22/08/2023

Superlua? Nem tanto: o céu promete, mas a ciência segura o ‘hype’

O fenômeno, apelidado de "Superlua", surge neste sábado e tem pouco impacto visual real; os astrônomos alertam para o exagero

Superlua (Foto Marcello Casal/ Agência Brasil)

A chamada Superlua deste sábado (3) promete movimentar as redes sociais e as timelines dos entusiastas do céu. Mas, ao contrário do nome chamativo, o fenômeno é menos espetacular do que parece. De acordo com astrônomos, o termo correto nem é “Superlua”, e sim Lua Cheia de Perige. Ou seja: quando o satélite natural da Terra alcança o ponto mais próximo do planeta durante a órbita.

Traduzindo: a Lua estará cerca de 362 mil quilômetros da Terra, uma aproximação que aumenta a aparência em 6% e seu brilho em 13%, em comparação com uma Lua Cheia comum. Ainda assim, esse ganho visual é quase imperceptível a olho nu. Se você não é do tipo que analisa o céu com frequência, dificilmente notará diferença.

Conforme  especialistas, o fenômeno ocorre com certa regularidade e tem pouca ou nenhuma relevância física. O que muda é a posição da Lua na órbita: no Perigeu, ela está mais próxima da Terra; no Apogeu, mais distante. Em maio, por exemplo, teremos a Microlua, com aparência ligeiramente menor, novamente, sem grande impacto visual.

Apesar dos nomes de efeito, Superlua, Microlua, os cientistas são unânimes: não há transformação real no tamanho da Lua, apenas uma ilusão de proximidade.

 A ILUSÃO É REAL, MAS DISCRETA

Imagine segurar uma bola com as mãos e afastá-la dos olhos: ela parece menor, certo? Agora, aproxime a bola. A impressão de que ela aumentou é real, mas depende de perspectiva. É exatamente isso que ocorre com a Lua. Mas em escala astronômica, essa diferença é mínima e enganadora para o observador comum.

Astrônomos como Rodolfo Langhi (Unesp) e João Batista Canalle (UERJ) explicam que o impacto visual é tão sutil que só quem observa a Lua com frequência pode notar algo diferente. E mesmo assim, com esforço. Canalle, inclusive, considera exagerado o termo “Superlua” e vê pouca razão científica para alarde. Conforme ele diz, é a mesma Lua Cheia de sempre.” Apenas uma coincidência de calendário.”

O QUE VALE, NO FIM DAS CONTAS

Se você gosta de olhar para o céu, o momento vale pela beleza, claro. Mas vá sem expectativa de espetáculo. A Lua estará cheia, brilhante e talvez ligeiramente mais próxima. Mas não espere um disco gigante surgindo no horizonte como em filme de ficção científica.

Às 07h03 da manhã deste sábado, a Lua atinge o auge da fase cheia. Mas o melhor horário para observação será à noite, quando ela subir no céu e parecer maior por causa de um efeito óptico chamado ilusão lunar, uma enganação dos nossos olhos, não da astronomia.

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Cristina Esteche

Jornalista

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