A disputa pelo comando da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) pode terminar em bate-chapa e representar o primeiro grande teste da capacidade de articulação política do governador eleito Sergio Moro (PL). Embora tenha conquistado uma das duas maiores bancadas da Casa, com 14 deputados, o PL não dispõe de votos suficientes para eleger sozinho o próximo presidente. A definição dependerá de acordos com outras legendas, especialmente o PSD de Ratinho Junior, que também elegeu 14 parlamentares.
Nos bastidores do PL, três deputados reeleitos disputam espaço: Delegado Jacovós, Paulo Gomes e Denian Couto. O nome de Jacovós ganhou força nesta semana, segundo informações das articulações políticas, mas ainda não há confirmação de que será o escolhido. O objetivo atribuído a Moro é assegurar a presidência para o PL, independentemente de qual dos três prevaleça.
A composição em discussão reservaria ao PSD a Primeira Secretaria, mas a divisão de cargos está longe de resolver as disputas. Artagão Júnior e Moacyr Fadel aparecem como interessados na vaga. Fadel teria a vantagem política de ter apoiado Moro na eleição, contrariando a candidatura de Sandro Alex. Outros nomes, como Ademar Traiano, Romanelli, Hussein Bakri, Marcio Nunes e Gugu Bueno, também integram as conversas. Entretanto, enfrentariam resistências no grupo do governador eleito. O PP de Ricardo Barros, por sua vez, tenta inserir Maria Victoria nas negociações.
O ponto central é que a disputa não se limita à escolha dos ocupantes da Mesa. Está em jogo a relação de forças entre o futuro Executivo e a Assembleia. Para Moro, assegurar a presidência significa ampliar a influência sobre a condução dos trabalhos legislativos. Para o PSD, aceitar a Primeira Secretaria pode representar uma posição estratégica, mas também a renúncia ao comando de uma Casa na qual terá bancada do mesmo tamanho que a do PL.
É nesse ambiente que surge a hipótese de um bate-chapa. Uma eventual articulação entre PSD, a federação liderada pelo PT e PP reuniria, numericamente, 28 deputados, maioria absoluta dos 54 integrantes da Assembleia. Com a adesão de MDB (2) e Republicano (3), o bloco poderia alcançar 33 votos. A distribuição das cadeiras está confirmada pelos resultados eleitorais, mas não há confirmação de que essas legendas tenham firmado acordo para disputar a Mesa.
A dificuldade de uma chapa alternativa estaria justamente em transformar essa soma aritmética em compromisso político. São partidos com projetos e interesses distintos, cuja aproximação dependeria de negociações que vão muito além da eleição da Mesa.
Ainda assim, a possibilidade de uma composição concorrente altera o peso das conversas. O PSD passa a ter duas alternativas: negociar a Primeira Secretaria com o PL ou utilizar a bancada como ponto de partida para uma articulação mais ampla.
Para Moro, o desafio não é apenas escolher entre Jacovós, Paulo Gomes e Denian Couto. É construir uma maioria sem permitir que as disputas pelos demais cargos acabem fortalecendo uma chapa adversária.