Autistas precisam de cuidados especiais durante pandemia

“Eu sou diferente, porém, igual aos outros. Sou o que sou, mas posso melhorar, se você me ajudar”, diz Henrique Armstrong

Autistas precisam de cuidados especiais durante pandemia. Henrique veio para Guarapuava (Foto: Arquivo Familiar)

Nesta quinta (2) é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. E em tempos de quarentena em prevenção ao coronavírus, os cuidados com os autistas devem ser redobrados. Isso porque eles fazem parte do grupo de risco.

Assim, por sugestão da irmã Laize, que é medica em Itajaí/SC, os pais de Henrique Armstrong decidiram vir a Guarapuava, que é mais tranquila e com menor risco de contaminação. A família mora em Curitiba, mas possui parentes na cidade.

“Além do Henrique, de 23 anos, a nona de 77 anos, o pai de 60 anos e a mãe de 56 anos têm histórico de bronquite, e precisam tomar todo cuidado neste momento”.

Mesmo em Guarapuava, Henrique não desgruda dos dois companheiros fiéis – Freud, o cão assistente, e Tatá, um hamster. De acordo com ele [Henrique], os dois também fazem parte da família.

O estudante está no 4º ano de Engenharia Mecânica, e tem passado os dias estudando on-line na casa da avó em Guarapuava, por causa da quarentena.

(Foto: Arquivo Familiar)

“Ele faz trabalhos, aulas e claro sempre está na companhia de seu fiel cão assistente Freud”, conta a mãe Rita de Cassia Zborowski Armstrong. E o Portal RSN quis saber dela, como está sendo a quarentena do filho, longe de casa e sem pode sair.

No caso do Henrique – claro que não podemos generalizar -, mas como a maioria do quadro, ele está simplesmente amando tudo isso. O maior desafio do autista é a escola. Relacionar-se. Comunicar-se e concentrar-se nos estudos devido muitas vezes a fatores externos.

Assim, conforme Rita, em tempo de quarentena, não podendo circular, nem frequentando aulas presenciais e nem podendo abraçar ninguém, até mesmo o silêncio pode incomodar. “Ele entra em crise quando uma moto ou carro barulhento passa na rua. Se perguntar para ele do que sente falta, vai falar do shopping e supermercado”.

(Foto: Arquivo Familiar)

Henrique conta que barulho, fogos de artifício, cheiros ou perfumes fortes demais são fatores que incomodam. “Não gosto que falem alto ou que não me deem atenção”. Par ele, agora com a prevenção do coronavírus, não há problema em usar luvas, máscara, quando necessário.

“Ele ama usar, já usava às vezes para sair à rua, porque descobriu que as pessoas se afastam”.

Henrique gosta de acompanhar as novidades sobre economia e politica. Isto sim o preocupa. Ele fala todos os dias a respeito do que pode vir acontecer na economia devido à paralisação.

Mas acredita que haverá solução, já que o Brasil é um país rico. “Porém será necessário haver melhor distribuição de renda, o que é positivo para a humanidade”.

CAPITAL INTERNACIONAL DA INCLUSÃO

Henrique tem participado e aceitado todos os convites para divulgar e lutar pelo Autista. De acordo com Rita, ele não importa se de expor quando é para um bem comum, pois acompanha os milhares de questionamentos e pedidos de ajuda do Brasil.

“Há muita discriminação, há muita falta de conhecimento, de compreensão e de preparo para com o autista em nosso país”.

O sonho de Henrique é transformar Curitiba e o Paraná em Capital Internacional da Inclusão. “É com exemplo e Informação que vamos vencer a discriminação”.

O jovem estudante também é videomaker e faz vídeos dos parques de Curitiba. E já está combinando de fazer vídeos dos parques de Guarapuava também.

“Ele acha a Lagoa das Lágrimas muito interessante, o formato, as plantas e a Colônia Entre Rios onde passou boa parte da infância na fazenda do avô. Ele sempre admira muito a beleza e a receptividade daquele lugar”.

Ainda em Guarapuava, o bairro Cidade dos Lagos e o shopping que leva o mesmo nome, se tornaram um novo incentivo para Henrique querer passar as férias por aqui.

Temos visto exemplo de inclusão em Guarapuava, em escolas estaduais e municipais, minha mãe nem acredita de tão lindo de ver como acolhem autistas aqui. Mas de  maneira geral, ainda há muita falta de tolerância e conhecimento da sociedade. Aí acontecem os aborrecimentos desnecessários se houvesse informação. Mas com calma e apoio dos órgãos competentes chegamos lá.

Por fim, o futuro engenheiro mecânico que gosta de macarrão e música clássica deixa um recado:

Eu sou diferente! Porém, igual aos outros. Sou o que sou, mas posso melhorar, se você me ajudar. E se você precisar, eu quero te ajudar. Sempre!

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