Dois guarapuavanos perdidos pelo mundo sobre duas rodas

O psicólogo Silvio Ortiz e o empresário Sergio Michaliszyn, o James, vivem 15 dias de aventura entre o Brasil, Uruguai e Argentina

Silvio e James (Foto: arquivo pessoal)

Perdidos no mundo. É assim que o psicólogo Silvio Luiz Ortiz traduz a aventura que está vivenciando junto com o amigo Sergio Michaliszyn, o James. A viagem dos dois guarapuavanos segue uma rota que começou no dia 29 de dezembro de 2018, de carro, mas que no dia 30, ao chegarem no Chuí, foi substituído por bike. O destino? “Cruzar o Uruguai e chegar na capital Argentina, Buenos Aires”, disse.

James e a crise de ciático (Foto: arquivo pessoal/Silvio Ortiz)

Chegando ao penúltimo dia da aventura sobre duas rodas, os dois guarapuavanos, enfrentaram as agruras da estrada. James teve crise de ciático e não conseguiu andar durante quatro dias; a bike de Silvio estragou e ele chegou a pensar que iria perdê-la. Mas nada disso superou o sabor da aventura. “Nada nos impediu de seguir adiante”, declarou.

O meio de transporte é a bike (Foto: arquivo pessoal/Silvio Ortiz)

Percorrendo 700 quilômetros numa viagem de autossuficiência, Silvio e Sergio mergulharam na cultura uruguaia, conhecendo pessoas, visitando pontos turísticos, conhecendo a culinária local, acumulando conhecimento. Aliás, esse desejo acalentado pelo psicólogo que faria a viagem sozinho, encontrou o apoio de Sergio James, que já tinha viajou sozinho pela Estrada Real, em Minas Gerais.

Silvio Ortiz (Foto: arquivo pessoal)

“Eu queria fazer uma boa viagem pois não tirava férias faz tempo. Como conhecia e confiava no Uruguai, decidi vir pra cá e convidei o Sérgio que já havia viajado sozinho. Ele encarou e daí estamos aí… hehehe”, disse Silvio à Rede+, via WatsApp.

Camping (Foto: arquivo pessoal)

Levando o mínimo necessário para a sobrevivência, o pernoite acontece em barracas. “A maior parte das vezes foi camping, menos onde não tem essa opção. Num dos dias fizemos camping selvagem, isto é, acampamos onde deu, ao lado de uma casa abandonada em um bosque”.

Após o descanso, tão logo amanhece, os dois guarapuavanos seguem o seu destino, pedalando em média entre 50 e 100 quilômetros por dia. Porém, já chegaram a pedalar em apenas um dia 140 quilômetros.

James, a bike e a bagagem (Foto: arquivo pessoal/Sergio Ortiz)

Na bagagem as roupas, alguma comida e água, barracas, calçados, material de higiene, lonas e cordas para caso de chuva forte. Na mente, apenas um pensamento. Se deixar levar pelo vento, curtir a paisagem, conversar com pessoas que encontram pelo caminho e chegar a Buenos Aires.

Novos amigos (Foto: arquivo pessoal/Sergio Ortiz)

“Fizemos amigos na estrada e seguimos muito tempo juntos, compartilhando habitação, refeições, passeios e experiência. Fomos juntos ver a maior reserva de lobos marinhos do mundo”, declarou.

De acordo com Silvio, durante o trajeto, ao contrário do que seria no Brasil, a menor preocupação foi em relação ao trânsito e a furtos e roubos.

“Os uruguaios respeitam imensamente os ciclistas, muito mais que os brasileiros. Temos certo medo de furto e roubo, mas as pessoas até estranham isso, é mais dos nossos medos relativos ao Brasil. Nos campings, você deixa tudo na barraca e sai fazer suas coisas, na confiança que tudo estará lá quando voltar, pois acampar é uma forte tradição uruguaia”.

Segundo Silvio Ortiz, a segurança e o respeito no trânsito em relação aos ciclistas chamam a atenção.

“Tem muita gente fazendo cicloturismo no Uruguai, por isso a segurança que o pessoal sente sobre assaltos e furtos, mas principalmente ressalto o quanto nos sentimos seguros sobre os motoristas daqui”.

Silvio e a roda da bike (Foto: arquivo pessoal)

Neste sábado (12), ainda em Buenos Aires onde estão há dois dias, Silvio (43 anos) e James (63), se preparam para finalizar a aventura.

“Na capital portenha, a aventura continua. Começamos o 14º dia na correria para agilizar câmbio e internet nos celulares. Isso nos levou boa parte da manhã”, relata Silvio. Segundo ele, o importante ficou por conta de pedalar no trânsito intenso e “meio insano dessa cidade com 3,6 milhões de habitantes, e de encontrar amigos no meio dela”.

O encontro de guarapuavanos rumo ao túmulo de Evita Peron (Foto: arquivo pessoal/Silvio Ortiz)

“No dia da chegada aqui, foi muito tenso se deslocar de bike no meio do trânsito pesado, ontem já estávamos mais espertos, mas não tem como baixar a guarda um segundo”.

Um dos pontos visitados foi o  bairro Palermo. “Há parques intermináveis e só isso precisaria de um bom tempo pra ser explorado. Então demos uma passada mais rápida para conhecer os parques e o Planetário. Na sequência a clássica visita ao cemitério que é incrível pela sua beleza, riqueza e a curiosidade dos caixões aparentes”, descreve Silvio.

“Após o almoço fomos visitar a Avenida 9 de Julho e o Obelisco (que fora a avenida ser digna de nota, não acho grandes coisas no Obelisco). Depois da dificuldade em se achar, e já sem bateria, voltamos para onde estamos hospedados. No fim da tarde, Galeria Pacífico que é um shopping muito bonito ao fim das contas, uma volta pela famosa Calle Florida, que só valeu pelo tango no meio da rua e depois o roteiro noturno”.

James e Sergio no Bolicho (Foto: arquivo pessoal/Silvio Ortiz)

O primeiro local visitado pelos dois guarapuavanos foi o Bolicho del Roberto que é um bar com 115 anos, “daqueles totalmente raiz e um clube de tango chamado El Catedral Club e seu visual totalmente estranho e esfarrapado. Foi um dia de ver coisas bonitas e também coisas curiosas”. Entretanto, “para desfrutar bem de Buenos Aires seria necessário, no mínimo, uma semana visto ter tanta atração e atividade”, descreve Silvio numa espécie de diário de bordo em seu perfil no Facebook.

James (Foto: arquivo pessoal/Silvio Ortiz)

Já são 14 dias de viagem e agora o preparativo para retornar ao Chuí, já em solo brasileiro, onde pegam o carro e retornam a Guarapuava. “Devemos chegar na terça feira”, disse.

Na bagagem de volta, as lembranças, da “sensação de liberdade, do imprevisível, mas principalmente, das pessoas que conhecemos na estrada e todo o diferente que vemos e que se estivéssemos de carro, passariam despercebidos”, avaliou.

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