Cartilha incentiva a preservação dos botos-cinzas no litoral paranaense

Os animais que vivem na área dos portos de Paranaguá e Antonina acabam se machucando com a passagem de pequenas embarcações

Cartilha incentiva a preservação dos botos-cinzas no litoral paranaense (Foto: Claudio Neves/AEN)

A empresa Portos do Paraná criou uma cartilha de cuidados dos animais marinhos que vivem na área dos portos de Paranaguá e Antonina. Em conjunto com a Cia Ambiental, o material incentiva a preservação dos botos-cinzas. Assim, como agir quando encontra-los durante a navegação.

A ação também inclui conversas e web reuniões para alertar sobre o tema. De acordo com João Paulo Santana, diretor do Meio Ambiente da empresa, os botos ficam machucados com a passagem de pequenas embarcações. “Identificamos a necessidade de falar e sensibilizar os donos de embarcações menores, como lanchas, iates, voadeiras, entre outros. Isso porque, nas atividades, nossos biólogos identificaram animais com pequenas cicatrizes de hélices no dorso, nas costas”.

Conforme João, as marcas indicam que os ferimentos foram causados por pequenas hélices. Dessa maneira, não compatíveis com as hélices de navios. “Temos um grande trânsito de embarcações nas baía de Paranaguá e Antonina. São voadeiras, bateiras, canoas caiçaras, lanchas de finais de semana. E barcos que dão apoio aos navios e também os barcos da praticagem”.

Diante disso, resolvemos fazer uma grande campanha de conscientização. Dialogar com todas as marinas da Região de Paranaguá. Com os práticos, com as comunidades de pescadores, para que quando avistarem grupos de botos, diminuam a velocidade das embarcações.

(Foto: Claudio Neves/AEN)

APROVAÇÃO

O coordenador geral da Lunamar Transportes Marítimos, Renato Rocha aprovou a iniciativa. “É um trabalho muito importante para o turismo na cidade. Os barcos hoje param para ver os botos, o que não acontecia antes, pois não víamos famílias inteiras de botos. Hoje eles estão em grande quantidade e, muitas vezes, pertinho da costa. Então, é preciso preservar”.

De acordo com o gestor da empresa Oceânica, Adaury Silva Demétrio, o cuidado deve ser de todos. “Apesar de haver uma conscientização de defesa dos animais, principalmente os que vêm procriar na baía. Muitas vezes os marinheiros desconhecem a importância da preservação. Esse trabalho ajuda eles a entenderem”.

Já o Iranor Norberto Jamnik Filho, da Porto Marina Oceania vai começar a distribuir os folhetos pela marina. “Sabemos que temos que preservar o boto, a natureza em si. Aqui na marina, vamos distribuir o folder explicativo dos cuidados que temos que ter com a espécie para todos os nossos clientes. Assim, para que colaborem na proteção do boto-cinza, que habita o litoral paranaense”.

Além disso, o material já se encontra na Praticagem, no Iate Clube de Paranaguá. Ainda, na Palangana Serviços Marítimos e nas marinas Marlim Azul, Velho Marujo, Paranaguá e Azul.

(Foto: Claudio Neves/AEN)

COMO AGIR

De acordo com o material, ao encontrar com um animal marinho, as embarcações devem manter distância mínima de 300 metros deles. E quando a distância for menor que isso, o motor deve ser colocado em neutro ou velocidade mínima. Além disso, ao encontrar o boto-cinza deve-se navegar apenas em velocidade inferior a 5 nós.

Além disso, deve-se evitar ainda, mudanças bruscas de direção e não acompanhar a bordo de embarcações os botos por mais de 30 minutos. Contudo em caso de fêmea com filhotes, não exceder 15 minutos.

AMEAÇADO

O Ministério do Meio Ambiente lista o boto-cinza (Sotalia guianensis) como espécie ameaçada. Além disso, tem status de espécie vulnerável na Fauna Brasileira de Espécies Ameaçadas e Extinção.

Por fim, o mamífero pode viver entre 30 e 35 anos. E atingir 2,2 metros e até 90 quilos. O dorso do animal é cinza, com duas bandas laterais mais claras.

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