22/08/2023
Blog da Cris Guarapuava Política

Tem gente de cabeça quente!

Entre Fundo Eleitoral e novas formas de arrecadação, a Justiça Eleitoral intensifica o cerco a suspeitas de caixa 2 e candidaturas usadas como fachada no sistema político brasileiro


(Imagem: reprodução/Freepik)

Desde ontem (15), pré-candidatos já podem arrecadar dinheiro por meio das chamadas “vaquinhas virtuais”. Na teoria, o sistema amplia a participação popular. Na prática, a Justiça Eleitoral sabe que o verdadeiro fluxo milionário continua vindo do Fundo Eleitoral. Combustível de campanhas legítimas, mas também alvo constante de esquemas, candidaturas frágeis e suspeitas de caixa dois.

Nas eleições municipais de 2024, os partidos movimentaram R$ 13,3 bilhões. Mais de R$ 11 bilhões saíram dos cofres públicos. E é justamente nesse ponto que mora o perigo. Isso porque candidaturas ‘laranjas’, portanto, sem voto, sem campanha real, passaram a despertar atenção do Ministério Público. Assim como do TSE por servirem, muitas vezes, apenas como canais de distribuição de dinheiro político.

Entretanto, a legislação endureceu. Hoje, cada centavo precisa passar por contas específicas, recibos oficiais e prestação pública. Quem tenta circular recursos por fora pode responder por abuso de poder econômico, fraude eleitoral e até perder mandato. A era do “jeitinho eleitoral” começa a encontrar limites mais rígidos na tecnologia bancária e no cruzamento de dados da Justiça Eleitoral.

Em Guarapuava, o assunto deixou de ser apenas teoria jurídica. Nos bastidores, há  pré-candidatos que respondem  processos sigilosos no TSE com a ansiedade de quem sabe que uma decisão pode impor uma pena de inelegibilidade. Uma das ações, segundo fontes políticas, já ultrapassa 800 páginas e segue sobrevivendo entre recursos, pra tentar reverter decisões consumadas.

O fato é simples: quem usa candidatura como fachada para captar fundo público ou alimentar estruturas paralelas talvez consiga empurrar processos por algum tempo. Mas desafiar a Justiça Eleitoral virou um jogo de alto risco. E  há políticos descobrindo, tarde demais, que dinheiro de campanha mal explicado costuma custar muito caro.

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Cristina Esteche

Jornalista

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