Após a estiagem, chuva dá ‘fôlego’ à agropecuária na Região

Técnico do Deral fez estudo sobre a estiagem no Paraná, considerada a maior da história nos últimos anos. Guarapuava foi a Região mais atingida

Após a estiagem, chuva dá ‘fôlego’ à agropecuária na Região (Foto: Pixabay)

A Região de Guarapuava viveu uma piores secas da sua história, sendo a mais afetada no Paraná. Porém, a chuva que caiu nos últimos dias já foi suficiente para a reposição de água. Além disso, melhorou as condições de pastagens, a germinação da aveia-azevém e permite a semeadura dos cereais de inverno como o trigo, e a cevada.

De acordo com o técnico do Departamento de Economia Dural (Deral), Dirlei Manfio, o tempo é também do plantio de mudas de pinus e eucalipto. “Os açudes já têm água para os animais”.

Conforme Manfio, na semana passada foram registrados entre 80 e 120 milímetros de chuva. Entretanto, a previsão é de que novas precipitações ocorram somente em junho. Apesar da situação favorável neste momento, a ocorrência de geadas vem sendo registrada. “São geadas fracas em pontos de baixadas. Ainda não prejudica”.

O Estado do Paraná enfrenta a maior estiagem da história desde que o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) começou a monitorar as condições do tempo, em 1997.

ESTUDO FEITO POR TÉCNICO DO DERAL

Dirlei Manfio, do Deral (Foto: Divulgação)

De acordo com estudo feito pelo técnico do Deral, Dirlei Manfio, na Região Sul, por ser muito grande, houve variação considerável entre as Regionais da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab). Todavia, o volume de chuva na abrangência dos núcleos de Guarapuava, Irati e Laranjeiras do Sul, a média de chuva nos últimos 15 dias foi de 45 milímetros.

Na regional da Seab de Curitiba, a média foi bem inferior, apenas 9 milímetros. Nas outras regionais da Região Sul, a média foi de 20 milímetros para Ponta Grossa e 25 milímetros para União da Vitória.

Até metade de maio de 2020, a Região mais afetada pela seca é a Região Norte, com média de apenas 7 milímetros. Porém, em Nova Tebas, Cambará e Joaquim Távora não choveu. “É bom esclarecer que todas as médias históricas dos últimos 10 anos é do mês inteiro e o comparativo deste relatório para o mês de maio é até o dia 15 deste ano”

De acordo com Manfio, o impacto que a estiagem provocou nos últimos dias foi na semeadura dos cereais de inverno. “Alguns produtores que fizeram o plantio no pó, com a expectativa que iria chover na sequência. Outros estavam aguardando um volume de chuva considerável para poder plantar”.

ESTAÇÃO METEOROLÓGICA DE GUARAPUAVA

De acordo com Manfio, se analisarmos alguns meses independentes, percebe-se que durante a série histórica, até foram registrados em alguns anos, precipitações inferiores ao mesmo mês do ano de 2020. Como exemplo, na estação meteorológica de Guarapuava. Assim, em maio de 2006 choveu 18 milímetros e em 2018, 30 milímetros, durante todo o mês, e agora, em maio de 2020, em 15 dias o registro foi de 49 milímetros.

“O maior agravo neste episódio recente, é a sequência de meses com volumes abaixo da média, que começou em junho de 2019, comprometendo mais ainda o déficit hídrico de toda a cadeia produtiva”.

Rio Jordão em Guarapuava (Foto: RSN)

Segundo ele, neste ano, as nascentes, sangas, açudes, riachos e até mesmo grandes e importantes rios do Paraná sentiram a escassez. Os rios Paraná, Paranapanema e Iguaçu são grandes exemplos. Inclusive as Cataratas do Iguaçu, ficou com vazão muito baixa. No dia 2 de abril de 2020, a vazão do rio Iguaçu representava 17% da média normal das Cataratas.

As baixas precipitações duraram 11 meses até a chuva que caiu na última semana. Levantamento do Simepar apontou que 10 das maiores cidades paranaense, tiveram chuvas bem inferiores à média histórica entre junho de 2019 e abril de 2020.

O que chama a atenção é que o município que apresentou a maior redução nas chuvas de junho/19 a abril/20 foi Guarapuava. Conforme Manfio, na média histórica dos últimos 20 anos, o volume para este período é de 1.691 mm, enquanto que atualmente, choveu apenas 897 mm nesta estação meteorológica, ou seja, redução de 47% da média histórica.

SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Na maior estiagem que se conhece da história do Paraná o governador Carlos Massa Júnior decretou, no dia 7 de maio deste ano,  Situação de Emergência Hídrica, pelo prazo de 180 dias.

A estiagem tem causados sério problemas no sistema de abastecimento de água. Além disso, a Sanepar, empresa responsável pelo abastecimento no estado do Paraná, também lançou uma campanha para conscientizar os paranaenses sobre o uso. O Portal RSN é parceiro.

USO RACIONAL DA ÁGUA

A solução encontrada pela Sanepar neste período é reforçar os abastecimentos das cidades com caminhões-pipa. Com a seca severa, muitos municípios não têm condições de abastecer a população. Esse, por exemplo, foi o caso de Prudentópolis. Numa sexta, 15 de maio, o prefeito Adelmo Klosowski, também decretou estado de emergência.

Além das lavouras da segunda safra, a seca prejudica o abastecimento de água para consumo humano e animal. Existem 44 localidades pelo interior do município e as dificuldades são muitas, desde a longa distância, a não existência de caminhões-pipa para atender esta demanda e a própria escassez de água.

De acordo com o levantamento do Deral, Núcleo Regional de Guarapuava, as perdas provocadas pela seca chegam a 40% para o feijão e 20% para o milho, ambas na segunda safra, em Prudentópolis, que é conhecido nacionalmente como o maior produtor de feijão preto.

Outro fato relevante é o elevado consumo de água, devido à necessidade de maior higienização pessoal e de limpezas mais cuidadosas, devido à pandemia do Covid-19, que vem trazendo várias preocupações em todos os paranaenses.

Conforme Manfio, é importante destacar que a seca meteorológica é uma sequência de dias, com volume de chuva bem inferior da média histórica para o período. Já a seca agrícola envolve a interferência direta nos ciclos das lavouras, com perdas significativas na produção. E a seca hidrológica, se prolonga por meses e representa a perda da capacidade de repor a água que foi perdida. O Paraná está passando por está terceira situação.

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