Tem uma coisa curiosa acontecendo na política nesta semana. Todo mundo parece estar tentando recuperar alguma coisa. Donald Trump, o controle político. Carla Zambelli, dinheiro. Cristina Kirchner, influência. E Santiago Peña, no Paraguai, a confiança abalada por uma crise bancária. No fundo, todos enfrentam dificuldades com a mesma moeda: credibilidade.
Nos Estados Unidos, Trump descobriu que dominar manchetes não significa controlar as urnas. A derrota republicana nas eleições de meio de mandato mostrou que discursos grandiosos nem sempre resistem ao preço do supermercado. O eleitor pode até comprar uma narrativa, mas continua pagando suas próprias contas. Trump permanece na Casa Branca, agora diante de um Congresso de oposição.
No Brasil, Carla Zambelli decidiu recorrer às redes sociais para arrecadar dinheiro. A vaquinha revela uma curiosa transformação da militância: antes, o eleitor financiava campanhas; agora, também é convidado a bancar as dificuldades pessoais de seus representantes. Solidariedade é um direito. Mas responsabilidade pelas próprias escolhas continua sendo uma obrigação.
Na Argentina, Cristina Kirchner aposta na organização digital para enfrentar Javier Milei. Mesmo em prisão domiciliar, articula a mobilização do chamado Exército do Peronismo, inspirado em estratégias brasileiras. A política latino-americana parece cada vez mais preocupada em conquistar algoritmos. Resta saber se essa guerra virtual produzirá respostas para problemas que continuam muito reais.
No Paraguai, a questão do crédito é literal. A intervenção no Ueno Bank, com cerca de três milhões de clientes, provocou protestos e colocou o governo Santiago Peña sob pressão. Antigas relações empresariais do presidente com o grupo controlador levantaram questionamentos, sem comprovação de envolvimento em irregularidades. O Brasil, maior investidor estrangeiro no país, com aproximadamente US$ 2,2 bilhões aplicados na economia paraguaia, acompanha os desdobramentos. Não há confirmação de perdas brasileiras.
Mas o que une essas histórias? Trump busca recuperar força política, Zambelli transforma apoio em financiamento, Kirchner reorganiza seguidores e Peña enfrenta cobranças sobre a segurança do dinheiro público. Situações diferentes que expõem uma característica da política contemporânea: a tentativa permanente de converter popularidade em poder, influência ou recursos.
Nunca foi tão fácil conquistar audiência, mobilizar seguidores e transformar indignação em engajamento. Mas nenhuma dessas habilidades substitui resultados, responsabilidade e transparência.
No fim, a política está parecida com um banco: todo mundo quer movimentar confiança, mas poucos gostam de discutir as garantias.