Em documentário, Papa Francisco defende união civil entre homossexuais

"As pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deverá ser descartado ou ser infeliz por isso"

Em documentário, Papa Francisco defende união civil entre homossexuais (Foto: Reprodução/Rede Globo)

A afirmação do Papa Francisco em um documentário, de que os homossexuais precisam de proteção das leis de união civil, está dando o que falar nas alas mais conservadoras da Igreja e da sociedade em geral. Há órgãos de imprensa que afirmam inclusive, que houve erro na divulgação da informação, interpretada de forma equivocada.

Tal postura se refere ao fato de que o Papa não estaria defendendo a união estável entre homossexuais. A afirmação aliás foi a forma mais clara que o Papa Francisco já usou para falar de direitos dos LGBTIs. “As pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família. Elas são filhas de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deverá ser descartado ou ser infeliz por isso”.

Ainda conforme o documentário, Francisco afirma: “O que precisamos criar é uma lei de união civil. Dessa forma eles são legalmente contemplados. Eu defendi isso”. No documentário, Papa Francisco aborda temas com os quais se importa. Entre eles, o ambiente, a pobreza, a migração, a desigualdade racial e de renda e com as pessoas mais afetadas por discriminação.

GUARAPUAVA

O Portal RSN procurou a Diocese de Guarapuava para saber o posicionamento do bispo Amilton Manoel da Silva, da congregação Passionistas. De acordo com a assessoria de comunicação da diocese, a explicação feita por um monsenhor da Arquidiocese do Rio de Janeiro está embasando o posicionamento da Igreja na diocese. A seguir, a nota:

“Eis a frase do Papa Francisco:

‘Os homossexuais têm direito a estar em família, são filhos de Deus. Não se pode expulsar uma pessoa de sua família ou tornar a vida impossível para ela. O que temos que fazer é uma lei de convivência civil, para serem protegidos legalmente’.

Ou seja, a família deve acolher o homossexual e não excluí-lo. E além disso, a lei que o Papa sugere é uma lei de proteção a essas pessoas que são abandonadas pelas famílias e até expulsas de casa. Em alguns países é possível excluir os filhos da herança. O papa fala de caridade cristã para quem está num momento muito difícil de vida. Infelizmente a imprensa não foi nada caridosa com o Papa mais uma vez, e as pessoas menos ainda.

Nenhuma confusão com casamento entre homem e mulher!

No entanto, não se deve esquecer que no parágrafo imediatamente seguinte o Papa se distancia de qualquer risco de confusão entre o casamento e as uniões civis, sublinhando que «não há base para assimilar ou estabelecer analogias, nem mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus. sobre o casamento e a família “(AL 251)”.

Mons. André Sampaio (Arquidiocese do Rio)”

UNIÃO CIVIL, NÃO CASAMENTO

O Papa Francisco já demonstrou interesse em dialogar com católicos LGBTIs. Também já deu sinais que poderiam ser interpretados como uma opinião favorável à união civil. De acordo com o G1, quando Cristina Kirchner era a presidente da Argentina, o país legalizou o casamento gay. Na época, ele ainda não era o papa, mas, sim, o cardeal Jorge Mario Bergoglio.

Segundo um texto de 2014 da agência “Religion News Service” (RNS), Bergoglio chegou a dizer que estava aberto a aceitar a união civil, como uma alternativa ao casamento entre pessoas do mesmo gênero. Conforme Filipe Domingues, vaticanista com doutorado pela Universidade Gregoriana de Roma, quando ainda era cardeal, Bergoglio era a favor da união civil de pessoas do mesmo sexo.

“Ele é contra o ‘casamento gay’, mas concorda que pessoas em união estável têm direitos. Isso não é novo. Mas declarou isso em documentário, como Francisco, pela primeira vez”. De acordo com Domingues, desta vez no documentário, Francisco foi mais explícito agora ao falar de “‘ser parte de uma família’. Isso é importante”.

O Vaticano então clarificou que Francisco falava de forma genérica e que as pessoas não deveriam interpretar as palavras do papa além do que elas dizem, segundo a RNS.

DOCUMENTÁRIO

A estreia do filme ocorreu no Festival de Roma nesta quarta (21). E neste domingo (25), a exibição ocorre nos EUA pela primeira vez durante o Savannah Film Festival. Conforme o diretor Evgeny Afineevsky, o filme trata de temas como a pandemia, racismo e abuso sexual.

Além disso, há temas geopolíticos como a guerra na Síria e na Ucrânia.

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