Sindicatos não aceitam proposta do Governo e greve continua

Entidade diz que proposta não contempla perdas salariais

Grevistas em frente ao Palácio Iguaçu (Foto: APP-Sindicato)

O Fórum das Entidades Sindicais (FES) reagiu de forma negativa à proposta de reposição salarial apresentada pelo governador Carlos Massa Ratinho Júnior. Segundo o governador, o Estado pagará 5,09%, parcelado em quatro anos. Sendo 0,5% seriam pagos a partir de outubro, mais 1,5% a partir de janeiro de 2020.

Enquanto 1,5% para janeiro de 2021. Porém, isso vai acontecer, caso a receita corrente liquida (RCL) de 2020 tenha crescido pelo menos 6,5%. O restante (mais 1,5%) incidirá em janeiro de 2022. Mas está condicionado ao crescimento da RCL, de no mínimo 7% em 2021.

Os sindicalistas consideraram a proposta como sendo “indecente”. Eles entendem que o pacote não contempla a real perda salarial que já está em 17%. Além disso, dizem que coloca em risco direitos já adquiridos pelo funcionalismo público.

Entre outros argumentos, a categoria diz também que a greve continua e que as mobilizações serão intensificadas. Uma reunião está agendada ainda nesta quarta (3), com deputados da bancada. Já amanhã (4), será com o comando de greve.

Segundo o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, nenhuma assembleia será chamada para debater a proposta do governo. “Não dá pra chamar assembleia pra avaliar essa indecência”. Conforme o presidente, a proposta de 0,5% a partir de outubro não representa uma reposição significativa para as categorias.

De acordo com  a APP-Sindicato, Ratinho Júnior encaminhou uma resposta sobre o arquivamento do Projeto de Lei Complementar 04/2019. Esse projeto prevê o congelamento dos salários por 20 anos. Além das promoções, progressões outros direitos.  “O  governador pretende enviar um substituto geral, mas não retirar o projeto de pauta”.

Em seguida ao anúncio oficial, a entidade divulgou nota de repúdio. Leia a íntegra:

Confira a nota da APP-Sindicato sobre a proposta:

APP-SINDICATO REPUDIA PROPOSTA DO GOVERNO

O governador Ratinho Junior convocou a imprensa para apresentar uma proposta para os servidores. A prática já se configura como um desrespeito as mais de 280 mil famílias de servidores públicos paranaenses, da ativa e aposentados, que estão há 42 meses com seus salários congelados e em greve pela falta de diálogo do executivo. Não bastasse isso, o governador apresentou, a portas fechadas, uma proposta indecente de reajuste para as categorias.

Em debate desde março deste ano, o Fórum dos Servidores vem apresentando estudos e finalizou junho com uma proposta ao governo que é possível de ser paga: a implantação da inflação dos últimos 12 meses e negociação dos outros cerca de 13% referentes a anos anteriores. Infelizmente, o governo do Paraná não respondeu a proposta e os servidores decidiram entrar em greve por tempo indeterminado.

A proposta apresentada hoje é uma afronta as categorias. Como dizer a uma merendeira de escola, cujo salário é de pouco mais de mil reais, que seu salário será reajustado em cinco reais a partir de outubro? É uma vergonha para um governo que isenta em R$ 10,5 bilhões por ano, empresários e ruralistas. Mais grave é tentar chantagear as categorias de servidores e condicionar a efetivação dessa proposta a retirada de direitos dos servidores.

Queremos que o governador cumpra a promessa de campanha, de manter as portas do palácio abertas para negociar e pagar o que deve aos servidores. A Greve continua porque é legítima e tem uma pauta de garantia de direitos a quem atende a população que mais necessita do Estado. É grave, é greve!

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