim, refugiou-se nos sertões do Paraná, passou pela localidade e achou que o rio que cortava o Faxinal era parecido com o rio de sua cidade “São Pedro do Turvo”.

Surge então o nome do Rio Turvo ou Localidade de Turvo. Outra versão atribuiu o nome a cor escura das águas do rio, em cujas margens se estabeleceu a povoação.

ECONOMIA

Historicamente, sua economia se caracterizava pela exploração da madeira e erva-mate nativas, sendo a agricultura praticamente de subsistência e as terras não tinham valor. Entretanto, a vocação da maior parte dos moradores valorizou as terras e tornou o município pujante.

Conforme o último censo do IBGE,  a população estimada é de 13.340 habitantes. Porém, mais de 60% dos moradores estão na zona rural. Isso contribui para que a economia do município seja ancorada na agricultura, com plantações de milho e soja, além da pecuária de corte e leiteira. Destaca-se ainda a extração de erva-mate, indústria madeireira e o turismo.

(Foto: Divulgação)

A NATUREZA IMPÁVIDA

Nesse setor, percorrer o interior de Turvo é deparar-se com paisagens de encantar os olhos e já garantir o retorno por aquelas paragens. Dono de uma das maiores reservas nativas de pinheiro do Paraná, Araucaria angustifolia, na Região Central do Paraná, o solo fértil garante a brota a cada estação.

O comércio, por exemplo, está organizado na Associação Comercial e Empresarial de Turvo. Sindicatos patronais e de trabalhadores também têm espaço delimitado no município. Assim também com o desenvolvimento de projetos de apoio nas mais diversas áreas da administração municipal, hoje sob a regência do prefeito Jerônimo Gadens do Rosário.

(Foto: Portal RSN)

Assim, nos últimos ano há um divisor de águas visível entre o que é o Turvo hoje.

Trabalhamos de maneira correta, honesta e transparente para melhorar a qualidade de vida da nossa população. Mesmo em tempos difíceis estamos trabalhando para preservar a integridade das famílias turvenses.

(Foto: Gralha Azul)

TURVO DE TODAS AS CORES

E é com essa mesma disposição que Turvo acolhe em seus braços uma diversidade cultural ímpar. Entremeados numa mata, rica e linda por natureza, a terra é povoada pelos indígenas, que hoje habitam a Reserva Indígena Marrecas.

Também é representada por uma das mais antigas comunidades tradicionais, a Comunidade Quilombola Campina dos Morenos.

(Foto: Gralha Azul)

De acordo com a Gralha Azul Turismo de Aventura, além dos povos originários e afro-brasileiros, imigrantes europeus vindos de outras cidades da Região como Imbituva e Prudentópolis povoaram a pacata vila.

“Até então o local levava a alcunha de Sertões Desconhecidos, placa estampada na grande estrada de terra por onde circulavam os carroções”.

REDE CORPORATIVA

Atualmente, muitas destas famílias que compõem a história local fazem parte da rede colaborativa de turismo Gralha Azul. O projeto é um dos únicos do Paraná a ter uma organização que une jovens idealizadores e comunidades tradicionais. Todos trabalham e ganham juntos.

Lançada em novembro de 2018, a iniciativa completou um ano e dois meses de atendimento atingindo a marca de 2.288 atividades. Estas são distribuídas entre as 16 opções que incluem esportes de aventura, trilhas ecológicas, vivências rurais e vivências culturais.

(Foto: Gralha Azul)

Conforme o publicitário Maurício Pilati, um dos gestores da Gralha Azul, para estes visitantes, foram servidas 2.318 refeições típicas dentre as 10 culinárias oferecidas pela rede. Todas as refeições, preparadas nas estruturas das propriedades rurais usando as receitas caseiras.

Conforme Maurício, a principal procura tem sido do público regional, em destaque, da capital do Estado. Seguindo um ritmo de crescimento e visibilidade, o mês de janeiro de 2020 alcançou o maior número de visitações dentre todo o tempo de operação.

“Quem lidera o espírito aventureiro são as mulheres, representando 61,5% do público recepcionado”.

(Foto: Gralha Azul)

ECONOMIA CIRCULAR

De acordo com a formanda em Jornalismo, Camila Maciel que atua no projeto, o objetivo é valorizar as manifestações culturais que compõem a identidade local. Além disso, gerando renda para as pessoas do campo e comunidades vulnerabilizadas.

“Uma modalidade de economia circular onde cerca de 3/4 do total arrecadado com os roteiros teve como destino as famílias parceiras e jovens rurais colaboradores que atuam como guias e organizadores”.

Além desse montante, o comércio local é alimentado em outras porcentagens fora das estatísticas. São artesanatos, produtos coloniais, saúde, transporte e outros serviços adicionais de lucro integral às comunidades.

(Foto: Gralha Azul)

“A proposta une o conceito de turismo colaborativo e a possibilidade de equilibrar o interesse turístico, distribuindo nos pacotes e eventos abertos roteiros diversificados, onde as famílias cooperam para que uma possa se beneficiar com o sucesso da outra, enquanto os organizadores são responsáveis pela comunicação, organização e logística de atuação”.

PROSAS DA GENTE

(Foto: Gralha Azul)

Falar em Turvo no dia em que o município comemora 38 anos, é citar uma cidade em crescimento que encontra nos jovens o reconhecimento de um passado fértil para semear novas ideias. Assim, um dos exemplo é o fotolivro ‘Prosas da Gente’, idealizado pelo publicitário Maurício Pilati e lançado nesta terça (12), como um presente à história do município.

Um centenário de memórias, com quase quatro décadas de independência e muitos anos de prosperidade ainda por vir. Nas Prosas da Gente, encontramos lembranças de uma aventura que ainda está sendo escrita, a cada dia com mais coragem, a cada dia mais bonita. Um feliz e próspero aniversário à Capital dos Pinheirais.

E TEM MUITO MAIS

Queda de água tem 196 metros e é a maior do Sul do Brasil (Foto: Arquivo/RSN)

Turvo é realmente um município que surpreende e que precisa ser conhecido. Berço do exuberante Salto São Francisco, maior queda d’água da Região Sul do Brasil, compartilhado com os municípios de Guarapuava e Prudentópolis, lá a natureza se esbalda.

São muitas as cachoeiras, cavernas, sítios arqueológicos. Todavia, se o turista está buscando uma festa animada com muita descontração e cultura, a Olimpíada Rural não pode faltar no roteiro de viagens. Promovida anualmente no mês de setembro, a competição ganha a cada edição fama e prestígio no Paraná, segundo observa o ‘Viaje Paraná’, site do Governo do Estado.

Equipe cumpre uma das provas das Olimpíadas Rurais (Foto: Reprodução/YouTube)

Na ocasião, os produtores rurais do município participam de diversas atividades como pega porco no barro, corrida de carrinho de mão, debulha de milho, pega frango, corrida do saco e corte do tronco.

Além de se divertirem assistindo as provas, o visitante pode ainda conhecer a produção local e comprar produtos na Expo Turvo, evento que ocorre paralelamente a olimpíada.

(Foto: Gralha Azul)

Porém, o roteiro apresenta outras opções. O Museu Adolfo Eurich, Museu Casa Gabriel e Luiza Pilati, e o Acervo Bettega reúnem nos patrimônios documentos, fotos, artigos e objetos que remetem aos imigrantes desbravadores da Região.

(Foto: Gralha Azul)

Agora se a ‘vibe’ for os esportes radiciais as águas e matas de Turvo são ambientes propícios à prática de rapel, boia cross, ‘aquatrekking’ e ‘paratrik.

(Foto: Gralha Azul)

Entretanto, unindo história e religiosidade, as mais de 55 igrejas e capelas de Turvo compõem um roteiro de turismo religioso, com templos de remontam há mais de 70 anos. Há também um calendário de festas religiosas para as mais diversas profissões de fé.

HORA DO RANGO

(Foto: Gralha Azul)

Porém, é possível encontrar ainda pizzarias, lanchonetes e restaurantes com pratos de culinária holandesa (sopa de ervilha), ucraniana (pirogue), tropeira (arroz carreteiro com charque). A comida quilombola  oferece a galinha caipira, e a etnia  guarani, vem com o Ka’i Repoxi, ou seja: milho socado no pilão e hidratado, assado na taquara.

Além dos pratos a base de peixes feitos nos pesque-pagues da cidade. Portanto, seja bem-vindo a Turvo!

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