O que uma eleição nos Estados Unidos tem a ver com o produtor rural de Guarapuava, com uma cooperativa do interior do Paraná ou com o trabalhador de uma indústria paranaense? Mais do que parece. Embora a votação ocorra a milhares de quilômetros, os desdobramentos podem chegar ao preço dos insumos agrícolas, aos contratos de exportação e às oportunidades de emprego.
Nesta terça (3), os americanos escolhem os representantes no Congresso, em uma eleição que também definirá o equilíbrio de forças nos dois últimos anos do governo Donald Trump. Para o Paraná, o que importa não é a disputa entre republicanos e democratas, mas como as decisões de Washington poderão influenciar a nossa economia.
O Paraná possui uma economia fortemente ligada ao agronegócio, à indústria e às exportações. Cooperativas, frigoríficos, indústrias de alimentos, fabricantes de máquinas e empresas do setor madeireiro dependem, em diferentes graus, das condições do mercado internacional. Quando os Estados Unidos alteram tarifas ou regras comerciais, podem surgir dificuldades para determinados produtos brasileiros. E quando uma empresa perde competitividade, os efeitos podem chegar à produção, aos investimentos e à geração de empregos.
Na Região de Guarapuava, onde a agricultura, a pecuária, as cooperativas e a agroindústria têm papel importante, essas mudanças merecem atenção. O dólar, por exemplo, influencia tanto as receitas de exportação quanto os custos de fertilizantes, defensivos, combustíveis e equipamentos. Uma moeda americana valorizada pode beneficiar quem exporta, mas também pesar no orçamento de quem precisa comprar insumos. O resultado depende da atividade, dos custos e das condições de cada produtor ou empresa.
É preciso reconhecer que republicanos e democratas têm propostas diferentes, mas ambos defendem interesses econômicos americanos. A proteção da indústria, a geração de empregos e a concorrência com a China são temas importantes para os dois partidos. Por isso, uma mudança no Congresso não significa necessariamente o fim das barreiras comerciais. Para o Paraná, mais importante do que a preferência por determinado partido é acompanhar quais decisões podem facilitar ou dificultar o acesso de nossos produtos aos mercados internacionais.
Também precisamos evitar que a polarização política brasileira contamine a análise econômica. Nem a proximidade ideológica com Trump garante vantagens comerciais, nem uma eventual vitória democrata representa automaticamente melhores condições para o Brasil. Relações internacionais exigem diálogo, negociação e conhecimento dos interesses envolvidos. O produtor rural, o empresário e o trabalhador paranaense precisam de estabilidade e oportunidades, independentemente de quem esteja no poder em Washington ou Brasília.
Mas seria um erro responsabilizar os Estados Unidos por todas as dificuldades da nossa economia. O custo de produzir no Paraná também depende de fatores internos, como infraestrutura, logística, crédito, tributação e segurança jurídica. Estradas em boas condições, transporte eficiente e investimentos em tecnologia são fundamentais para que nossos produtos cheguem competitivos aos mercados. A política americana pode influenciar o cenário, mas muitas das respostas necessárias estão dentro do próprio Brasil.
As eleições americanas merecem ser acompanhadas com atenção, sem alarmismo e sem torcida partidária. O Paraná tem uma economia diversificada, capacidade produtiva e empresas que competem no mercado internacional. O desafio é aproveitar oportunidades e reduzir vulnerabilidades diante das mudanças externas.
Afinal, para quem produz no campo, trabalha na indústria ou mantém um comércio aberto, o que realmente importa não é saber qual partido venceu em Washington, mas se haverá condições para continuar produzindo, investindo e gerando renda aqui.