Conflito entre Irã e EUA tem impacto direto na vida do brasileiro, diz professor

Guatavo Blum é professor de Relações Internacionais da UniCuritiba. A pedido do Portal RSN fez uma análise sobre os reflexos desse conflito no Brasil

Gustavo Blum, professor de Relações Internacionais da UniCuritiba (Foto: Arquivo pessoal)

O assassinato do general iraniano Qassem Soleimani há seis dias coloca o mundo num compasso de espera e gera instabilidade política e econômica. No dia 3 de janeiro de 2020 os Estados Unidos provocaram a morte de uma das maiores lideranças iranianas. A reação foi imediata. No dia 7, horas após o funeral do general, 10 mísseis balísticos atingiram duas bases aéreas dos Estados Unidos no Iraque. A Guarda Revolucionária do Irã assumiu a responsabilidade pelo ataque. Disse que era uma resposta ao assassinato de Soleimani.

Porém, o que essa briga entre os dois países tem a ver com o cotidiano do povo brasileiro, incluindo, portanto, quem mora em Guarapuava e Região?

De acordo com o professor de Relações Internacionais do Centro Universitário Curitiba, a UniCuritiba, Gustavo Blum, esses conflitos impactam na vida de todos.

Uma das consequências é o preço do petróleo e, consequentemente, da gasolina. Uma vez subindo o valor dos combustíveis, a alta também vai atingir os valores de vários produtos, principalmente, alimentos.

“Esse país [Irã] e outros daquela Região, são os maiores consumidores de frango e de carne suína do Brasil”. Todavia, segundo o professor, a redução do volume de exportações que afeta os frigoríficos do Oeste e Sudoeste do Paraná, por exemplo, pode ser atribuído, em parte, à crise econômica atual”.

Porém, tem muito a ver com a escalada de tensões. Entretanto, ainda não chegamos aos patamares de Guerra da Síria em 2011. Mas antes disso, o Brasil vendia muito frango para o mercado internacional”, disse em entrevista ao Portal RSN.

Contextualizando, a Guerra na Síria começou em 2011, dentro do contexto da Primavera Árabe. Houve uma série de protestos contra o governo de Bashar-al-Assad (1965).

A guerra afetou em cheio a população civil estimada em mais de 24 milhões de pessoas nos primeiros cinco anos e ainda não terminou. Assim, a guerra começou quando um grupo de cidadãos se indignou com as denúncias de corrupção reveladas pelo WikiLeaks.

Porém, em março de 2011 protestos ao sul de Derra defenderam a democracia. A população revoltou-se contra a prisão de adolescentes que escreveram palavras revolucionárias nas paredes de uma escola.

EXPORTAÇÕES

Foi esse conflito que atingiu também as exportações de frango para o Oriente Médio. De acordo com o professor Gustavo Blum, hoje o Irã é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo. Nessa Região também estão os países árabes como Israel, Arábia Saudita, Líbano, entre outros.

Iranianos protestam contra morte do general Soleimani (Foto: Agência Brasil/Reuters/Divulgação)

Assim, esses países mantêm relações comerciais com o Brasil, que podem ser afetadas.

Embora o Irã seja persa, somos parceiros históricos de muitos países árabes. Por isso, em termos gerais, essa condição política externa é problemática.

De acordo com o professor, em breve o Brasil vai sediar um encontro entre aliados dos Estados Unidos contra o Irã. “É uma política do Governo Bolsonaro e do chanceler Ernesto Araújo de alinhamento direto e total com os EUA. O que pode trazer vários problemas para a gente, sim. Não necessariamente do Brasil se engajar numa guerra, mas trará problemas com outros parceiros”.

Conforme o professor Guatavo, outra questão  é o fato do governo Donald Trump estar focado nas eleições americanas. “Isso também pode nos prejudicar fortemente em relação ao nosso comércio com os EUA. Caso priorizem esse conflito com Irã vão ter que resolver questões conosco”.

Por isso diz a situação é bem instável. “Estamos vivendo o ponto mais alto de um período de tensões desde o ano passado. E temos que considerar também até que ponto esse conflito com o Irã não é eleitoral. E ainda o Trump [Donald] vai passar por um processo de impeachment no Congresso Americano. Então temos que acompanhar para ver o que acontecer de fato”.

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