Produtor do RS vence 11ª edição do Desafio CESB de produtividade de soja

Recorde permanece com Marcos Seitz, de Guarapuava, que alcançou a marca de 149,08 sacas/hectare

Maurício de Bortoli foi campeão com 123,88 sacas/hectare (Foto: Henrique Campinha/Divulgação CESB)

O produtor gaúcho Maurício de Bortoli, da cidade de Cruz Alta (RS), é o grande campeão da 11ª edição do Desafio CESB de Máxima Produtividade de Soja. Ele alcançou a média de 123,88 sacas de soja por hectare na safra 2018/2019, o que representa mais do que o dobro da média nacional, que é de 53,4 sc/ha na safra 2018/2019, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Esse foi o primeiro ano da história do concurso do Comitê que o grande campeão nacional veio de plantio em uma área irrigada. Para conseguir alta produtividade, Bortoli revela que investiu no manejo agronômico, com a escolha de uma cultivar com características genéticas e fisiológicas compatíveis com o solo e com o clima do local onde fez o plantio.

Os irmãos Maurício e Eduardo de Bortoli (Foto: Henrique Campinha/Divulgação CESB)

“Como sou produtor de sementes, tive um cuidado e atenção no controle de pragas e doenças que pudessem impactar em redução da produtividade e da qualidade do produto final”, afirma o campeão.

O produtor gaúcho relata que enfrentou dificuldades com o clima, com chuvas fortes entre outubro e novembro de 2018, o que causou prejuízos ao solo e atraso na semeadura. Logo após veio a falta de chuvas em dezembro e em fevereiro, com a estiagem chegando até a 23 dias.

RECORDE DE GUARAPUAVA

Mesmo sendo o vitorioso este ano, o produtor gaúcho não bateu o recorde conquistado pelo produtor Marcos Seitz, de Guarapuava, que alcançou a marca de 149,08 sc/ha e venceu a edição de 2016/2017 do Desafio. O campeão da última edição (2017/2018) foi Gabriel Bonato, de Sarandi (RS), que alcançou 127,01 sc/ha.

(Foto: Divulgação)

O Fórum promovido anualmente tem por objetivo revelar os números recordes de alguns dos melhores sojicultores e consultores do Brasil, que ao longo de dez anos de história do Desafio, demonstraram crescimentos em produtividade acima da média nacional.

“A cada safra o produtor compra a ideia desafiar a si próprio e de entender seu ambiente de produção, buscando produzir cada vez mais soja por unidade de área. Isso tudo destaca uma das premissas do Desafio, que é promover a produção sustentável da oleaginosa”, pontua Luiz Antonio Silva, diretor executivo do CESB.

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

A premiação foi nesta terça (18) em Londrina, e contou com cerca de 500 convidados, entre profissionais da área, representantes comerciais do agronegócio, empresas e agricultores. A convite do CESB – Comitê Estratégico Soja Brasil, o Portal RSN esteve entre os meios de comunicação presentes, para a cobertura do Fórum Nacional de Máxima Produtividade, organizado pelo Comitê.

PRODUTIVIDADE COM SUSTENTABILIDADE

Desde 2008, o Fórum revela os resultados alcançados pelos sojicultores brasileiros, demonstrando que é possível aumentar a produtividade sem aumentar a área, seguindo os preceitos de sustentabilidade e rentabilidade.

“Esse índice alcançado pelo campeão do Desafio é uma amostra do potencial que a produção brasileira de soja possui, o que vem fazendo com que o País cresça no setor e se firme como um dos principais fornecedores de soja do mundo”, afirmou o presidente do CESB, Leonardo Sologuren.

Leonardo Sologuren, presidente do CESB (Foto: Henrique Campinha/Divulgação CESB)

Nesta 11ª edição do Desafio, o Comitê recebeu quatro mil inscrições, atingindo 11,5% das áreas plantadas de soja do Brasil, o que representa 4,14 milhões de hectares. No total, o Brasil conta com cerca de 36 milhões de hectares cultivados com a oleaginosa. O CESB também fez um número recorde de auditorias, chegando a 863 neste ano, contra 597 no ano passado. Em dez anos, são mais de três mil auditorias.

CAMPEÕES REGIONAIS

REGIÃO SUL

Propriedade da Família Tolotti, da cidade de Erval Seco/RS, conseguiu colher 123,50 sacas/hectare(Foto: Henrique Campinha/Divulgação CESB)

O segundo lugar e o título de maior produtor em uma área não irrigada (sequeira) foram também para o Rio Grande do Sul. A propriedade da Família Tolotti, da cidade de Erval Seco, conseguiu colher 123,50 sacas/hectare, se consagrando ainda como a campeã da categoria sequeiro na Região Sul.

Rafael Tolotti, da família vice-campeã, explica que seguiu todos os fatores que levam ao sucesso da produção, como uma cobertura do solo, semente de qualidade, semeadura na hora certa, boa plantabilidade, manejo de doenças e pragas. “Quando apenas um dos fatores não sai como o planejado, há perdas significativas”, alerta.

REGIÃO SUDESTE

Matheus Grossi Terceiro, da cidade de Patrocínio (MG), que colheu 110,45 sacas/hectare (Foto: Henrique Campinha/Divulgação CESB)

Já o campeão da categoria sequeira na Região Sudeste foi Matheus Grossi Terceiro, da cidade de Patrocínio (MG), que colheu 110,45 sacas/hectare. Para chegar a esse patamar de produtividade, o produtor também teve de enfrentar desafios como a instabilidade do clima, que foi o grande vilão da safra 2018/2019 da soja.

“No começo do ciclo houve períodos com grandes volumes de água e vários dias nublados, com baixa luminosidade, prejudicando o crescimento vegetativo da planta. No período da colheita ocorreram chuvas, que prejudicaram a qualidade (peso e sanidade) dos grãos”.

REGIÃO CENTRO-OESTE

Fazenda Reunidas de Rio Verde (GO), se consagrou campeão, com a produção de 108,74 sacas/hectare (Foto: Henrique Campinha/Divulgação CESB)

Na Região Centro-Oeste, categoria sequeiro, o grupo Fazenda Reunidas de Rio Verde (GO), se consagrou campeão, com a produção de 108,74 sacas/hectare. Alexandre Baungart, CEO do grupo, disse que o preparo do solo fez a diferença para conquistar esse alto índice de produtividade.

“Para reestruturar o solo e realizar o aporte de matéria orgânica foi plantado [capim] panicum nas últimas três safras e milho safrinha em 2018. Esse capim possibilitou a entrada de boi na sequência, aumentando a performance do uso da terra”, conta.

REGIÃO NORTE-NORDESTE

Com 96,86 sacas/hectare, João Gorgen se destacou na Região Norte-Nordeste (Foto: Henrique Campinha/Divulgação CESB)

O Estado da Bahia trouxe o campeão da categoria sequeiro na Região Norte-Nordeste. Com 96,86 sacas/hectare, João Gorgen se destacou. O produtor costuma fazer as alternâncias de safras utilizando o milho Santa Fé a cada quatro safras e o milheto no período pós-soja. “Temos o algodão no sistema também, que favorece o aumento de fertilidade dos nossos solos”, revela.

CESB

O CESB é uma entidade sem fins lucrativos, formada por profissionais e pesquisadores de diversas áreas, que se uniram para trabalhar estrategicamente e utilizar os conhecimentos adquiridos nas suas respectivas carreiras e vivências, em prol da sojicultura brasileira.

O CESB é qualificado como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), nos termos da Lei n° 9.790, de 23 de março de 1999, conforme decisão proferida pelo Ministério da Justiça, publicada no Diário Oficial da União de 04 de dezembro de 2009. Atualmente, o CESB é composto por 23 membros e 25 entidades patrocinadoras.

 

 

 

 

 

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