Estava lendo uma reportagem da jornalista Mariana Desidério, publicada nesta sexta (30), no UOL, sobre os juros altos e o crescimento da dívida pública. Os números impressionam: Selic em 13,75% ao ano, dívida de R$ 11,1 trilhões e R$ 1,2 trilhão em juros acumulados em 12 meses. Não tenho a pretensão de analisar a economia como especialista. Escrevo numa maneira simplista, resumida, como cidadã, empreendedora e contribuinte, que conhece bem o peso dos impostos e as dificuldades de manter uma empresa funcionando.
Lula foi reeleito, mas os problemas econômicos já estavam postos. Aliás, seriam um desafio para qualquer presidente. Isso não significa ignorar que a dívida cresceu durante o atual governo. Em dezembro de 2022, representava 71,7% do PIB. Em setembro deste ano, chegou a 82,9%. São números que exigem respostas, independentemente de preferências políticas. E há uma questão preocupante: quanto mais caro o governo paga para se financiar, mais difícil fica controlar o endividamento.
Agência Brasil
Mas o Brasil não está sozinho nessa situação. Países desenvolvidos também convivem com dívidas enormes. Nas projeções do Fundo Monetário Internacional para 2026, a dívida pública supera 120% do PIB nos Estados Unidos e se aproxima de 200% no Japão. A diferença é que essas economias possuem condições de financiamento distintas. Por isso, comparar apenas o tamanho da dívida pode enganar. O problema brasileiro não é simplesmente dever muito, mas o custo de carregar essa dívida, a confiança nas contas públicas e nossa capacidade de crescer.
A Previdência Social também precisa entrar nessa conversa. A população brasileira está envelhecendo, o número de benefícios cresce e o sistema enfrenta pressões sobre seu financiamento. A informalidade e as mudanças nas relações de trabalho dificultam a arrecadação de contribuições. Não se trata de responsabilizar aposentados ou desconsiderar a importância da proteção social. Mas ignorar o peso das despesas previdenciárias seria fechar os olhos para uma questão estrutural que precisa ser discutida com responsabilidade.
E ainda temos as incertezas internacionais. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio afetam mercados, energia e comércio, tornando o cenário econômico mais imprevisível. É um complicador para qualquer governo. Mas não explica tudo. O Brasil precisa olhar também para os próprios problemas: produtividade baixa, gastos pouco eficientes, dificuldades de investimento e um sistema tributário que exige muito de quem produz.
Como empreendedora, uma pergunta me acompanha: como fazer a economia avançar com o crédito tão caro? Quem mantém uma empresa sabe o que significa pagar salários, fornecedores, impostos e ainda encontrar recursos para investir. A Previdência precisa ser sustentável, os gastos públicos precisam ser bem administrados e a inflação deve permanecer sob controle. Mas o país também precisa criar condições para que as empresas cresçam e gerem empregos.
O quarto mandato de Lula começa, portanto, com uma equação difícil. Não basta cobrar juros menores, assim como não basta defender cortes de despesas sem avaliar suas consequências. Será preciso enfrentar o desequilíbrio fiscal, revisar prioridades e estimular o crescimento.
Como cidadã e contribuinte, espero menos disputas políticas e mais resultados. Porque o tamanho da dívida preocupa, mas o que realmente importa é a capacidade do Brasil de produzir, gerar riqueza e oferecer um futuro economicamente sustentável.