22/08/2023
Em Alta Guarapuava

Funcionários de terceirizada da Sanepar paralisam atividades em Guarapuava

Funcionários mantêm apenas serviços de emergência; lista de exigências inclui fim de escalas exaustivas e melhorias em equipamentos de trabalho

Cerca de 100 trabalhadores de uma empresa que presta serviços terceirizados de manutenção e obras de saneamento básico para a Sanepar iniciaram uma paralisação por tempo indeterminado nesta segunda (9). O movimento atinge Guarapuava, onde atuam 50 profissionais, e outros municípios da Região, como Pitanga, Laranjeiras do Sul e Quedas do Iguaçu.

De acordo com relatos de funcionários ao Portal RSN, a principal motivação da greve está nos descontos salariais considerados abusivos e sem dar ciência aos funcionários. Assim como o descumprimento de promessas feitas durante a transição de contrato.

Os trabalhadores relatam que a insatisfação se acumulou ao longo dos últimos oito meses. Conforme depoimentos, anteriormente, o serviço era feito pela empresa Kammer. Com a nova licitação, a nova empresa assumiu o contrato e absorveu a mão de obra existente.

“A empresa assumiu com promessas de melhorias salariais e de equipamentos de trabalho. Mas, após oito meses, a situação deixou a desejar, com cobranças abusivas de descontos nos salários, o que nos levou a tomar essa providência.”

Conforme funcionários, eles são registrados como mensalistas, mas recebem como diaristas. Há também descontos do vale-refeição e a empresa cobrou a insalubridade. “Tudo isso sem que a gente fosse comunicado.” E tem mais. De acordo com funcionários, caso a equipe tenha que trabalhar em outra cidade tem que pagar a própria refeição. “A empresa pode até pagar, mas vem o desconto em folha. Estamos pagando pra trabalhar.”  A média salarial deles, conforme relatos, é de R$ 2mil.

SINDICATO AGUARDA DIRETOR DA EMPRESA

Uma das reivindicações é que a empresa volte a conceder o vale-alimentação no lugar do vale-refeição. A diferença é que com o primeiro, eles podem comprar em mercados e vem junto com o pagamento mensal. Já o vale-refeição sé recebe no dia trabalhado especificamente para refeição.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada no Estado do Paraná, a entidade está junto com os funcionários. “Estamos aguardando o diretor da empresa que está vindo de Curitiba para uma conversa, ainda nesta segunda.” O Portal RSN tentou contato com o escritório em Guarapuava, porém, sem retorno.

Apesar da paralisação, o comando da greve informou que a população não fica totalmente desassistida. Para evitar o desabastecimento de água ou problemas graves de saúde pública, serviços essenciais de emergência seguem funcionando. Como por exemplo as manutenções emergenciais em redes de água e esgoto.

O QUE DIZ A SANEPAR

Em nota enviada ao Portal RSN, a Sanepar afirma que ainda não foi formalmente comunicada sobre a paralisação.

“Se ocorrer tal movimento, a Sanepar tomará as providências necessárias para garantir que os serviços sob responsabilidade da referida terceirizada não sejam descontinuados e os clientes não sejam prejudicados. A Companhia atuará para que todas as exigências determinadas em contrato entre Sanepar e a empresa, que incluem o cumprimento de compromissos da terceirizada com sua força de trabalho, sejam obedecidas.”

CONFIRA A PAUTA DE REIVINDICAÇÕES

1. Vale Alimentação e Refeição (VA/VR)

  • Fim dos descontos de marmitas quando a equipe atua em outras localidades.

  • Pagamento rigoroso do VR até o dia 5 de cada mês.

  • Fim do desconto do “vale café” para a equipe administrativa.

2. Escala e Plantão

  • Retorno aos horários normais (fim da escala das 12h às 22h).

  • Equipes exclusivas de plantão para cada localidade, como ocorria no início do contrato.

  • Divisão clara de funções: equipes de esgoto não devem fazer plantão de água.

  • Denúncia de exaustão e risco de acidentes devido à carga horária excessiva.

3. Salários e Descontos

  • Revisão de descontos indevidos em folha (divergências em empréstimos e taxas).

  • Correção do registro em carteira: funcionários registrados como mensalistas, mas recebendo como horistas.

  • Pagamento de diferenças salariais acumuladas (ex: R$ 148,00 do mês atual e R$ 34,50 de sábados não pagos).

  • Retorno do adicional de insalubridade, que teria sido retirado.

4. Condições de Trabalho e Equipamentos

  • Fornecimento de tablets para operadores de máquinas (fim do uso de celular particular).

  • Instalação de ponto eletrônico físico ou fornecimento de celular corporativo para registro de jornada.

  • Garantia de estabilidade (não demissão de quem está reivindicando melhorias).

  • Inclusão de Auxílio Transporte e motoristas para os veículos da empresa.

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Cristina Esteche

Jornalista

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