Cavalgada homenageia pioneiros em Campina do Simão

por Andréa Alves

Campina do Simão – Lauro Rosa, Eulisses Barbosa e Hamilton Dangui foram reverenciados durante uma cavalgada que reuniu familiares e admiradores

O toque do berrante anunciou a saída da cavalgada. Mais de 80 cavaleiros e amazonas partiram da Fazenda Vera Cruz rumo à sede de Campina do Simão em homenagem aos pioneiros do tradicionalismo Lauro Rosa, Eulisses Marcondes Barbosa e Hamilton Martins Dangui.
Tropeiros de Guarapuava e também da região juntaram-se ao trote dos campinenses, dia 19 de dezembro, animados pelo gaiteiro Laurinho e o trovador e também prefeito do município de Santa Maria do Oeste, Cláudio Leal. O prefeito de Campina do Simão, Artemiro Lazzaretti, não participou das homenagens.
Lauro Rosa, o primeiro tropeiro de Campina do Simão, morreu, mas deixou raízes fortes na sua terra. O tradicionalismo é cultivado até hoje pelos seus cinco filhos e companheiros de estrada. “Um povo sem tradição, morre a cada geração”, enfatiza Rozélio Rosa, que hoje é capataz em uma fazenda no Paraguai, na divisa da Bolívia, “uso no meu trabalho o que o meu pai me ensinou; lembro que aos nove anos já o acompanhava nas tropeadas até Santa Catarina”, recorda.
O ex-prefeito Hamilton Martins Dangui reconhecia e cultivava o tropeirismo. Antes de ser assassinato em 1997, teve tempo de fazer uma festa tradicionalista em homenagem a Lauro Rosa, que já encontrava-se debilitado em uma cadeira de rodas.
Durante a cavalgada, as trovas ao pé da cruz onde Dangui foi morto também tiveram a intenção de pedir respostas ao assassinato, que passados 12 anos ainda encontra-se sem solução. Para o campinense só ficou a saudade e a certeza de que hoje seria tudo diferente se ele estivesse vivo. “Ficamos com as lamentações do povo que conheceu seu projeto de trabalho, mas que, infelizmente, não teve tempo de concluir. Esta festa religiosa mostra a nossa vontade de que tempos bons retornem ao nosso município”, observa o primo da família Antonio Kramer Rocha.
O outro homenageado foi o laçador e fundador do CTG Chaleira Preta, Eulisses Marcondes Barbosa, que morreu com apenas 58 anos após um câncer. “Temos mais de 200 anos de geração, somos tataranetos do Simão, que deu nome ao município. Como diz a minha mãe: ‘somos fruto da terra’”, ressalta Neuton Marcondes, um dos quatro filhos de Eulisses. Ele lembra de quando saía em tropeada ao lado do pai e também das rodas de conversa. “Ele se foi, mas deixou muitos amigos e cavalo bom pra gente continuar tropeando”, afirma.
Na noite que antecedeu a cavalgada, 300 pessoas participaram da quirerada na fazenda que um dia foi de Eulisses Barbosa. “A homenagem ao meu pai também uma maneira de unir as famílias e continuar com o tradicionalismo”, justifica Neuton.
A cavalgada durou quatro horas. Os tropeiros saíram da Fazenda Vera Cruz em direção a matriz Nossa Senhora Aparecida para uma missa campeira. O pároco da Comunidade Dom Bosco de Guarapuava recebeu e abençoou os tropeiros, que também dirigiram suas orações aos três falecidos homenageados.
A festa aos pioneiros foi encerrada com um churrasco gratuito que reuniu aproximadamente 1,2 mil pessoas. Cinco bois e cinco carneiros foram servidos no salão da matriz. Após o almoço, a festa ficou por conta do grupo Gaitaço.
Um dos organizadores da festa, Elton Valmir Mate (o Zico), afirmou que foi a primeira edição da cavalgada e também agradeceu o empenho de todos. “Toda a comunidade se envolveu para que o evento se realizasse com sucesso. Contamos com mais de 70 pessoas, desde a matança dos animais doados, churrasqueira e cozinha. Servimos 600 quilos de carne desossada”, completou.

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