22/08/2023

Simepar investiga possíveis tornados no Centro-Sul do Paraná

Boletim de tempo severo já apontava risco elevado para a região. Granizo e vendaval atingiram quase 500 casas e deixaram mais de 1,5 mil pessoas afetadas

Casas ficaram destruidas na Comunidade de Imbu, em Reserva (Foto: Prefeitura de Reserva)

A Região Centro-Sul do Paraná pode ter registrado dois ou mais tornados em menos de 72 horas. O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) enviou equipes a Reserva para investigar danos ocorridos no domingo (28), enquanto meteorologistas também avaliam imagens de um fenômeno registrado na tarde de terça (30) em Inácio Martins e dados de outras cidades. Os episódios fazem parte de uma sequência de tempestades severas que atingiu praticamente toda a metade sul do Estado nos últimos dias.

RESERVA

Uma equipe de meteorologistas e técnicos de geointeligência do Simepar chegou a Reserva nesta quarta (1º) para investigar a comunidade de Imbu, na área rural do município. Servidores da Defesa Civil Estadual acompanham o trabalho, que inclui um sobrevoo com drone equipado com sensor Lidar, capaz de mapear com precisão toda a área atingida.

A passagem de uma frente fria pelo Paraná no domingo provocou fortes rajadas de vento, queda de granizo e grandes volumes de chuva em várias regiões. Por volta das 23h, ao menos 11 casas em Imbu sofreram danos significativos, segundo a Prefeitura. Cinquenta pessoas foram afetadas, dez delas ficaram desalojadas, e a força do vento e do granizo também atingiu veículos e vegetação da região.

Os meteorologistas já haviam começado a analisar dados de radar e imagens enviadas por moradores desde segunda (29). Nesta quarta, a equipe conversa pessoalmente com a população para reconstituir o comportamento da tempestade, incluindo a distância percorrida por objetos arremessados pelo vento — um dos critérios técnicos usados para classificar a intensidade de um tornado na Escala Fujita.

INÁCIO MARTINS

Um segundo possível tornado foi registrado no fim da tarde de terça (30) no interior de Inácio Martins, na divisa com Cruz Machado. Moradores gravaram a formação de um funil de nuvens e enviaram o vídeo a veículos de imprensa da Região. Após a passagem do fenômeno, várias árvores caíram sobre uma estrada rural da comunidade. Mas não há registro de feridos ou de casas danificadas até o momento.

Ao Portal RSN, o Simepar confirmou que avalia dados de radar tanto das ocorrências em Inácio Martins e Reserva, quanto de outros municípios.

A classificação oficial de um tornado depende da análise cruzada entre imagens de radar, condições atmosféricas registradas no momento e o padrão de danos observado em campo. Até a conclusão dessa avaliação, os casos são tratados como possíveis tornados.

BOLETIM APONTAVA RISCO ELEVADO PARA A REGIÃO

Um boletim de previsão de tempo severo emitido pela Prevots, organização meteorológica sem fins lucrativos, válido entre 12h UTC de terça (30) e 12h UTC desta quarta (1º), já havia posicionado Guarapuava e todo o sudoeste paranaense em Nível 3 de severidade, o mais alto entre os níveis ativados no período, numa escala que vai até o Nível 4.

Previsão convectiva da Prevost (Imagem: Reprodução/Prevost)

O documento apontava a formação de uma frente estacionária sobre Santa Catarina e o sudoeste do Paraná, intensificada pela aproximação de uma onda em médios níveis da atmosfera. Essa combinação criou um ambiente com energia disponível para tempestades (Cape) acima de 2.000 J/kg no setor mais quente da frente, além de cisalhamento do vento superior a 25 m/s. Esses parâmetros são associados à formação de supercélulas, o tipo de tempestade capaz de produzir tornados, granizo grande e vendavais.

O boletim também descrevia hodógrafas em formato de “foice” e altos valores de helicidade relativa à tempestade. Indicadores técnicos que os meteorologistas usam para sinalizar potencial tornádico. Inclusive a possibilidade de um ou dois eventos mais intensos na área de Nível 3. Imagens de satélite e radar já mostravam a formação de supercélulas avançando pelo sudoeste do Estado ainda durante a manhã de terça, antes mesmo da confirmação dos dois casos investigados agora.

QUASE 500 CASAS ATINGIDAS NO CENTRO-SUL

Além dos possíveis tornados, o temporal de terça (30) deixou um rastro de destruição por vários municípios da região. Levantamento preliminar da Defesa Civil aponta que ao menos 492 residências foram atingidas e cerca de 1.540 pessoas sofreram impactos diretos no Centro-Sul do Paraná.

Candói registrou o cenário mais crítico, com granizo atingindo principalmente as comunidades da Paz e Despraiado. Conforme informado pelo portal Paraná Central, cerca de 400 casas ficaram danificadas, 900 pessoas foram afetadas e 20 famílias ficaram desabrigadas, encaminhadas provisoriamente ao ginásio de esportes da Comunidade da Paz.

Chuva de granizo em Candói (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Em Marquinho, o temporal danificou cerca de 200 residências e afetou aproximadamente 450 pessoas.

Prefeitura de Marquinho distribui lona para a população em razão dos estragos (Foto: Prefeitura de Marquinho)

Guarapuava também registrou ocorrências, concentradas nas localidades de Guairacá e no bairro Alto da XV. Dez casas foram atingidas e cerca de 30 pessoas foram afetadas. Em Rio Bonito do Iguaçu, o granizo danificou cerca de 30 residências e atingiu aproximadamente 150 moradores. Já em Laranjeiras do Sul, duas casas sofreram alagamentos e duas árvores caíram, impactando cerca de dez pessoas.

Em General Carneiro, um forte temporal com granizo e ventos fortes começou por volta das 19h45 de terça-feira e destelhou dezenas de residências. Principalmente nos bairros Planalto e Céu Azul e em comunidades do interior, como a Vila Rural. O vice-prefeito Célio Garbin afirmou que a prefeitura mobilizou equipes desde os primeiros momentos após o temporal para prestar atendimento às famílias atingidas. Até o momento, não há registro oficial de feridos no município.

AJUDA HUMANITÁRIA A TURVO

A Defesa Civil Estadual reforçou o apoio às vítimas do temporal de granizo que atingiu Turvo na noite de domingo (28), quando a tempestade destruiu a cobertura de 76 residências da Tribo Marquinhos, da etnia Kaingang, e mais 12 na comunidade de Carriel, deixando cerca de 200 pessoas desalojadas e outras 30 abrigadas temporariamente em um colégio estadual da aldeia.

Um caminhão baú saiu de Curitiba na tarde de terça (30) com 100 colchões e 100 kits dormitório para a região, enquanto o 9º Núcleo de Atuação Regional da Defesa Civil já solicitou o envio de 1.400 telhas para recuperar as casas atingidas.

Caminhão com ajuda humanitária ao município de Turvo (Foto: Defesa Civil)

FRENTE FRIA DEVE VOLTAR

Nesta quarta, o tempo melhora na maior parte do Paraná, com redução da chuva. Embora ainda haja condição para pancadas isoladas entre oeste e sudoeste ao longo do dia. Para quinta (2), no entanto, o órgão já monitora a aproximação de uma nova frente fria, que deve espalhar chuva novamente por todo o estado.

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Thiago de Oliveira

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. 📧 thiagodeoliveirajor@gmail.com

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