22/08/2023

Capela celebra 100 anos e guarda a essência da imigração italiana

Capela São Sebastião do Rio do Couro, no interior de Irati, consolida-se como um pilar de resistência cultural e devoção religiosa

São Sebastião

No coração do interior de Irati, onde o sotaque italiano ainda ecoa nas orações e o cheiro do jantar típico resgata memórias de outrora, uma comunidade celebra um marco histórico. A Capela São Sebastião do Rio do Couro completa 100 anos de fundação neste dia 20 de janeiro de 2026, consolidando-se como um pilar de resistência cultural e devoção religiosa.

Conforme conta a história de antes de 1914, a Região era apenas “Sertão”. A mudança de nome carrega o folclore dos pioneiros: imigrantes italianos, ao chegarem às margens do rio, encontraram um couro de anta estaqueado nos galhos. O fato curioso rebatizou o local como ‘Rio do Couro’, nome que atravessou gerações e hoje identifica a força de 83 famílias que ali residem.

Capela São Sebastião (Foto: divulgação)

De acordo com Bruno Rafael Meneira, um jovem de 19 anos que preserva a memória ancestral, a história oficial começou em 20 de janeiro de 1926. Nesse dia, Antônio Vieira de Melo doou “5 litros de terra” para a construção da primeira capela. Sob o comando do carpinteiro italiano Giovanni Crovador, a estrutura foi erguida pelo esforço comunitário.

A devoção a São Sebastião não foi por acaso. O santo era o símbolo de proteção e esperança para os imigrantes que enfrentavam os desafios da nova terra, de acordo com a história. Por décadas, o latim e o italiano foram as línguas oficiais das celebrações, mantendo vivo o cordão umbilical com a pátria europeia.

Primeira procissão (Foto: divulgação)

O GUARDIÃO DA MEMÓRIA

Bruno e o padre Edvino Sicuro (Foto: divulgação)

Enquanto a capela cuida do espírito, o jovem Bruno Rafael Maneira, de apenas 19 anos, assumiu a missão de cuidar da história material. Descendente dos fundadores, Bruno criou um museu particular que abriga o precioso Livro Tombo nº 1 e uma infinidade de relíquias que contam como era a vida no “Sertão” de antigamente. O acervo de Bruno é um mergulho no cotidiano do século passado.

Documentos históricos (Foto: divulgação)

Conforme relata o jovem ao Portal RSN, a vida doméstica da época surge com máquinas de costura, baú, cama, guarda-louça, o tradicional Bigolaro (máquina de fazer macarrão), e garrafões de vinho de até 50 litros que pertenceram ao tataravô dele.

Há também um jogo de bocha bem antigo, tem mesa antiga, relógio de parede antigo que era bem tradicional nas casas dos italianos, tem muitos quadro de santo muita coisa que tem lá veio da Itália, como quadros e um crucifixo e imagens religiosas.

Tem máquinas de escrever, ferro de passar roupa, muitas cartas da década de 20 e 50, tem lampião, muitas louças antigas de porcelana. Tem muitas medalhas religiosas que vieram da Itália, fotos do primeiro armazém da comunidade que pertenceu a família Saab Harmuche, fotos até mesmo de velório.

Decoração típica (Foto: divulgação)

Já, máquinas manuais de plantar feijão e a charrete da família vindos diretamente da Itália, demonstram a vocação agrícola da imigração italiana. Há também registros raros de momentos em famílias. São fotografias de casamentos, do primeiro caminhão da comunidade e cartas das décadas de 1920 e 1950.

É impossível listar tudo; é uma infinidade de coisas que preservam quem fomos para entender quem somos.

A COMUNIDADE HOJE

Jantar italiano no último domingo (Foto: divulgação)

Embora a base seja solidamente italiana (62 famílias), o Rio do Couro é hoje um mosaico cultural que inclui descendentes de poloneses, alemães, portugueses e espanhóis. Sob a coordenação de Dirceu Gonçalves e uma ativa rede de pastorais, a capela permanece vibrante.

Em 2025, uma missa rezada e cantada em italiano homenageou os 111 anos da chegada dos pioneiros. O que, de acordo com Bruno, prova que mesmo após um século, as raízes estão mais profundas do que nunca. Neste ano, as celebrações ocorreram no domingo (18).

CRONOLOGIA DA FÉ

1926: Fundação e primeira benção pelo Padre Sebastião Mendes.
1945: Autorização para a construção da nova capela, obra do austríaco Francisco Kampf.
2026: Centenário de fundação e celebração da herança imigrante.

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Cristina Esteche

Jornalista

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