"Águas Rasas" é uma das novidades da semana no Cine XV

Guarapuava – Nada como um bom filme pra relaxar, hein. E como sempre, quinta feira é dia de estreia no Cine XV. Melhor ainda? Hoje, 1º de setembro, são duas as novidades na telona de Guarapuava. Vamos à elas:

QUANDO AS LUZES SE APAGAM

Pra quem não resiste a um terror, a dica é Quando as Luzes se Apagam (Lights Out). Este filme parte de uma premissa muito interessante: um ser sobrenatural aparece apenas no escuro total. Ele ameaça uma família, no entanto, basta acender uma lâmpada para que desapareça. Mas como filmar a ausência de luz, sabendo que o cinema é, por definição, o registro de uma impressão luminosa? Como representar o invisível? Quando as Luzes se Apagam se sai muito bem na tarefa de brincar com a luz e a imagem, elementos essenciais do cinema. O monstro Diana (interpretado por Alicia Vela-Bailey) é visto com pequenas luzes ao fundo, em reflexos, de maneira indireta.

O roteiro de Eric Heisserer também brinca com concepções alternativas de claro e escuro: mesmo um tiro de revólver produz uma pequena faísca, e todo quarto iluminado possui zonas obscuras – embaixo da cama, por exemplo… A história testa os limites da premissa de muitas maneiras, para que Diana se infiltre no lar dos protagonistas apesar das precauções. De repente, o espectador é levado a cogitar a impossibilidade da iluminação absoluta, o que gera a impressão de onipresença do mal: o monstro aparece sempre naquele pequeno canto esquecido da casa.

Por mais sobrenatural que pareça, a ideia é ancorada num drama psicológico sólido. O pequeno Martin (Gabriel Bateman) sofre com a crise emocional da mãe (Maria Bello), que conversa com a presença obscura em sua casa. Ele descobre que a irmã mais velha, Rebecca (Teresa Palmer), passou pela mesma experiência quando o pai deixou a família. O filme transforma Diana numa materialização da depressão materna, como um fantasma dos traumas não resolvidos entre eles. Um psicanalista se divertiria bastante com as relações perversas entre os protagonistas.

É uma pena que Diana não ganhe uma explicação tão plausível quanto aquela dos humanos. A presença obscura possui uma história de origem pontuada por incoerências, e introduzida na trama de modo artificial: os personagens simplesmente encontram caixas de papelão com todas as explicações de que precisam, ou então contam a história do monstro uns aos outros, para informar o público. Como tem certeza de estar criando o início de uma franquia, o diretor estreante David F. Sandberg toma o cuidado de explicar o passado do monstro com um didatismo quase infantil.

Mesmo assim, Quando as Luzes se Apagam se destaca das produções médias de terror pela simplicidade e concisão. Os sustos derivam da mesma mecânica (Diana aparece na escuridão, e some à luz), mas não parecem repetitivos por se inserirem em momentos e tipos de iluminação diferentes. Os ataques da vilã também se intensificam rumo à conclusão. Assim, o ritmo se mantém tenso sem grandes reviravoltas, nem cenas sangrentas. É notável que Sandberg, James Wan (Invocação do Mal) e a equipe consigam produzir uma história tão assustadora com elementos reduzidos e orçamento limitadíssimo, apostando na criatividade da linguagem cinematográfica.

A conclusão, infelizmente, recorre aos clichês obrigatórios do filme de terror comercial, com a necessidade de tornar visíveis alguns elementos que funcionavam muito bem na sugestão. O filme simplifica sua estrutura no terço final, embora ainda aposte em conclusões ousadas para alguns personagens. Com boas atuações de Teresa Palmer e Gabriel Bateman, o resultado funciona por acreditar, na maior parte da trama, no poder da sugestão ao invés da revelação, e nos medos de infância que todo espectador carrega consigo. Espia só o trailer:

ÁGUAS RASAS

A segunda novidade da semana é o suspense Águas Rasas (The Shallows), com sessões diárias legendadas às 21h30. É muito difícil para um ator estrelar sozinho uma produção e ser bem sucedido. Um dos poucos casos que conhecemos é o fenomenal Tom Hanks em Náufrago, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator, em 2001. 

​Quando o filme foi anunciado, muita gente ficou com um pé atrás. Blake Lively iria ficar sozinha praticamente o tempo todo na tela, e algumas pessoas torcem o nariz para ela desde os tempos do seriado Gossip Girl. Em Águas Rasas ou Serena van der Woodsen decide surfar, Lively não só prova ser uma ótima atriz como também consegue levar todo o filme nas costas. Se em Náufrago, temos Tom Hanks e o sr. Wilson, em Águas Rasas, temos Blake Lively e a gaivota.

Na trama, a atriz interpreta Nancy. Após perder a mãe para um câncer, ela decide abandonar a faculdade de Medicina e viajar para o México, para conhecer uma praia deserta que sua mãe visitou quando estava grávida dela. Abandonada pela amiga cachaceira, ela vai sozinha ao local de difícil acesso e, cai no mar para surfar.

Quando é atacada por um tubarão-branco e encurralada a poucos metros de distância da praia, Nancy precisa correr contra o tempo e usar tudo que aprendeu na faculdade para tentar sobreviver.

Com uma história simples e uma atriz na tela o tempo todo, o filme consegue entreter em seus 87 minutos de projeção. O diretor Jaume Collet-Serra, que já havia mostrado sua genialidade em A Órfã, aproveita a belíssima paisagem para fazer passagens de câmera aquáticas e aéreas, criando uma ambientação incrível que nos leva para dentro da tela. Aliado a sensacional fotografia do filme, a beleza estonteante de Lively transforma a experiência cinematográfica em um deleite visual.

A maneira como o diretor trabalha a personalidade da protagonista também é notória, com fotos do passado e conversas no celular com o pai e a irmã sendo mostrados na tela, enquanto ele nos prepara para o ataque iminente. 

Apesar de entregar grande parte de suas melhores cenas nos trailers e clipes, Águas Rasas ainda guarda algumas novidades para os espectadores, com um final extremamente forçado, mas que cai perfeitamente bem no que o filme se propõe: nos aterrorizar.

Águas Rasas vem para provar que não é necessário muito para se fazer um ótimo filme, com uma trama enxuta e cenas de suspense que vão te prender na cadeira do cinema e fazer você pensar novamente antes de entrar no mar. Veja o eletrizante trailer na RedeSul TV.

PETS, BEN HUR E ESQUADRÃO SUICIDA

Essas três super produções também continuam em cartaz no Cine XV. Ou seja, uma super programação com vários gêneros pra agradar todo mundo. Grandes filmes para todos os dias, final de semana e feriadão de 7 de setembro semana que vem, hein. 

 

 

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