Manvailer nega feminicídio e diz que não é um assassino

Réu não respondeu a maioria das perguntas da juíza, do MP e dos auxiliares de acusação. Depoimento de duas testemunhas, no entanto, foi destacado por Manvailer como fundamentais ao caso

Advogados durante a audiência (Foto: Nádia Mocelin/RSN)

Durante o interrogatório do réu Luís Felipe Manvailer ocorrido na tarde desta quinta feira (21) o acusado falou à juíza Paola Mancini por menos de 15 minutos. No Fórum da Comarca de Guarapuava, ele iniciou seu depoimento declarando ser inocente.

“Eu sou inocente, eu não matei a minha esposa, eu não sou um assassino. Sempre falei a verdade desde que fui preso em São Miguel do Iguaçu”, disse Manvailer.

No interrogatório, o réu citou também as informações repassadas por duas testemunhas compreendidas por ele como importantes no caso, se referindo a vizinha do casal, Roberta Kelly Alves da Silva, que depôs em São Mateus, no Espírito Santo na tarde de ontem (20) e a outro vizinho que não teve o nome divulgado, e que morava em frente ao prédio do casal na época da morte de Tatiane Spitzner. Segundo ele, algumas testemunhas também teriam mudado depoimentos por influência da família Spitzner, mas não deu detalhes quando questionado sobre.

Segundo o réu, estes depoimentos relatam gritos de Tatiane durante a queda, contrapondo o fato da vítima ter sido morta antes de cair da sacada.

As demais perguntas feitas pela juíza Paola Mancini, tais como sobre o relacionamento do casal, fatos ocorridos no dia da morte de Tatiane ou detalhes sobre a queda da advogada não foram respondidas pelo réu.“Exerço meu direto de permanecer em silêncio conforme orientação dos meus advogados”.

O promotor do Ministério Público (MP) Pedro Papaiz, questionou o réu sobre os demais crimes pelos quais ele é acusado, como o crime de fraude processual, a qual ele também não respondeu.

“O Ministério Público não tinha grande expectativa para a audiência de hoje. A conduta do Luis Felipe sempre foi de tentar garantir a impunidade dele. Limpar as marcas de sangue, recolher o corpo da vítima, fugir para o Paraguai. A audiência de hoje foi uma prova disso”, disse o promotor Pedro.

Questionamentos do advogado Gustavo Britta Scandelari, auxiliar de acusação, também não foram respondidos durante a audiência.

“Fomos surpreendidos pela postura do réu porque achamos que ele faria alguns esclarecimentos, mas não ocorreu. Utilizou seu direito de permanecer calado, todo acusado tem esse direito e foi o que ele usou”.

Agora, o advogado auxiliar de acusação tenta o acesso ao aparelho telefônico do réu para ter acesso aos dados e mensagens pessoais de Manvailer. A decisão cabe a defesa para liberar a franquia de acesso ou não.

Adriano Bretas, advogado de Manvailer, destacou que o principal ponto da audiência de hoje é o teor de fala de duas testemunhas que compõem o processo e que foram lembradas pela fala do réu à juíza.

“Esse é o grande ponto que precisa ficar em destaque, existiram gritos enquanto Tatiane caia. O silêncio que o acusado exerceu é um direito, não pode ser interpretado como um ponto negativo ou contra ele. Esse conjunto de elementos dados por duas testemunhas nos fazem crer que Luís Felipe Manvailer não matou Tatiane Spitzner”, disse.

Agora, o processo terá abertura para alegações finais de defesa e acusação. Posteriormente, a juíza Paola Mancini decidirá se o réu vai a Júri Popular ou não.

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