22/08/2023
Em Alta Guarapuava Saúde

Guarapuava reforça combate à hanseníase e alerta para diagnósticos tardios

Campanha foca na conscientização sobre os sintomas e destaca que, com tratamento, a doença deixa de ser transmissível logo na primeira dose

Hanseníase (Foto: reprodução/ Freepik)

A Secretaria Municipal de Saúde em Guarapuava promove a campanha ‘Janeiro Roxo’. O objetivo é alertar a população sobre a hanseníase. Trata-se de uma das doenças mais antigas da humanidade, que ainda hoje persiste como um desafio de saúde pública. Isso, devido ao diagnóstico tardio e ao preconceito histórico que a cerca.

Conhecida por séculos como lepra, a hanseníase carrega o peso de ser uma “doença milenar”, com registros que datam de 1550 a.C. no Egito Antigo e relatos em textos bíblicos. Durante a Idade Média, o desconhecimento sobre a cura levava ao isolamento compulsório dos enfermos. Hoje, a ciência esclarece que a doença é causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Desde a década de 1970, o termo foi alterado no Brasil para reduzir o estigma e humanizar o atendimento.

Conforme exposto pela Secretaria de Saúde, os dados epidemiológicos de Guarapuava revelam uma realidade preocupante. Entre 2017 e 2025, o município contabilizou 90 casos da doença. O pico de diagnósticos ocorreu em 2020, com 18 novos registros. Após uma queda em 2021, atribuída ao represamento de exames pela pandemia da Covid-19, os números voltaram a subir. O ano de 2024 fechou com 13 casos e 2025 com 10 notificações.

O ponto de alerta para as autoridades sanitárias é o estágio em que os pacientes chegam aos consultórios. Embora a maioria chegue com “grau zero”, a ocorrência sistemática de casos em “grau dois” (quando já existem deformidades ou perda de funções físicas) aponta que o diagnóstico tardio ainda é frequente.

SINTOMAS E TRATAMENTO

A enfermeira coordenadora do Programa de Hanseníase do município, Larissa Bento de Azevedo, explica que a identificação dos sinais iniciais é a única forma de evitar sequelas permanentes. De acordo com a técnica, o diagnóstico precoce é fundamental para que a pessoa não fique com comprometimento físico e para interromper a transmissão.

A partir do momento que o paciente toma a primeira dose, ele deixa de transmitir a doença.

Os principais sintomas, de acordo com a Larissa, incluem manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas com perda de sensibilidade ao calor, dor ou tato. Também podem ocorrer formigamentos, queda de pelos e diminuição da força muscular em mãos e pés.

O tratamento da hanseníase, conforme a Saúde, ocorre inteiramente pelo SUS, sem necessidade de internação. Pacientes que apresentarem qualquer mancha suspeita devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da casa onde mora. A saúde municipal reforça que o preconceito é hoje um obstáculo tão grande quanto a própria bactéria.

Informar-se é o primeiro passo para a cura.

Embora não haja vacina específica, a aplicação da BCG ao nascimento é uma importante ferramenta de auxílio na proteção contra as formas graves da doença.

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Cristina Esteche

Jornalista

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