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Moro mantém suspense sobre secretariado, mas nomes movimentam os bastidores

Enquanto o secretariado segue indefinido, articulações políticas e possíveis mudanças na estrutura do governo movimentam os bastidores do Paraná

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
6 min de leitura
Moro mantém suspense sobre secretariado, mas nomes movimentam os bastidores

A eleição terminou, mas outra disputa já movimenta os bastidores da política paranaense: a composição do futuro governo de Sergio Moro (PL). Com a vitória no primeiro turno, o governador eleito começa a enfrentar o desafio de conciliar critérios técnicos, compromissos políticos e a necessidade de construir uma base de sustentação na Assembleia Legislativa.

Por enquanto, há mais especulações do que anúncios oficiais. Moro tem sido discreto sobre o secretariado e sinalizou, ainda timidamente, a possibilidade de o vice-governador eleito, Edson Vasconcelos (PL), assumir uma pasta. A mais cotada seria a Secretaria de Infraestrutura e Logística, anteriormente comandada por Sandro Alex (PSD), adversário de Moro na eleição.

A eventual escolha de Vasconcelos, ligado ao setor produtivo e ex-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), indicaria uma aproximação estratégica com o empresariado, especialmente em áreas como obras, logística e investimentos.

Outro nome que começa a ganhar espaço nas conversas é o da deputada federal Rosângela Moro (PL), mulher do governador eleito. Inicialmente lembrada para Educação ou Saúde, ela também aparece entre as possibilidades para a área de Assistência Social. Nenhuma indicação foi confirmada.

Na Saúde, uma das especulações envolve Camila Girardi Fachin, vice-reitora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e filha do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. Médica e professora universitária, Camila atua na área de cirurgia pediátrica e possui trajetória ligada ao Hospital de Clínicas da UFPR.

O nome dela aparece nas listas informais para comandar a Secretaria de Estado da Saúde, embora não haja confirmação.

O deputado estadual Fabio Oliveira (Novo), de Guarapuava, também aparece entre os nomes lembrados para integrar o primeiro escalão. Nos bastidores, a possibilidade estaria relacionada a uma eventual reorganização administrativa envolvendo as áreas de Ciência e Tecnologia, Inovação e Indústria e Comércio.

A hipótese considera uma fusão ou integração de estruturas hoje distribuídas entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial, comandada por Alex Canziani, e a Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços.

A articulação, ainda no campo das especulações, estaria alinhada ao discurso de Moro de reduzir o número de secretarias e concentrar áreas com atividades complementares. Não há, entretanto, anúncio oficial sobre a fusão ou eventual indicação de Fabio Oliveira.

O PRIMEIRO TESTE POLÍTICO DE MORO

Moro prometeu reduzir o número de secretarias e priorizar escolhas técnicas. A intenção, entretanto, terá de conviver com a realidade política. O governador eleito precisará de apoio na Assembleia, diálogo com prefeitos e espaço para alianças que garantam governabilidade.

Reduzir a estrutura administrativa significa também diminuir cargos disponíveis para acomodações políticas. E é justamente nessa equação que começam os desafios.

O silêncio de Moro pode ser estratégia para conter pressões ou sinal de que as negociações ainda estão abertas. Seja qual for a razão, as primeiras nomeações revelarão muito sobre o perfil do próximo governo.

Afinal, a composição de um secretariado não mostra apenas quem terá poder. Mostra também quais compromissos políticos serão priorizados e até onde vai a promessa de uma gestão essencialmente técnica.

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