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DESAFIO

O Brasil deve, paga juros e precisa crescer. Quem vai fechar essa conta?

Lula enfrentará juros altos, dívida crescente e incertezas internacionais, cenário que exige equilíbrio fiscal e medidas para estimular o crescimento

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
6 min de leitura
Taxa de juro alta em ilustração
Taxa de juro alta

Estava lendo uma reportagem da jornalista Mariana Desidério, publicada nesta sexta (30), no UOL, sobre os juros altos e o crescimento da dívida pública. Os números impressionam: Selic em 13,75% ao ano, dívida de R$ 11,1 trilhões e R$ 1,2 trilhão em juros acumulados em 12 meses. Não tenho a pretensão de analisar a economia como especialista. Escrevo numa maneira simplista, resumida, como cidadã, empreendedora e contribuinte, que conhece bem o peso dos impostos e as dificuldades de manter uma empresa funcionando.

Lula foi reeleito, mas os problemas econômicos já estavam postos. Aliás, seriam um desafio para qualquer presidente. Isso não significa ignorar que a dívida cresceu durante o atual governo. Em dezembro de 2022, representava 71,7% do PIB. Em setembro deste ano, chegou a 82,9%. São números que exigem respostas, independentemente de preferências políticas. E há uma questão preocupante: quanto mais caro o governo paga para se financiar, mais difícil fica controlar o endividamento.

Agência Brasil

Mas o Brasil não está sozinho nessa situação. Países desenvolvidos também convivem com dívidas enormes. Nas projeções do Fundo Monetário Internacional para 2026, a dívida pública supera 120% do PIB nos Estados Unidos e se aproxima de 200% no Japão. A diferença é que essas economias possuem condições de financiamento distintas. Por isso, comparar apenas o tamanho da dívida pode enganar. O problema brasileiro não é simplesmente dever muito, mas o custo de carregar essa dívida, a confiança nas contas públicas e nossa capacidade de crescer.

A Previdência Social também precisa entrar nessa conversa. A população brasileira está envelhecendo, o número de benefícios cresce e o sistema enfrenta pressões sobre seu financiamento. A informalidade e as mudanças nas relações de trabalho dificultam a arrecadação de contribuições. Não se trata de responsabilizar aposentados ou desconsiderar a importância da proteção social. Mas ignorar o peso das despesas previdenciárias seria fechar os olhos para uma questão estrutural que precisa ser discutida com responsabilidade.

E ainda temos as incertezas internacionais. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio afetam mercados, energia e comércio, tornando o cenário econômico mais imprevisível. É um complicador para qualquer governo. Mas não explica tudo. O Brasil precisa olhar também para os próprios problemas: produtividade baixa, gastos pouco eficientes, dificuldades de investimento e um sistema tributário que exige muito de quem produz.

Como empreendedora, uma pergunta me acompanha: como fazer a economia avançar com o crédito tão caro? Quem mantém uma empresa sabe o que significa pagar salários, fornecedores, impostos e ainda encontrar recursos para investir. A Previdência precisa ser sustentável, os gastos públicos precisam ser bem administrados e a inflação deve permanecer sob controle. Mas o país também precisa criar condições para que as empresas cresçam e gerem empregos.

O quarto mandato de Lula começa, portanto, com uma equação difícil. Não basta cobrar juros menores, assim como não basta defender cortes de despesas sem avaliar suas consequências. Será preciso enfrentar o desequilíbrio fiscal, revisar prioridades e estimular o crescimento.

Como cidadã e contribuinte, espero menos disputas políticas e mais resultados. Porque o tamanho da dívida preocupa, mas o que realmente importa é a capacidade do Brasil de produzir, gerar riqueza e oferecer um futuro economicamente sustentável.

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