22/08/2023
Blog da Cris Paraná

Guto Silva define pilares demográficos para plano

Guto prioriza políticas para idosos e retenção de jovens em um plano que busca equilibrar a continuidade da gestão com a inovação administrativa

Guto Silva (Foto: divulgação)

A estratégia de Guto Silva revela uma movimentação de “antecipação pragmática”, desenhada para resolver o dilema clássico de qualquer sucessor. Como projetar continuidade sem transparecer estagnação? O Secretário das Cidades busca consolidar-se como o herdeiro técnico natural de Ratinho Junior. Para isso, utiliza a capilaridade da pasta que coorodena para pautar o debate sucessório antes mesmo da abertura oficial da campanha.

Uma análise crua do cenário aponta para uma blindagem eleitoral fundamentada em dados demográficos irreversíveis. O foco prioritário na população idosa, amparado pelas projeções do IBGE que apontam a inversão da pirâmide etária paranaense já em 2027, não é apenas uma escolha programática. Trata-se de um cálculo de sobrevivência do Estado. Isso porque, o Paraná envelhece em um ritmo que desafia a velocidade de adaptação da infraestrutura urbana e de saúde. Ao abraçar essa pauta, Guto dialoga com o segmento que mais cresce. E que detém maior assiduidade eleitoral, oferecendo segurança a um núcleo familiar que hoje se preocupa com a longevidade.

Paralelamente, a proposta de “reter os jovens” surge como o contraponto necessário para evitar que o Paraná se torne um “estado-dormitório” de aposentados. Criticamente, o desafio reside em provar que a “replicação de modelos bem-sucedidos” não será apenas uma reciclagem de projetos antigos ou falta de inovação. O risco dessa narrativa é soar como uma gestão de “manutenção” em um momento em que o eleitorado jovem exige rupturas tecnológicas. E pede novas dinâmicas de emprego que transcendam o modelo industrial tradicional.

FIO DA NAVALHA

A estratégia de “continuidade com avanços” caminha, portanto, sobre o fio da navalha. Se Guto Silva se fundir excessivamente à imagem de Ratinho Junior, corre o risco de perder identidade própria e tornar-se vulnerável a eventuais desgastes da atual gestão. Se buscar um distanciamento abrupto para demonstrar inovação, pode fragmentar a base aliada que sustenta sua viabilidade. O esforço atual de focar no planejamento técnico parece ser uma tentativa de deslocar o debate da “paixão política” para a “eficiência administrativa”, tentando esvaziar críticas da oposição através de uma agenda baseada em evidências e soluções de prateleira.

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Cristina Esteche

Jornalista

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