Guarapuava possui uma base industrial relevante, mas ainda enfrenta obstáculos para ampliar a competitividade. Em 2024, o município registrou R$ 2,85 bilhões em Valor Adicionado Fiscal industrial, retração de aproximadamente 7,2% em relação a 2023. Apesar da queda, o indicador demonstra a dimensão econômica do setor na Região.
Com destaque para a agroindústria, o cooperativismo e a cadeia florestal, o município mantém capacidade de atrair investimentos. Um exemplo são os R$ 1,1 bilhão anunciados pela Cooperativa Agrária e pela Ireks para expansão e modernização do complexo industrial em Entre Rios.
O potencial, entretanto, convive com gargalos já discutidos em encontros promovidos pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) em Guarapuava. Entre as principais demandas estão melhorias na logística, infraestrutura rodoviária e ferroviária, energia e qualificação profissional, fatores que influenciam os custos de produção e as decisões empresariais.
Nesse cenário, a reunião do governador eleito Sergio Moro (PL) com a Fiep, na quarta (28), ganha relevância. Moro colocou a indústria entre as prioridades da futura gestão e defendeu a identificação dos “pontos de estrangulamento” que comprometem a produtividade e o crescimento econômico do Paraná.
A expectativa também envolve o papel de Edson Vasconcelos, presidente da Fiep e vice-governador eleito. Ele admitiu a possibilidade de assumir uma secretaria, com especulações envolvendo as áreas de Infraestrutura, Planejamento e Indústria e Comércio. Até o momento, porém, não há definição oficial.
A eventual participação direta dele no secretariado poderia aproximar as demandas industriais das decisões do Executivo. Isso, contudo, não garante que os investimentos necessários sejam priorizados, especialmente diante das limitações orçamentárias e das diferentes necessidades regionais.
Para Guarapuava, o principal desafio do governo Moro será transformar o diagnóstico dos gargalos em projetos, recursos e resultados mensuráveis. Afinal, a Região já demonstra capacidade produtiva e de atração de investimentos. O que permanece em discussão é se a próxima gestão conseguirá oferecer condições para que essa força econômica se traduza em maior competitividade, empregos e desenvolvimento regional.