Em coletiva, promotor afirma que Tatiane Spitzner lutou pela vida

Promotor disse que Tatiane tentou fugir três vezes. Celulares da advogada e de Luís Felipe passarão por perícia. Em nota, defesa de Manvailer pede reconstituição

Pedro Henrique Brazão Papaiz (Foto: Divulgação)

Em entrevista coletiva no Ministério Público do Paraná (MP-PR), em Guarapuava, na tarde desta sexta feira (3), o promotor de justiça Pedro Henrique Brazão Papaiz, declarou que as investigações do inquérito eliminam qualquer possibilidade de que Tatiane Spitzner tenha cometido suicídio. Essa hipótese passou a ser analisada após depoimento de Manvailer à polícia, no mesmo dia em que Tatiane morreu. Na época, ele disse que ela teria pulado da sacada.

Todas as provas indicam a prática do homicídio qualificado pela situação de mulher, que é o feminicídio. Concluímos isso com base no fato de que a Tatiane foi agredida por mais de 20 minutos antes de vir a óbito. No minuto em que eles chegam ao prédio residencial deles ela já está sofrendo intensas agressões. Ela sofre agressões dentro do carro, ela leva muitos socos na região da cabeça. O Luís Felipe chega a passar o cinto de segurança pelo pescoço dela. Há puxão de cabelo e as agressões vão se intensificando.

Ainda antes de entrarem no elevador do prédio, Tatiane fica desacordada em virtude das agressões sofridas por Luís Felipe. Após acordar, ela tenta fugir do marido por três vezes.

“Na garagem, ele aplica um golpe no pescoço da Tatiane e ela fica desfalecida no chão por dois minutos, enquanto ele estaciona o carro. Quando ele retorna aonde ela está caída, ele aborda ela com chute enquanto ela ainda está no chão. Ele constrange ela mediante violência para dentro do elevador e até o apartamento mesmo com ela tentando fugir por três vezes. Então a conduta de Tatiane de tentar correr por sua vida, o desespero de tentar fugir do próprio marido, indica que ela não tem nenhum intento de suicídio. E a conduta do Luís Felipe, agressivo, de restringir a liberdade da vítima aponta, sem sombra de dúvidas, para nós, que ele cometeu o feminicídio”.

O promotor destaca que, a partir da apresentação da denúncia por parte do MP, o caso inicia uma nova fase.

Após o oferecimento da denúncia, a juíza de direito recebe ou não a denúncia, parcialmente ou integralmente. Passamos para a parte processual. O Luís Felipe viraria réu e a gente passa a instruir o processo em juízo. Claro que a palavra final do caso cabe ao conselho de sentença no dia do julgamento do júri, mas o MP forma a conclusão dele com base nas provas que nós temos até agora.

Alguns exames sobre o caso de Tatiane ainda aguardam laudos oficiais, que seguem sem previsão de entrega. Mesmo sem os resultados, o delegado responsável pelo inquérito, Bruno Miranda, declarou ter provas suficientes para indicar o caso como feminicídio. Para o promotor Pedro, a situação se repete no MP.

“Nós estamos dependendo desses exames laboratoriais ficarem prontos, do perito extrair suas conclusões com bases nesses exames e formalizarem os laudos para a gente. Algumas circunstâncias precisam ser delineadas ainda e algumas podem depender do laudo, mas nenhuma delas impede o oferecimento da denúncia”.

PRISÃO

Segundo o promotor, na apresentação da denúncia pelo MP, a recomendação que será feita é de que Manvailer permaneça preso durante os desdobramentos do caso. Para ele, o pedido é justificado na fuga do professor após a queda de Tatiane na madrugada de 22 de julho.

“Pelas imagens que a gente já verificou, eu posso falar pra vocês que, mesmo se a Tatiane não tivesse vindo a óbito, a natureza, a agressividade, a violência que o Luís Felipe demonstra para ela, no meu entendimento, já justificaria a prisão. Com muito mais razão, tendo ela, vindo a morrer. A Tatiane é jogada da sacada às 2h57. Às 3h7 o Luiz Felipe está dentro do carro, dirigindo em direção ao Paraguai, vindo a colidir o veículo quase 300 km depois. O que demonstra que em 10 minutos ele trocou de camisa, limpou as marcas de sangue do elevador, pegou seu carro e fugiu da polícia. Isso é um risco concreto a que, se ele for solto, venha a se evadir”.

Não há informações sobre uma possível transferência de Luís Felipe para outras penitenciárias.

CELULARES

Na mesma coletiva, a promotora do MP, Dúnia Serpa Rampazzo confirmou à imprensa que celulares e redes sociais de Tatiane e de Luís Felipe deverão integrar as investigações e serão periciados.

Dúnia Serpa Rampazzo (Foto: Divulgação)

“Os celulares passarão por perícias, sim. Já há o pedido da quebra de dados telefônicos e redes sociais do investigado e há, também, a autorização da família para livre acesso ao dados e informações de objetos pessoais da Tatiane”.

DEFESA

Em nota, a defesa técnica de Luís Felipe Manvailer informou que permanece no aguardo do resultado de exames periciais no corpo da vítima, no apartamento do casal, nas câmeras de segurança, nos smartphones, computadores e HDs apreendidos e na realização de reprodução simulada dos fatos com a participação do acusado.

“Nesse momento é importante reafirmar que qualquer posicionamento sobre o caso, seja dos Delegados, Promotores, Advogados de Acusação ou de outro profissional que tenha participado do todo ou de parte deste apuratório (que sequer se encontra efetivamente concluído, já que pendentes importantes diligências) estará tratando de hipóteses especulativas, baseadas em fragmentos, que destoam de comprovação técnica científica”, declarou a defesa de Manvailer.

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