Pesquisa paranaense avalia sequelas nos recuperados da covid-19

O trabalho teve início em outubro e consiste na avaliação da funcionalidade e da qualidade de vida de 175 pacientes com diagnóstico positivo

175 pacientes participam da pesquisa (Foto: Jaelson Lucas/ANPr)

Uma equipe de professores e estudantes do Departamento de Fisioterapia do Centro de Ciências da Saúde (CCS), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), está desenvolvendo pesquisa inédita sobre sequelas de pacientes que tiveram covid-19. A análise vai apontar os impactos diretos na recuperação.

De acordo com as informações, o trabalho teve início em outubro. E ainda consiste na avaliação da funcionalidade e da qualidade de vida de 175 pacientes com diagnóstico positivo no município de Londrina. Desse modo, o contato ocorre por meio do WhatsApp com envio do questionário na plataforma Google Forms.

O projeto “Avaliação clínica funcional e qualidade de vida de pacientes após um, dois, seis e 12 meses do diagnóstico de infecção por Sars-CoV-2 no município de Londrina-PR” é uma iniciativa de três professoras e de 11 estudantes do curso de Fisioterapia da UEL. Além disso, conta com parceria de um fisioterapeuta e uma enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina.

Conforme a professora Celita Salmaso Trelha, o questionário busca levantar o estado funcional pós-covid-19. Além das dificuldades dos pacientes em desempenhar atividades do dia a dia, como o cuidado pessoal, condições de mobilidade e de locomoção. De acordo com ela, a literatura e a experiência clínica profissional apontam que entre os sintomas comuns pós-covid estão fadiga, dispneia, dores musculares e nas articulações. E ainda, redução do paladar e do olfato, assim como ansiedade.

CARTILHA

Além de ter acesso a um diagnóstico completo, o paciente recebe uma cartilha com orientações e exercícios, elaborada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e traduzida pelas professoras que integram o projeto. A cartilha traz informações sobre o controle de falta de ar. Além de problemas de voz e como lidar com as consequentes mudanças de humor, ansiedade e estresse. “Conhecendo os sintomas e as funcionalidades é possível apontar as melhores estratégias para o enfrentamento e a recuperação”.

Ainda conforme a professora, a proposta é avaliar os pacientes até o próximo ano. Uma vez que a covid-19 representa uma doença muito nova, que acomete pessoas de formas distintas e com alto grau de transmissão. “Por isso entendemos que a pesquisa é fundamental”. Desse modo, a professora orienta os pacientes que receberem o questionário no WhatsApp a colaborarem com o retorno, até para terem acesso às informações sobre o tratamento e acompanhamento adequado.

Ainda de acordo com Celita Salmaso Trelha, além da gravidade respiratória provocada pela doença, pacientes podem ter disfunções em diferentes sistemas orgânicos que impactam diretamente na recuperação. Por fim, ela diz que a literatura e a experiência clínica demonstram que esses sintomas podem persistir por meses após a alta médica. Porém, são possíveis de serem superados com fisioterapia e tratamento adequados.

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