Uma menina feita de luz!

Marília Hikari encontrou na fotografia uma forma de extravasar seus sentimentos

Quanto mais mergulho no universo da arte que está aí pulsando por todos os cantos sem ganhar visibilidade, mais me deparo com verdadeiros tesouros e me refiro à pessoas. Conheci Marília Hikari, nome que adotou para traduzir a sua arte, ainda bebê, no colo da sua mãe, uma grande amiga.

Marília (Foto: Marília Hikari/Arquivo pessoal)

“É uma palavra japonesa que significa luz e minha mãe sempre me dizia que eu era a luz na sua vida e um dos principais elementos da fotografia é a luz”.

Conheço a sua história, mas desconhecia a sua vida, o que pensa, o que faz, as suas paragens, as suas buscas. Inicialmente as suas fotos, o conceito, a inspiração, a maneira como traduz o tema mais espinhoso dentro de uma sociedade consumista, machista, perversa, numa maneira simples de desnudar tabus.

(Foto: Marília Hikari/Arquivo pessoal)

Marília transforma o espinho em flor. O início foi misturando o design gráfico com fotos, mas é a arte autoral que alimenta a sua alma e dá vazão à uma criatividade ímpar.

“É o que me preenche o coração. É o surrealismo que faz mexer objetos com a imagem, extrair as emoções mais profundas e ter nos ensaios até uma forma de terapia e incentivo a estudar a fotografia “.

Fotografando desde 2010, quando tinha 16 anos, a jovem faz parte de uma das mais tradicionais famílias políticas de Guarapuava, mas que deseja ser reconhecida pelo seu talento, sem qualquer outra influência.

“Eu estava na adolescência, consegui comprar uma câmera e comecei a fotografar, mas foi no final de 2014 que vi a fotografia se tornou importante. Um dia encontrei com o Valdir Cruz , que é amigo do meu pai e ele me incentivou a estudar a fotografia”.

Porém, como a inspiração não tem data marcada, quando sente que é a hora é agora, chama modelos pelas redes sociais e surgem ensaios incríveis. Se não aparece alguém ela se auto fotografa.

Auto retrato (Foto: Marília Hikari/Arquivo pessoal)

“Os auto retratos sempre propõem uma grande experiência. Nele você consegue absorver detalhes de si próprio que passam despercebidos no espelho. Consegue também permitir novas representações de si mesmo, assim como ressaltar novas personalidades”.

De acordo com a fotógrafa, que gosta de produzir auto retrato quando não está bem, esse estilo sempre propõem uma grande experiência porque acredita na fotografia como forma de terapia.

“Então, após o resultado eu interpreto o que minhas expressões querem passar, e dessa forma consigo encontrar um nome para o que posso estar sentindo, e consequentemente uma solução. É um ótimo exercício de auto conhecimento, recomendo!”.

Ensaio (Foto: Marília Hikari/Arquivo pessoal)

A menina que largou o curso de publicidade e propaganda por não concordar com o conceito mercantilista, hoje estuda história, e é consciente de que pra sobreviver, precisa vender.

“Faço meus quadros e exponho e feiras na Unicentro junto com outros artistas”.

Ela faz parte do Coletivo Metamorfose que reúne cerca de 30 artistas. Siga a página da artista no Facebook.

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