22/08/2023
Economia Em Alta

Trabalho de cuidado das mulheres equivale a 11% da economia brasileira

Trabalho não remunerado das mulheres equivale a R$ 1,1 trilhão da economia nacional, mas segue invisível nas políticas públicas

Trabalho feminino (Foto: IA)

Enquanto o Brasil discute metas de inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, uma economia paralela e colossal sustenta o país sem nunca aparecer nos relatórios do Banco Central. Trata-se da Economia do Cuidado. Ou seja: o trabalho doméstico e de assistência executado majoritariamente por mulheres, que, se fosse pago, representaria uma fatia maior do que muitos setores industriais consolidados.

De acordo com dados recentes do IBGE e de consultorias globais há a revelação de uma realidade matemática cruel. No Brasil, as mulheres dedicam, em média, 21,4 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados com pessoas, enquanto os homens dedicam apenas 11 horas.

Essa diferença de quase 100% não é apenas uma questão de “ajuda mútua” no lar. Trata-se de um subsídio direto ao sistema econômico. Para que um trabalhador esteja na fábrica ou no escritório às 8h da manhã, houve, nos bastidores, uma jornada iniciada às cinco ou seis horas da manhã para garantir alimentação, roupas limpas e o cuidado com as crianças.

O “IMPOSTO DO GÊNERO”

Especialistas apontam que essa sobrecarga funciona como um imposto invisível sobre o tempo feminino. Ao assumirem a gestão da vida privada, as mulheres sofrem o chamado “custo de oportunidade”. Ou seja: abrem mão de promoções, cursos de especialização ou do descanso necessário para a saúde mental.

O mercado de trabalho é desenhado para alguém que não tem responsabilidades domésticas. Como a maioria das mulheres tem, elas partem de uma linha de largada muito atrás da masculina.

O COLAPSO SEM ELAS

Se amanhã todas as mulheres decidissem parar de executar o trabalho não remunerado, a economia global sofreria um colapso imediato. Escolas não funcionariam plenamente, a saúde pública transbordaria e a força de trabalho masculina perderia a base de apoio.

Estudos da ONG Oxfam e da ActionAid indicam que o valor monetário desse trabalho feminino alcança a cifra astronômica de 10,8 trilhões de dólares por ano no mundo. No Brasil, estima-se que esse montante equivaleria a cerca de 11% do nosso PIB.

Portanto, conforme a ONG, reconhecer o ‘PIB Invisível’ é o primeiro passo para que, no próximo 8 de março, se tenha menos homenagens simbólicas e mais justiça econômica real.

O trabalho que é feito por amor também gera riqueza e já passou da hora de o mercado pagar essa conta.

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Cristina Esteche

Jornalista

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