Paraná terá vacina até março de 2021, anuncia Ratinho Junior

Entretanto, o governador afirmou que a decisão será técnica e que não fará da vacina um programa eleitoral

Paraná terá vacina até março de 2021, anuncia Ratinho Junior (Foto: RSN)

O governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou nesta sexta (11), que o Paraná está preparado para a vacinação contra a covid-19. Entretanto, disse que não fará da vacina um programa eleitoral. ‘Trata-se de uma decisão técnica. Vamos seguir o Plano Nacional de Imunização”.

De acordo com Ratinho Junior, o Paraná terá vacina, prevista para chegar até março de 2021, seguindo o alinhamento com o Ministério de Saúde. “Não vamos transformar a população paranaense em cobaia. Só vamos utilizar a vacina liberada pela Anvisa”.

Assim sendo, o governador anunciou que a imunização priorizará, inicialmente, profissionais da saúde e pessoas com idade acima de 80 anos e quem vive em asilos. Para isso, ele assegurou que a Secretaria de Saúde, está preparando a logística para a vacinação. “Estamos comprando câmeras frias, agulhas, seringas”. Conforme o secretário de Saúde, Beto Preto, o Paraná possui cerca de 250 mil profissionais de saúde.

CRÍTICAS

Afirmações feitas pelo governador Ratinho Junior, porém, soam como uma crítica velada ao impasse entre o governo de São Paulo e o governo federal. Ocorre que no dia 1° de dezembro, o governo federal divulgou a estratégia preliminar para a vacinação no país. Entretanto, no calendário apresentado, a CoronaVac não é citada pelo Ministério da Saúde.

Em outubro, o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, chegou a anunciar em uma reunião virtual com mais de 23 governadores, a compra do imunizante. Contudo, em menos de 24 horas depois, a aquisição foi desautorizada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Todavia, o governo de São Paulo disse na segunda (7) que o plano de vacinação com a CoronaVac começa no dia 25 de janeiro de 2021. O primeiro grupo a receber a vacina contra o coronavírus engloba profissionais de saúde, indígenas e quilombolas de todo o estado.

Produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, a vacina ainda está na terceira fase de teste. Entretanto, a eficácia precisa ser comprovada antes de ser liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A previsão do governo de São Paulo é a de que os documentos sobre a Coronavac sejam entregues à Anvisa no dia 15 de dezembro.

CARTA ABERTA

Na segunda (7) a Sociedade Brasileira de Bioética cobrou o Governo do Paraná tratativas para a compra de vacinas.

Leia a íntegra:

“Considerando o momento de grave emergência de saúde pública que o Estado do Paraná enfrenta em função da Pandemia da COVID-19 e as consequências desta doença, entre as quais, a perda de vidas, a interrupção de projetos pessoais e profissionais, o comprometimento da economia e o aumento das desigualdades no País, nos manifestamos.

A perspectiva de um cenário sem vacina segura e eficaz é extremamente preocupante, pois os efeitos da Pandemia poderão se prolongar por muito do tempo. Apesar dos esforços do Governo do Estado do Paraná no sentido de destinar recursos para a parceria de desenvolvimento de vacina com o Centro Nacional de Investigação de Epidemiologia e Microbiologia – Instituto Gamaleya, esta vacina está em fase bastante inicial de pesquisa e ainda deverá obedecer a todas as normativas de pesquisa da Comissão de Ética em Pesquisa – CONEP, bem como da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, para que obtenha a sua aprovação.

Sabe-se que há outras vacinas em final de Fase III de pesquisa e com processo de solicitação de aprovação bastante avançado, nesse caso, acreditamos que o Estado do Paraná poderia considerar também adquiri-las para compor um Plano de Vacinação.

Entendemos que o imperativo ético de proteção à vida requer a tomada de decisões responsáveis e assertivas, bem como a correta e necessária reflexão sobre o balanço entre riscos e benefícios. Observa-se, por um lado, o direito ao acesso às vacinas por todos os Estados e Nações e, por outro, o fato de que na prática esse direito está comprometido em função de uma corrida internacional pelas vacinas. De fato, há incertezas geradas pela falta de ação coordenada do Governo Federal em relação a um Plano Nacional de Imunização, bem como os obstáculos gerados por interesses outros que não os de saúde pública em relação à produção de vacinas.

Por fim, considerando a necessidade ética e moral de que as políticas de Estado estejam sempre a serviço da vida, manifesta-se a Sociedade Brasileira de Bioética – Regional do Paraná, no sentido de conclamar Vossa Excelência e sua equipe de governo para que, de modo célere, dê início às tratativas o. De modo que assim a imunização contra o coronavírus possa vir a ser disponibilizada de modo gratuito, justo, abrangente e com a brevidade possível, à toda população paranaense que precisa e deseja se proteger contra esta enfermidade.
Acreditamos que tal movimento seria uma demonstração de prudência e empatia deste governo para com o seu povo, redundando na prevenção de casos mais graves e mortes, na normalização do sistema de saúde, e na retomada do crescimento econômico, medidas estas tão necessárias para diminuir as desigualdades sociais que provocam indignação e sofrimento.

Sociedade Brasileira de Bioética – Regional do Paraná (SBB-REG.PR)”

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