Você já pensou que uma conversa qualquer pode ser a última? Que aquela mensagem recebida todos os dias, quase sem percebermos, pode simplesmente deixar de chegar? Hoje, essa pergunta deixou de ser uma reflexão distante para mim. A morte do meu amigo Rafael Markus trouxe um silêncio onde antes havia uma saudação familiar: “Hola, qué tal?”. Era assim que ele falava comigo diariamente. E é difícil aceitar que uma presença tão habitual agora pertença às lembranças.
Rafael era secretário de Comunicação Social de Guarapuava. Mas hoje não quero falar do secretário. Quero lembrar do amigo, de alguém com quem conversava todos os dias e que fazia parte da minha rotina. Há uma diferença enorme entre lamentar uma perda pública e sentir a ausência de quem estava próximo.
Quem me conhece sabe que tenho opiniões firmes, que não fujo dos debates e que considero a crítica indispensável. Mas há momentos em que nossas disputas parecem pequenas. A política continuará, as divergências também. Os problemas estarão esperando amanhã. Rafael, não.
Nunca gostei da tendência de descobrir virtudes apenas quando alguém parte. Prefiro reconhecer as pessoas em vida, respeitar diferenças e preservar a humanidade das relações. Não é preciso concordar em tudo para cultivar respeito e amizade. Rafael tinha trajetória, convicções e trabalho. Para mim, tinha também um lugar que nenhum cargo poderia definir.
O que mais me inquieta é a confiança que depositamos no amanhã. Conversamos, fazemos planos, adiamos encontros, como se o tempo estivesse garantido. E então somos surpreendidos pela ausência. Percebemos que tantas preocupações eram menores do que imaginávamos e que o essencial estava, muitas vezes, nas coisas mais simples.
Penso na família de Rafael, nos amigos e em todos que sentirão a falta dele. A minha tristeza é a de quem perdeu uma presença cotidiana. Hoje, bastaria ouvir novamente aquele cumprimento, responder como sempre respondi e continuar uma conversa qualquer. Porque são justamente esses pequenos gestos que se tornam insubstituíveis.
Rafael partiu aos 46 anos. Cedo demais. A morte dele me faz pensar que a vida precisa ser maior do que nossas vaidades, nossas disputas e nossas urgências. No fim, nenhum cargo ou conquista se compara ao valor das relações que construímos. Hoje, quero apenas guardar a lembrança do amigo, de uma relação de amizade que começou muitos anos atrás. E da maneira tão particular de começar nossas conversas.
“Hola, qué tal?”, Rafael. Por aqui, hoje, não está tudo bem. Vou sentir sua falta.