22/08/2023
Em Alta Guarapuava Segurança

Primeira turma de policiais militares mulheres de Guarapuava completa 30 anos

Das 41 mulheres que iniciaram o curso em 1996, 39 se formaram e cinco seguem na ativa. Cabo Losanja Gonzales, hoje na reserva remunerada, relembra a trajetória de quem abriu caminho num batalhão até então só masculino

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Turma feminina do 16º BPM (Foto: PMPR)

Há 30 anos, em 15 de agosto de 1996, Guarapuava formava a primeira turma de policiais militares mulheres do município — e a última turma exclusivamente feminina do Paraná, já que os concursos seguintes passaram a ser mistos. Das 41 mulheres que começaram o curso, 39 concluíram a formação em fevereiro de 1997. Três décadas depois, cinco delas ainda estão na ativa.

Uma das integrantes daquela turma pioneira, a cabo Losanja Gonzales, hoje na reserva remunerada, conta que o desafio começou antes mesmo da primeira patrulha: era preciso provar capacidade num ambiente 100% masculino. “Durante o período de formação, tínhamos que provar que éramos capazes de fazer tudo que o masculino fazia, e que poderíamos assumir todas as funções exercidas por eles”, diz.

Conforme Losanja, impor respeito nas ocorrências era tão parte do trabalho quanto o próprio policiamento, num período em que a estrutura do batalhão ainda não estava adaptada à presença feminina. “As estruturas do Batalhão foram sendo adequadas com o tempo”, afirma. Apesar das dificuldades, ela descreve a experiência como recompensadora. “Ultrapassamos obstáculos que nós mesmas não sabíamos se éramos capazes, e isso nos traz uma satisfação enorme.”

O grupo que ingressou como soldado em 1996 acabou avançando dentro da corporação. Parte da turma chegou a oficial, e o posto mais alto alcançado por uma delas foi o de tenente-coronel. Para Losanja, o percurso reforça o valor simbólico da conquista: “Todas começaram na base, como soldados.”

Losanja, mãe atípica, hoje preside a Associação Guarapuavana Mundo Azul (Foto: Reprodução/RSN Entrevista)

PRESENÇA FEMININA AINDA CRESCE, MAS BARREIRAS PERSISTEM

Losanja não soube precisar quantas mulheres integram hoje o efetivo do batalhão em Guarapuava, mas afirma que a presença feminina já é marcante na cidade, com oficiais no comando de alguns setores. Na avaliação dela, o reconhecimento em relação ao trabalho equivalente ao masculino avançou, embora barreiras ainda existam. A principal, hoje, segundo ela, não está mais na farda: “A dificuldade de todas as mulheres em qualquer área, no meu ponto de vista, ainda continua sendo a sobrecarga. De ser mãe, dona de casa, esposa e ainda no trabalho ser cobrada de forma igual ao trabalho masculino.”

“Um sentimento de dever cumprido”

Ao olhar para trás, Losanja resume a trajetória como um privilégio. “Fiz parte de uma turma que fez a diferença na história da segurança pública em Guarapuava, um sentimento de dever cumprido”, diz. Ela lembra também da recepção de mulheres mais velhas que, segundo conta, sonharam em vestir a farda, mas não tiveram autonomia para seguir esse caminho.

“Gratidão por cada olhar de admiração que recebemos. Principalmente das mulheres mais idosas, que também tinham o sonho de usar uma farda, mas por não ter autonomia de decidir a própria vida, desistiram de seus sonhos.”

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 [email protected]

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