Casos de diarréia e vômito preocupam veranistas e moradores do Litoral

Um número crescente de casos de diarréia e vômito nas praias paranaenses começa a preocupar moradores e veranistas. Em Matinhos, foi registrado aumento de 15% dos casos na semana do dia 3 ao dia 9, em relação à semana anterior. Nesse período, foram 280 atendimentos de paciente com este quadro.

Apesar de ainda não contar com dados precisos sobre os dias subsequentes, a secretária de Saúde do município, Renata César do Amaral, informa que o número de casos continuou a crescer, mesmo com a diminuição de veranistas. Principalmente após o dia 8, quando várias regiões da cidade ficaram alagadas.

“Estamos em estado de alerta, tentando investigar o que pode estar provocando isso. Ainda não sabemos se foi por conta das enchentes, se são bactérias, vírus ou se são males causados por manipulação ou conservação errada de alimentos, situação comum de acontecer no verão”, diz Renata.

Um surto de virose (como vem ocorrendo no litorla paulista), porém, é descartado pela médica Lenora Catharina Rodrigo, diretora da Primeira Regional da Secretaria Estadual de Saúde. “Os casos de diarréia e vômito têm aumentado, mas ainda não registramos números tão elevados a ponto de falarmos em surto. No momento, estamos monitorando os casos e investigando se eles têm alguma relação com contaminação de água ou de alimentos, ou se há relação com níveis de balneabilidade das praias”, afirma a diretora.

“Tivemos um aumento do número de casos, mas o número ainda está dentro de uma normalidade”, informa a secretária de saúde de Pontal do Paraná, Flora Eugenia Lemos Abrahão. O mesmo posicionamento é compartilhado pela diretora da Vigilância Sanitária em Guaratuba, Roberta Maria Malucelli Moro.
Atendimentos

A quantidade de atendimentos por gatroenterocolite (combinação de diarreia, vômito e febre eventual) tem sido alta no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Matinhos. No domingo, de um total de 276 pessoas atendidas, 110 (40%) procuraram o hospital com sintomas de gastroenterocolite – 70 delas precisaram tomar soro para conter a desidratação provocada pela enfermidade. “Comparando com temporadas passadas, os números andam mais altos”, opina a enfermeira Gina Giandarresi, responsável pelos dados do setor de epidemiologia do hospital há cinco anos.

De acordo com o médico José Martins Orso, que presta atendimento clínico e de emergência no hospital, ainda não se sabe ao certo o que tem provocado a maioria dos casos de gastroenterocolite. “Ainda não dispomos de análises para saber que microorganismos têm atingido a população. Mas é importante frisar que, até o momento, não tivemos nenhum caso grave e estamos conseguindo atender a todas as pessoas com hidratação e medicação em nosso hospital”, diz Orso. Segundo o médico, diante de sintomas como vômito e diarréia, as pessoas devem procurar atendimento imediatamente. Já para a prevenção da gastroenterocolite, os cuidados com a higiene e procedência de alimentos são fundamentais, lembra Orso.

Os cuidados para evitar diarréia no litoral:

– redobre os cuidados básicos de higiene. Isso pode evitar diversas doenças;
– lave as mãos várias vezes ao dia, principalmente quando chegar da rua e antes das refeições. A higienização deve ser feita com água e sabão;
– faça limpeza da caixa d’água da casa quando chegar ao Litoral;
– tenha atenção à higiene e à conservação dos alimentos;
– Não tome remédios para interromper a diarreia. As bactérias não serão eliminadas e o caso pode evoluir para uma infecção grave. Vá ao médico, que lhe indicará o melhor tratamento;
– redobre a atenção com relação às crianças, pois é comum levarem as mãos à boca com frequência. E se não estiverem limpas, pode haver risco de contaminação;
– evite contato com a água proveniente de alagamentos.

Franco Caldas Fuchs – jornal Gazeta do Povo

Foto: vários casos de diarréia foram registrados na praia de Matinhos (divulgação)

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