Patinha: Guarapuava exporta uma das melhores jogadoras do mundo

Rafaela Patinha (Foto: arquivo pessoal)

O futebol está no seu DNA herdado do pai Dirceu Pato, um dos mais tradicionais jogadores de futebol de Guarapuava, com extensão pelo Paraná.

Hoje, Rafaela Dal Maz, a Patinha, é destaque nas principais quadras de futsal internacionais, morando atualmente na Itália. Antes, porém, jogou em times da Colômbia, Alemanha, Rússia e Portugal. Foi a primeira jogadora de futsal a disputar o Campeonato Sulamericano de futebol de campo.

De acordo com a guarapuavana, o futebol sempre esteve muito presente em sua casa por causa do seu pai que foi jogador, e acabou se tornando minha vida. ‘Jogo profissionalmente desde os meus 15 anos, fazendo do futebol minha profissão, mas ja amo uma bola desde que nasci”. Com cinco anos de idade deu os primeiros chutes nas escolinhas do Tio Alaor [Alaor Gomes] jogando no meio da piazada. “Muitas vezes jogava com a turma da rua da minha antiga casa onde tinha um areião. Todo dia era dia de jogar nem que fosse um gol a gol”.

Patinha (Foto: arquivo pessoal)

A coisa começou a ficar mais séria quando Patinha mostrou o seu talento durante os Jogos Estudantis da Semana da Pátria (Jesps). “Eu ficava ansiosa e me preparava para ganhar todas as medalhas possíveis no futsal e no atletismo, que eu gostava muito”. Em seguida vieram os Jogos Escolares. Com 15 anos Patinha começou a representar Guarapuava nos Jogos da Juventude, Jogos Abertos e campeonatos paranaenses. “Fizemos muitas histórias e conseguimos firmar Guarapuava como uma das potências do futsal no Paraná. Foi uma época muito boa, pois tínhamos uma grande equipe e muito apoio dos torcedores guarapuavanos. Conseguimos encher o Joaquim Prestes sempre, e na final do paranaense em 2008 em que fomos campeões aquela cena eu nunca vou me esquecer. Foram anos incríveis onde fui muito feliz”.

Jogando por Guarapuava a atleta aceitou um convite para jogar o paranaense sub 15 pelo Coxa onde teve o seu primeiro titulo estadual sub 15 e artilheira. Depois retornei para Guarapuava e aos 17 anos, pela primeira , foi morar longe da família, em Londrina. “Foi lá que tive uma das melhores treinadoras, a Jayne Borim. Foi ela que me ensinou a lidar com a saudade e a me virar sozinha”.

A atleta também reconhece os ensinamentos recebidos do treinador Leonardo Mendes da equipe do Araraquara. “Ele era incrível e fazia nosso talento triplicar dez vezes e não foi à toa que conquistamos os Jogos Abertos com uma vitória sobre o Palmeiras, que era uma das melhores equipes do campeonato paulista. Fiquei dois anos em Araraquara”.

Ao mesmo tempo em que jogava futsal a atleta tinha participado de uma seletiva para a Seleção Brasileira Sub 17 de futebol e com 17 anos recebeu ai primeira convocação para representar o Brasil no Mundial da Nova Zelândia. “Fomos bem classificados e realizei o sonho de vestir a amarelinha. Nos anos seguintes estive em varias convocações para treinamento na granja Comary até sair a convocação oficial do Sulamericano que seria na Colômbia. Fui eu de novo, a única jogadora de futsal, convocada para o Sulamericano sub 20 de futebol. Fomos campeãs. Mais um sonho alcançado. Digo que foi um dos melhores dias da minha vida ver aquele estádio lotado em Bucaramanga e saber que éramos a melhor seleção da América do Sul e eu estava ali”. Esse título deu à equipe o passe livre para o Mundial Sub 20 na Alemanha “e eu estava lá. Infelizmente nos dois mundiais não fomos bem. Então me firmei no futsal e nunca mais peguei nenhuma convocação no futebol’.

LIGA SUÍÇA

Patinha (arquivo pessoal)

Surgiu então a oportunidade de jogar na equipe de Zuchwil 05 na Liga Suíça. “Conversei com minha família e como sempre me apoiou a ir viver meus sonhos e fui, sozinha, para outro país, com 20 anos de idade e com todos os sonhos do mundo. Fiz boas partidas e um bom campeonato, e aprendi um pouco do além, mas infelizmente tive a primeira pior lesão da minha vida e teria que operar meu joelho”.

Mesmo assim, o amor pelo esporte a fez ficar jogando mais seis meses e então retornou para Guarapuava. “Foi a minha primeira maior frustração profissional, pois além da lesão, o time faliu e não me pagou todo o combinado e nem minha cirurgia que na época custava R$ 10 mil”.

Dirceu Pato pediu a contribuição de amigos e a cirurgia e o tratamento foram um sucesso. “Amigos, família, fisioterapeutas foram tudo pra mim”.

Patinha em quadra (Foto: arquivo pessoal)

De volta às quadras, Patinha foi jogar na equipe do Pindamonhangaba no campeonato paulista adulto. A artilheira recebeu então um convite de uma amiga goleira para jogar na Rússia onde permaneceu por três anos e conquistou duas vezes o vice-campeonato. “Foi um dos países onde mais me senti em casa e onde fui mais bem tratada na minha vida. Dava prazer de jogar por eles, pelos torcedores, por todos que estavam envolvidos em Faziam de tudo para nos ver bem, e apesar do frio eles eram muito felizes e carinhosos. Tínhamos tradutora na equipe, mas em três anos convivendo todos os dias com a língua você acaba aprendendo”. Patinha diz que lá que realizou o sonho de levar seus pais. Dirceu Pato e Célia ficaram um mês num frio de 35 graus abaixo de zero, todos os dias.

A guerra com a Ucrânia, porém, fez a Rússia reduzir custos e o time feminino acabou. De volta ao Brasil, Patinha foi convidada pelo técnico Marcos Derrico e passou a defender as coras de São José dos Campos no campeonato paulista.

‘Tivemos um ano incrível, ganhando quase tudo o que disputamos, Jogos regionais, Jogos Abertos e Campeonato Paulista. Acredito que foi o ano onde e estava mais bem preparada fisicamente e consegui acabar o ano com a artilheira do Campeonato Paulista”.

Patinha e a conquista no Benfica (Foto: arquivo pessoal)

Patinha, em seguida, foi para o Benfica em Portugal, a maior equipe portuguesa, onde teve a segunda lesão do ligamento cruzado. Mesmo assim permaneceu no clube português por mais um ano, conquistando o campeonato daquele país. “Fui a primeira brasileira a ser campeã em Portugal”.

A meta então era jogar na Itália e ter a cidadania italiana. “Recebi uma ligação do meu empresário Vincenzo Portelli, pois várias equipes tinham interesse no meu passe. Escolhemos a ASD Futsal Salinis, equipe em que defendo agora aqui na Puglia, sul da Itália. Estou jogando como ítalo – que são as jogadoras que tem dupla cidadania. Minhas expectativas para o futuro aqui na Itália são as melhores, sonho e vou trabalhar muito para voltar com um título italiano para casa e também aproveitar para conhecer esse país e essa cultura que sempre vivi pela parte da minha avó Primina que era uma italiana maravilhosa”.

Patinha pelo mundo do futebol (Foto: arquivo pessoal)

Sentindo-se realizada por estar jogando num dos campeonatos mais fortes e com as melhores jogadoras do mundo, Patinha ainda pensa em novo desafio: jogar o campeonato espanhol. Aliás o seu lema, que ela tem tatuado no braço, uma vida pra tudo.

“É assim que quero viver o quanto eu puder viver do futsal, aproveitar tudo! Tenho 27 anos e desde os cinco eu jogo futebol. São 22 anos fazendo o que eu mais amo na vida. Então sou muito grata! Agradeço muito a Deus por sempre estar comigo em toda essa minha vida cigana no futebol e à minha família por me receber toda vez que volto, todos os treinadores com quem joguei, todas as colegas de equipe, todas as dificuldades que me fizeram mais forte e meus amigos que estão sempre comigo dentro do meu coração sempre em todas as equipes torcendo sempre por mim”.

Relacionadas

LITERATURA

Isaías Roberto lança autobiografia nesta quinta (12) em Guarapuava

EMPREENDEDORISMO

De fisioterapeuta a empresária: um pouco sobre Estella Antonelli Vitorassi

'CAÇADOR DE RAIOS'

Klaus Pettinger: jornalista, fotógrafo, escritor e caçador de raios

Comentários