Mãe de preso encontrado morto no cadeião, quer justiça para ‘curar’ a dor

"Primeiramente, minha dor e tristeza é irreparável, meu lado emocional está muito abalado, meus dias e noites não são mais os mesmos", diz

O filho dela foi encontrado morto este ano na Cadeia Pública de Guarapuava (Foto: Larissa Ortiz/RSN)

Atípico, o ano de 2020 tem sido marcado por muitos desafios. Para alguns, um ano triste, carregado e difícil de esquecer. Até porque muitos dos fatos que tornaram os dias cinzentos, em breve estamparão os livros de história. Além da rotina fortemente afetada pela chegada do coronavírus, todos precisamos lidar com as emoções, os tropeços da vida. E convenhamos, que nem sempre é fácil.

Nesta semana, uma mulher, que preferiu não ter o nome divulgado, procurou o Portal RSN, em busca de justiça. O filho dela morreu dentro da Cadeia Pública de Guarapuava. Conforme as informações oficiais, presos chamaram guardas prisionais e informaram que o jovem teria se enforcado em uma das celas da unidade. Entretanto, a mãe diz que o filho foi assassinado. Ele estava preso por tráfico de drogas e era réu primário.

A mãe, que hoje busca na justiça “curar” a dor de perder o filho, fez um relato emocionado. O questionamento dela gira em torno da negligência do Estado na guarda do preso.

Primeiramente, minha dor e tristeza é irreparável, meu lado emocional está muito abalado, meus dias e noites não são mais os mesmos, choro muito e até adoeci.  Meu filho era uma excelente pessoa, querido, amoroso, bom filho, bom pai, excelente profissional. É réu primário, nunca se envolveu em nada e de boa índole. Tinha um belíssimo futuro pela frente, deixou um filho, que chora a perda do pai.  Questiono, quantas mães, assim  como eu, estão chorando pela perda de seu filho, ainda mais da forma ‘brutal’ como aconteceu? Estou sofrendo e dói muito tudo isto.

O Departamento Penitenciário, por meio da chefia da cadeia informou que as investigações estão sendo conduzidas pela Polícia Civil.

“A nossa parte é tentar identificar os possíveis autores, punir e transferir e isso foi feito. Somente depois da finalização das investigações será possível identificar os autores. Identificamos algumas lideranças negativas e transferências foram feitas”.

Galerias sofrem com a ação do tempo (Foto: Depen)

CADEIA

Neste ano, cinco presos foram encontrados mortos dentro da unidade. Todos nas mesmas condições. Enforcamento. O último registro de morte foi no dia 18 de agosto. Desse modo, uma investigação do Gaeco, cumpriu, no dia 20 de agosto, 54 mandados de prisão e 32 de busca e apreensão para identificar possíveis envolvidos nas mortes. Porém, não há informação sobre o andamento das investigações.

Desse modo, a cadeia enfrenta um período crítico, superlotada e castigada pelo tempo, o Departamento Penitenciário tem tido muito trabalho para manter a ordem. Uma prova disso, é que em 20 dias do mês de novembro, houve 11 situações de fuga. Deste total, guardas prisionais frustraram 10 tentativas. Somente uma teve êxito.

Por fim, enquanto aguarda por justiça, os dias seguem cinzas.

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