Operação apreende 153 cobras peçonhentas em casa de Mandaguari

As 152 cascavéis e uma jararaca foram entregues de forma voluntária pelo morador e vão para o Biotério da Secretaria Estadual de Saúde

Operação apreende 153 cobras peçonhentas em casa de Mandaguari (Foto: Sedest/Polícia Ambiental)

Técnicos do Instituto Água e Terra de Maringá, em conjunto com a Polícia Ambiental e Secretaria Estadual da Saúde, fizeram uma operação nesta quarta (29) para recolher 153 cobras peçonhentas que eram mantidas em uma residência de Mandaguari, na Região Noroeste do Paraná. A ação foi organizada após notícias divulgadas relatando que o morador mantinha 152 cobras cascavéis (52 adultos e 100 filhotes) e uma jararaca na residência.

De acordo com a Agência Estadual de Notícias, as cobras eram recolhidas a pedido dos moradores, já que na Região a presença desses animais em residências é bastante comum.

Conforme a bióloga e chefe do setor de Fauna do Instituto Água e Terra, Paula Vidolin, o órgão ambiental reconhece o auxílio prestado pelo cidadão. Entretanto, ela reforça que a atividade de resgate e a manutenção desses animais silvestres não pode ser feita sem a devida autorização. “Cobras peçonhentas são as que têm capacidade de inocular veneno e representam risco em acidentes pela picada. O veneno ocasiona diversos sintomas e pode matar caso não haja tratamento adequado”.

De acordo com o capitão da 3ª Companhia da Polícia Ambiental da região, Luciano José Buski, o morador de Mandaguari fez a entrega voluntária das cobras e a intenção não era praticar maus-tratos. “Quando acontece a entrega voluntária o cidadão não é enquadrado administrativa e nem criminalmente. A ação contou com a presença de um médico veterinário que constatou que a saúde dos animais está em ótimas condições”.

Assim, para assegurar a segurança do morador, da família e das cobras, os técnicos fizeram as devidas orientações para que não haja mais ações deste tipo.

(Foto: Sedest/Polícia Ambiental)

PERIGO

Os animais foram retirados em virtude de serem mantidos em local inadequado (dentro de um caixão), sem segurança e com grandes chances de causar acidentes gravíssimos. Acidentes que podem inclusive levar à morte. Além disso, o morador não tinha licença ambiental para manter e reproduzir animais silvestres em cativeiro.

Segundo Paula Vidolin, cabe relembrar que nas últimas semanas, em Brasília, um estudante de veterinária de 22 anos entrou em coma após ser picado por uma espécie de serpente peçonhenta. “Uma naja, extremamente venenosa que mantinha em cativeiro irregular”.

GÊNEROS

As serpentes apreendidas na operação pertencem aos gêneros Bothrops (jararaca) Crotalus (cascavel) e representam, respectivamente, 70% e 11% dos acidentes ofídicos no Paraná. Os acidentes com cascavéis apresentam os maiores coeficientes de letalidade, entre todos os acidentes pela frequência com que evoluem para insuficiência renal aguda.

(Foto: Sedest/Polícia Ambiental)

SEM AUTORIZAÇÃO

O Instituto Água e Terra não emite autorização para criação de cobras peçonhentas como animais de estimação. A criação ou manutenção em cativeiro e a produção de soro antiofídico sem a permissão legal, configura-se crime previsto em lei, além de gerar multa e apreensão dos animais.

Assim, conforme o Instituto, cobras peçonhentas só podem ser criadas para fins comerciais no caso de instituições com objetivo de pesquisa e produção de soro. ou ainda, com intuito de conservação quando o animal não pode voltar à natureza. Para isso, o interessado deve solicitar autorização ao órgão ambiental estadual e seguir o regramento estabelecido para a criação, manutenção e controle do plantel.

DESTINAÇÃO

As serpentes recolhidas serão encaminhadas ao Biotério do Laboratório de Taxonomia Animal da Secretaria Estadual de Saúde para avaliação, identificação e destinação adequada. O Programa Estadual de Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos monitora a presença dos peçonhentos.

Conforme Emanuel Marques da Silva, biólogo e chefe da Divisão de Zoonoses e Intoxicações da Secretaria da Saúde, os animais serão indicados para instituições parceiras em pesquisa e produção de soros antipeçonhentos, como o Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), também da Secretaria.

“Além disso, vamos intensificar a capacitação do manejo destes animais juntos à Vigilância Ambiental dos municípios”.

(Foto: Sedest/Polícia Ambiental)

CRIME AMBIENTAL

Animais silvestres nunca devem ser comercializados, reproduzidos e mantidas em cativeiro sem a autorização ambiental. Quem fizer isso, pode ser enquadrado no Artigo 29 da Lei nº 9605/98 de Crimes Ambientais. Pena prevista de detenção de 6 meses a 1 ano e multa de R$ 500 por animal (se não estiver na lista de extinção).

Todos os animais, inclusive as cobras, participam ativamente do equilíbrio ecológico e são de grande utilidade no controle de pragas. Assim, aprender a conviver em harmonia com os animais, respeitando os ecossistemas, os hábitos e comportamento natural é uma das formas de garantir a manutenção do equilíbrio do meio ambiente e de evitar graves acidentes. A pessoa que se depara com esse tipo de animal pode procurar a Secretaria de Saúde local. Além disso, os órgãos ambientais competentes da Região.

COMO AGIR EM CASO DE ACIDENTES

O Programa Estadual de Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos atua com acompanhamento das ocorrências notificadas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). E também no monitoramento da distribuição de soroterápicos em todo o Estado. De forma exclusiva, também faz a vigilância da distribuição dos animais peçonhentos, atendendo a demanda da população, identificando e informando sobre quem são as espécies encontradas nas casas.

O Programa também alerta para os riscos em caso de acidentes e quais medidas devem ser tomadas para evitar a presença destes animais em torno das residências. No Laboratório de Taxonomia de Animais, são identificados milhares de exemplares por ano, provenientes de todo o Estado. No Biotério, os exemplares capturados vivos são mantidos em condições adequadas, até poderem ser destinados para instituições parceiras. Entre elas, o Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos na produção de soros antipeçonhentos, ou para pesquisas biológicas.

O número de acidentes varia com o tipo de serpentes, sendo que são as jararacas que mais causam picadas. A gravidade de cada acidente está relacionada a diversos fatores, como a quantidade de veneno injetada, estado de saúde do acidentado, local da picada e idade do paciente.

(Foto: Sedest/Polícia Ambiental)

ORIENTAÇÃO

Em caso de acidentes, o paciente nunca deve fazer nada. Somente lavar o local da picada e elevar o membro atingido. Qualquer outra atitude pode complicar mais ainda o quadro do envenenamento. Em seguida, buscar o hospital mais próximo para receber o atendimento necessário. Por fim, para mais informações em caso de acidentes, anote o telefone do Centro de Controle de Envenenamentos. É o 0800 41 0148 (plantão 24 horas).

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