22/08/2023
Blog da Cris Paraná Política

Moro lidera, mas a eleição ainda está longe de ter dono

Levantamento coloca Sergio Moro na dianteira, mas revela que a maioria do eleitorado ainda não transformou preferência em decisão definitiva

(Fotos: Waldemir Barreto/Agência Senado, Pablo Valadares/Câmara dos Deputados, Rodrigo Fonseca/CMC, reprodução/PDT)

Sergio Moro aparece novamente na liderança da disputa pelo Governo do Paraná. A pesquisa Genial/Quaest confirma a força eleitoral do senador e mostra que, neste momento, ele parte na frente dos adversários. Mas seria precipitado transformar vantagem em vitória antecipada. Pesquisa registra fotografia; eleição exige filme completo.

O dado mais revelador não está apenas nos percentuais de Moro, mas no tamanho da indefinição. Na pesquisa espontânea, 83% dos entrevistados não souberam apontar um candidato. Isso significa que a maior força eleitoral do Paraná, até agora, não pertence a nenhum nome: pertence ao grupo dos indecisos.

A distância entre o cenário estimulado e o espontâneo também merece atenção. Quando recebe uma lista de candidatos, o eleitor escolhe Moro com facilidade. Sem os nomes apresentados, porém, apenas uma parcela pequena se lembra dele como opção para o governo. O senador tem visibilidade, reconhecimento nacional e uma base consolidada, mas ainda precisa transformar lembrança em compromisso político.

Outro ponto importante é a volatilidade do eleitorado. A maioria dos entrevistados admite que ainda pode mudar de voto. Esse cenário amplia o peso da campanha, dos debates, das alianças e, principalmente, da capacidade de cada candidato apresentar propostas para os problemas reais do Estado. Quem lidera também passa a receber mais ataques e cobranças.

A Quaest, portanto, mostra uma eleição com favorito, mas sem vencedor antecipado. Moro tem motivos para comemorar, não para subir no salto. Até agora, o maior adversário de todos os candidatos não é um nome específico, mas a falta de definição do eleitor. Quem conseguir transformar dúvida em confiança e visibilidade em projeto político poderá, de fato, assumir a dianteira quando a campanha começar para valer.

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Cristina Esteche

Jornalista

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